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sábado, 8 de outubro de 2011

Contágio (Contagion)

Assustadoramente claustrofóbico. Contágio, novo filme de Steven Soderbergh (Traffic, Che) é, em sua essência, um thriller internacional, mas não estranhe se durante a projeção você se flagrar tenso e com a sensação de estar vendo um filme de terror, porque em muitos níveis é exatamente isso que a produção é. Contando com um grande elenco recheado de nomes famosos (Gwyneth Paltrow, Matt Damon, Kate Winslet, Marion Cotillard, Jude Law, Laurence Fishburne, Bryan Cranston, John Hawkes e etc), o filme narra os 130 e poucos dias subsequentes ao surgimento de um novo vírus altamente contagioso que espalhando-se rapidamente pelo mundo provoca a morte de milhões de pessoas, enquanto o CDC e a OMS buscam, através de pesquisas apressadas e ações em campo de seus agentes (personagens de Kate Winslet e Marion Cotillard), não só identificar a origem da nova doença, mas sobretudo uma alternativa de cura/vacina.

Escrito por Scott Z. Burns (O Ultimato Bourne e O Desinformante), Contágio desenvolve sua narrativa num ritmo de constante de urgência, explorando, numa escala global (a ação ocorre nos EUA, Inglaterra, China, Japão...), todo o pânico, alarmismo e desespero que vai tomando conta da população nos grandes centros em meio a um mar de informações desencontradas e teorias da conspiração fomentadas por um blogueiro (Jude Law). Dessa forma, ao centrar sua história num inimigo invisível do qual todos os personagens falam e construir um retrato coerente e absolutamente plausível do caos, não demora muito para que filme, tal qual seu protagonista (a doença, claro), estabeleça o reflexo de uma situação que de fato poderia ocorrer (vide a recente pandemia de Gripe A) transmitindo assim todo o pavor e o choque que um quadro dessa gravidade poderia impor, o que, por tabela, faz com que a produção acabe se tornando muito mais aterrorizante que qualquer outra efetivamente ligada ao gênero.


Eficaz na execução e com uma estrutura que amarra suas várias ações de forma eficiente, Contágio só escorrega levemente no desenvolvimento de seus personagens que, como coadjuvantes reativos da história, acabam apresentados aos montes e de forma apressada sem que nos identifiquemos claramente com suas motivações (algo que fica claro, por exemplo, a partir da figura do blogueiro feito por Jude Law). Isso, contudo, não afeta o resultado final do filme que ao fugir da armadilha fácil de tentar criar um grande herói que surge para salvar o mundo da epidemia no último arco, humaniza as relações apresentadas durante a trama de forma coerente quer seja pelo pai (personagem de Matt Damon) - que faz de tudo para proteger a filha adolescente depois de perder a esposa (Gwyneth Paltrow) e o filho mais novo - ou pelo diretor do CDC (personagem de Fishburn) dividido pelo conflito ético e moral de usar ou não o benefício que a posição lhe dá frente a imunização então iminente.

Contágio faz parte da programação do Festival do Rio 2011 e estreia no circuito comercial no dia 28/10.

sábado, 1 de outubro de 2011

Drive, a Grande Surpresa do Ano no Cinema

Eternizado por Clint Eastwood na excelente trilogia dos dólares de Sergio Leone, a figura do protagonista que não tem nome e que com poucas palavras se revela um anti-herói de moral dúbia, ressurge com uma roupagem contemporânea em Drive, belo filme estrelado por Ryan Gosling (Diário de uma Paixão) sob o comando do dinamarquês Nicolas Winding Refn (Bronson), vencedor do prêmio de direção no festival de Cannes deste ano. Inspirado no livro homônimo do americano James Sallis, o filme narra a história de um homem que trabalha como dublê em Hollywood e que nas horas vagas, graças a seu exímio talento ao volante, faz bico como motorista para criminosos em fuga. Esse fiapo de argumento, contudo, ganha novas e interessantes camadas a partir do momento em que o motorista (Gosling) se envolve com a vizinha Irene (Carey Mulligan de Educação) e ao tentar ajudar o marido desta recém saído da prisão, descobre-se, depois de um roubo mal sucedido, sob a mira de mafiosos locais.

Num elenco cheio de nomes famosos do cinema (Albert Brookes de Taxi Driver) e, principalmente, da tv (Bryan Cranston de Breaking Bad fazendo o 'mentor/empresário' do motorista, Ron Perlman de Sons of Anarchy e Christina Hendricks de Mad Men), é mesmo Ryan Gosling que literalmente rouba a cena no filme. Em atuação minimalista e marcante em diferentes situações - repare, por exemplo, na forma como o motorista flerta de forma tímida com Irene (Mulligan) ou depois quando reage de forma selvagem em duas cenas, no quarto de um hotel e no elevador, dignas do protagonista de Dexter -, o ator confere personalidade e uma certa aura de mistério ao homem que, econômico nas palavras e extremamente frio, jamais deixa dúvidas sobre seu talento singular (o de dirigir, claro) ou sobre a natureza de suas intenções e motivações.
Em muitos aspectos, Drive é um filme reminiscente das décadas de 80 e 90, aquelas em que os thrillers, de forma geral, pareciam mais crus, críveis e envolventes ao se focarem muito mais nos personagens do que nos efeitos. Assim, quer seja pela estética quase sempre mais sombria e fria (amparada pela fotografia de Newton Thomas Sigel de Os Suspeitos) ou pela ótima trilha sonora (em tom retrô) que ajuda a pontuar o desenvolvimento da trama e as nuances de seu protagonista, Drive nos mostra, através dos olhos e das reações do motorista, uma história que surpreende ao equilibrar romance (um aspecto importantíssimo no filme) com boas sequências de ação, doses de violência chocante e personagens com quem nos importamos ao longo do filme e que, mesmo não fugindo totalmente da caricatura, revelam-se bem carismáticos.

Surgindo como a grande surpresa do ano no Cinema até aqui (pelo menos para mim), Drive, que estreou nos EUA no dia 16/9, ainda não tem data de estreia oficial definida para o Brasil, mas poderá ser visto, como uma das grandes atrações do Festival do Rio que ocorre entre os dias 6 e 18 de outubro. Interessou? Então dá uma olhada no trailer do filme.

domingo, 18 de setembro de 2011

Conan, o bárbaro – Planeta dos Macacos: A Origem – Cowboys & Aliens


Pegue o enredo de um game épico de fantasia ruim, acrescente 3D e um diretor medíocre. O resultado? Conan, o Bárbaro, reboot fraquinho dos filmes estrelados por Schwarzenegger na década de 80 inspirados na obra de Robert E. Howard. Com péssimo roteiro, personagens coadjuvantes e antagonistas absolutamente desinteressantes e um protagonista sem carisma algum feito por Jason Momoa (gastando todo o crédito que conseguiu com seu Khal Drogo de Game of Thrones), o filme investe na violência gráfica como único chamariz para contar uma batida história de vingança, mas falha de forma clamorosa com uma história arrastada e sem qualquer emoção pontuada por diálogos e atuações risíveis. O trailer até engana, mas o produto final não deixa dúvidas: o novo Conan é barbaramente ruim.

Cotação:


No meio termo entre ser um filme de origens como seu título indica e um reboot da franquia original iniciada em 1968, o novo Planeta dos Macacos (que faz várias boas homenagens aos filmes que começaram tudo, diga-se) não chega a ser excepcional em função do desenvolvimento relativamente preguiçoso de alguns personagens chave. Por outro lado, o filme dirigido pelo ainda novato Rupert Wyatt surpreende como um sci-fi de forte teor crítico ao individualismo e à soberba do homem com uma história que é tão divertida quanto envolvente sobre a luta de um pesquisador (o sempre eficiente James Franco) que ao tentar encontrar a cura para o mal de Alzheimer que afeta seu pai (John Lighgow), acidentalmente provoca uma mutação que altera para sempre a relação dos chimpanzés com os homens. Talvez pela falta de um elemento surpresa como o do filme original, Planeta dos Macacos: a origem não o supere, mas é notório que pontos como o da atuação marcante e cheia de nuances que Andy Serkis confere ao símio que cataliza a trama, acabem fazendo desse um filme relevante para a série.

Cotação:


Ainda que se torne expositivo demais em seu 2º ato e escorregue na hora de resolver seu principal conflito (o embate que o título já entrega), Cowboys & Aliens, novo filme do diretor Jon Favreau (O Homem de Ferro) baseado numa HQ, é excelente na proposta de ser uma aventura que nunca se leva a sério demais e que só quer divertir à base de porrada e bons efeitos especiais usando um cenário improvável. Agora, se isso não te convence, talvez a junção Daniel Craig emulando seu James Bond carrancudo no oeste mais Harrison Ford mesclando o que poderiam ser versões envelhecidas de Han Solo e Indiana Jones ao lado da beleza sempre estonteante de Olivia Wilde (a 13 de House) te ajude a se render à essa despretensiosa produção que, na minha opinião, figura facilmente como um dos melhores filmes pipoca do ano.

Cotação:

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Homem do Futuro

Um despretensioso flerte com a ficção científica travestido numa divertida comédia romântica. Assim é O Homem do Futuro, novo filme do diretor e roteirista Claudio Torres (o mesmo do surpreendente ‘Redentor’) sobre um físico gênio e amargurado (Wagner Moura) que ao tentar criar uma máquina capaz de produzir uma nova forma de energia, acaba acidentalmente viajando no tempo e encarando a oportunidade de desfazer um grande trauma amoroso ocorrido 20 anos antes e que ele julga ter arruinado sua vida.

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    Contando com produção de incontestável qualidade (são bem eficientes os efeitos que sustentam o lado sci fi da trama, por exemplo), boa montagem, diálogos ágeis e um casal protagonista (Moura e Alinne Moraes) que mostra boa química em cena, O Homem do Futuro não deve nada à maioria dos filmes do gênero feitos lá fora. Além disso, é justo reconhecer que o filme é ousado no que se refere à iniciativa de mesclar romance com o conceito da viagem no tempo para sugerir uma discussão sobre a (ir)racionalidade do amor, falar de desilusões, chances perdidas e da necessidade de se aceitar e aprender com erros para evoluir num contexto pessoal.

    E se no geral o filme não decepciona como comédia (há momentos realmente engraçados envolvendo Wagner Moura se desdobrando entre suas versões), infelizmente derrapa no apressado terceiro e último ato. Afinal, é nele que se revela a fragilidade lógica do roteiro de forma clara com algumas ‘puladas de tubarão’ que evidenciam uma amarração paradoxal para a história que se encerra deixando no ar uma dúvida que remete diretamente àquela famosa pergunta: quem veio primeiro? O ovo ou a galinha?

    Derrapadas à parte, é inegável que o saldo de O Homem de Futuro é mais positivo do que negativo. A trilha sonora é ótima, os coadjuvantes não deixam a bola cair e as boas participações especiais são divertidas e equilibradas. Ainda assim, tenho quase certeza que se o Claudio Torres tivesse uma máquina como a do personagem de Wagner Moura, provavelmente ficaria tentado em usá-la para voltar no tempo e corrigir alguns equívocos que impedem seu filme de se tornar mais relevante para o gênero.

    Cotação:

    O Homem do Futuro tem pré-estreia nesse final de semana em algumas cidades e chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 2/9.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Árvore da Vida (The Tree of Life)

O que histórias e conflitos pessoais representam frente à complexidade da vida do planeta que habitamos? Um adulto se define mais pela lembrança amarga de um pai repressor e frio ou pela doce de uma mãe amorosa? Há propósito no caos que uma perda trás? Essas são algumas das questões propostas em A Árvore da Vida que, muito mais que o novo filme de Terrence Malick (Além da Linha Vermelha), é uma experiência cognitiva arrebatadora para quem se despe da necessidade de ter explicação para tudo que se vê na tela para simplesmente sentir o que imagens, sons e gestos podem passar.

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    A partir das reflexões de um adulto (Sean Penn) em busca de reconciliação com seu passado (sobre o qual vemos uma extensa série de fragmentos) e de recortes dos mais variados e singulares momentos da formação da própria vida na Terra, Malick constrói uma narrativa que foge de qualquer lógica linear, revelando-se, através de metáforas, belíssimos e valorizados planos (amparados por uma fotografia não menos brilhante), uma obra-prima sobre a eterna busca do homem por compreensão a respeito de seu papel aqui.

    Fiel ao conceito de que menos pode ser mais, Malick concentra a atenção da narrativa muito mais nas reações da interação de seus personagens (repare, por exemplo, na dolorosa dificuldade do personagem de Brad Pitt em demonstrar carinho pelos filhos) do que no que é dito por eles. E assim, com a simplicidade de um gênio, o cineasta molda, com o presente e o passado (do planeta e do personagen de Sean Penn), um retrato poético e absolutamente marcante a respeito de incertezas e dilemas comuns a todos nós e daquilo que nos une: o desejo de encontrar no outro (e na natureza), aquilo que buscamos em nós mesmos: segurança, paz, conforto, amor...

    A Árvore da Vida é o melhor filme já feito? Provavelmente não, mas é certamente uma das experiências mais fortes (pro bem e pro mal*) que tive a oportunidade de ter numa sala de cinema. Daquelas que faz você ter certeza, talvez como deve ter ocorrido com os que viram 2001 no cinema, de ter testemunhado parte da própria história da sétima arte sendo escrita bem ali na sua frente. O que, para qualquer cinéfilo, não tem preço.

    Cotação:

    * Valorizo e sempre valorizei a ida ao cinema, mas é cada vez mais estressante aturar o comportamento de boa parte do público nas salas. Na sessão em que vi A Árvore da Vida, por exemplo, conversinhas paralelas e risinhos de deboche ao longo da projeção (e sobretudo no fim dela) foram frequentes numa típica reação de quem não entendeu a obra e na tentativa de diminuí-la, tumultua o ambiente de forma irritante. Lamentável.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Super 8

Fiel à trajetória de seu diretor e roteirista (J.J. Abrams), Super 8 tem num mistério (um acidente de trem que provoca estranhos acontecimentos numa pequena cidade) a base de sustentação de sua trama. Contudo, a principal atração do filme que conta com produção de Steven Spielberg, não é o mistério em si, mas sim sua capacidade de emular bons elementos de alguns clássicos de aventura dos anos 80, sendo a lembrança mais evidente e inevitável a de Os Goonies.

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    Passada no final da década de 70, a história de Super 8 gira em torno de um grupo de adolescentes que, durante a produção de um filme amador, acaba testemunhando um grande acidente que repercute em suas vidas (e na de sua cidade) de forma marcante ao revelar uma conspiração de militares tentando esconder um segredo. Nesse contexto, o filme trata, com muita sutileza, sobre a perda da inocência, amadurecimento, escolhas, a importância da amizade e de conflitos entre pais e filhos (um dos temas favoritos de Abrams, diga-se) sem nunca deixar de render um bom entretenimento.

    Divertido e envolvente principalmente em seus dois primeiros atos (o terceiro e último perde um pouco o fôlego ainda que não deixe de trazer uma resolução satisfatória para a história), Super 8 remete, através dos esforços do grupo de amigos adolescentes em terminar seu filme amador no meio daquele novo e inesperado cenário, a um cinema mais inocente e lúdico. Algo que se traduz, por exemplo, através da paixão demonstrada pelo jovem ‘diretor’ Charles (Riley Griffiths) em seus constantes desejos de agregar valor de produção às filmagens e, sobretudo, à delicada relação que se estabelece entre Joe Lamb e Alice Dainard (personagens de Joel Courtney e da irmã mais nova de Dakota Fanning, Elle Fanning, vista recentemente em Um Lugar Qualquer).

    Coberto de referências ao estilo de Spielberg nos anos 80, Super 8 surge como um filme leve e que diverte tratando de temas comuns e caros a todos nós (como os já citados conflitos familiares, por exemplo) em meio a uma situação de relativo caos. Assim, ainda que conte com sequências de ação impressionantes, Super 8 foge da estigma de blockbuster vazio ao preocupar-se muito mais com o conteúdo da mensagem que tenta passar do que com a forma, o que em tempos de Transformers e afins, é sempre algo muito positivo e louvável.

    Super 8 estreia no Brasil no dia 12 de agosto.

    Cotação:

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Radar Dude News – 29/6/2011

Sem tempo a perder, vamos aos assuntos desse radar: o novíssimo trailer de Missão Impossível 4; comentários sobre a novata e surpreendente comédia de humor negro, Wilfred; o retorno de Louie; a policial inglesa, Luther; e sobre dois filmes, o japonês 13 Assassins e o romance de ficção, Agentes do Destino. E para fechar, uma dica quente de Blu-Ray: a recém lançada versão estendida da trilogia O Senhor dos Anéis por um preço bem camarada.

Missão Impossível 4



Muita gente acha que a franquia Missão Impossível já deu o que tinha que dar, mas basta conferir o novo trailer de Missão Impossível 4: Protocolo Fantasma para perceber que o filme tem tudo para dar novo fôlego às aventuras de Ethan Hunt e cia. Com estreia prevista para 30 de dezembro no Brasil, a produção que, além de Tom Cruise, conta com Josh Holloway (o Sawyer de Lost) e Jeremy Renner (Guerra ao Terror e Atração Perigosa), marca também a primeira empreitada de Brad Bird no mundo do cinema live action, já que até então o diretor só aparecera à frente das excelentes animações, Os Incríveis e Ratatouille da Pixar.

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    A bizarra e imperdível Wilfred

    Quando vi o primeiro teaser de Wilfred, nova comédia recém estreada no FX americano, achei o conceito esquisito demais para que pudesse funcionar. Ledo engano. Bastou ver o episódio Piloto da série para ser instantaneamente fisgado pela ideia de acompanhar as desventuras de um jovem depressivo que redescobre a vida ao lado de um cão chamado Wilfred que ele enxerga como um homem de verdade. No papel do protagonista da série, Elijah Wood (o eterno Frodo da trilogia O Senhor dos Anéis) parece ter acertado em cheio na escolha do projeto que, acreditem, é tão bizarro e politicamente incorreto quanto divertido. Resumindo: assista!

    O retorno de Louie

    Por falar em comédia politicamente incorreta do FX, quem voltou na última semana mais uma vez investindo nas piadas críticas e de acidez máxima foi Louie. Mantendo a estrutura de sua temporada de estreia, a série do comediante Louis C.K. (que é produtor e roteirista do programa) divide-se entre sequências dramatizadas e absurdas de momentos da vida de um pai divorciado e cheio de pré-conceitos e stand ups do próprio Louis. Neles, o comediante, num estilo bem peculiar e engraçadíssimo, analisa, sem qualquer papa na língua, situações que vão desde os desafios de ter que educar filhas com diferença de idade ao de ter que refazer a vida social depois de virar solteiro aos quarenta e poucos anos. Se você ainda não acompanha tá perdendo.

    A bipolar e curiosa Luther

    Convencido pelos argumentos de quem já via a série, fiz uma maratona de Luther, série policial inglesa estrelada por Idris Elba (da excelente The Wire). Longe de ser espetacular, mas ainda assim não menos interessante justamente por conta do marcante trabalho de Elba, a série mostra o dia a dia do irascível detetive John Luther que vê sua vida pessoal e profissional entrar num turbilhão depois de virar alvo da corregedoria e de conhecer uma assassina fria e calculista que, obcecada por ele, passa a se meter em suas investigações. Atraente por ser mais crua que o padrão americano do gênero (as investigações seguem um modo mais crível), Luther no entanto incomoda pela bipolaridade de seus personagens. Assim, mudanças de humor e atitude repentinas surgem quando se menos espera, o que se por um lado funciona para manter a história surpreendente, por outro soa como trapaça de roteiristas que se julgam muito espertos.

    Cinema com Samurais e Philip K. Dick

    Dirigido pelo controverso cineasta japonês Takashi Miiki, 13 Assassins narra a história de um grupo de 13 samurais (tecnicamente são 12, mas explicar a diferença seria spoiler) que, no fim do período feudal do Japão, aceita a missão de encarar um exército na tentativa de matar o tirano herdeiro do Shogun que destroçava vidas e vilas por onde passava por puro prazer. A premissa não é das mais atraentes, eu sei, mas com planos engenhosos e bons personagens, esse filme de 2010 surpreende ao misturar discussões sobre moral e honra numa história (baseada em fatos reais) que traz uma incrível sequência de ação que tem, acredite, quase 30 minutos de duração!

    Como bem definiu Pablo Villaça em sua crítica de Agentes do Destino, o filme inspirado num conto de Philip K. Dick é basicamente um romance floreado por elementos sci fi. Estrelado por Matt Damon e Emly Blunt, o filme mostra misteriosas figuras com um quê de sobrenaturais (seu visual lembra muito o dos Observadores de Fringe) que, encabeçadas pelo personagem de Terence Stamp, agem para impedir que o casal protagonista se envolva depois de um encontro do acaso. Brincando com conceitos de destino e livre arbítrio, o filme levanta diversas discussões sobre o real controle que teríamos sobre nossas decisões (das mais banais às mais importantes) e quanto elas influenciariam o que seria o plano de vida perfeito para cada um. Interessou? Então confira o trailer.

    Trilogia O Senhor dos Anéis, versão estendida



    Demorou, mas a versão estendida da trilogia O Senhor dos Anéis finalmente chegou às lojas gringas. No box de 15 discos(!), sendo 6 em blu-ray com os 3 filmes em suas versões estendidas (totalizando quase 11 horas e meia de filme) mais 9 em DVD só com extras imperdíveis como docs sobre o mundo criado por Tolkien, bastidores de cada filme, entrevistas, comentários e muito mais. Tudo, eu disse TUDO com legendas em pt-br. O preço hoje? US$70, que no câmbio atual dá algo em torno de R$110 + o custo do frete. Em suma: i m p e r d í v e l !!!



segunda-feira, 13 de junho de 2011

X- Men: Primeira Classe

X-Men: Primeira Classe não é a melhor adaptação dos quadrinhos que vi (ainda tenho Watchmen como a referência a ser batida). Por outro lado, o filme que mostra as origens dos X-Men, a amizade entre Charles Xavier e Erik Lehnsherr/Magneto e os eventos que os colocam em lados opostos, é sem qualquer dúvida o melhor e mais ambicioso filme da franquia iniciada em 2000.

Digno, do primeiro ao último minuto, da alcunha de filme pipoca (ótimos efeitos e muita diversão), a produção assinada por Matthew Vaughn (do ótimo Kick Ass), que também colaborou no roteiro, acerta em cheio ao contextualizar as primeiras histórias dos mutantes em pleno auge da guerra fria na década de 60, já que ao emular a atmosfera dos bons filmes de ação/espionagem daquele período, entrega um thriller bastante envolvente.

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    De forma geral, ainda que tenha ressalvas com relação a X-Men 3 e ao filme solo do Wolverine, gosto dos filmes anteriores, mas não cheguei a me empolgar tanto quando anunciaram um filme de origens. Assim, ao tomar esse Primeira Classe como sendo ‘apenas’ mais um da série, acabei sendo positivamente surpreendido por um blockbuster adulto, ágil e inteligente, e que com personagens carismáticos (destaque absoluto para o trágico Magneto de Michael Fassbender), supera com relativa facilidade as boas impressões deixadas por X-Men 1 e 2.

    Contando com pequenas cameos tão divertidas quanto inesperadas (aquela em que Xavier e Magneto encontram com certo personagem num bar é ótima!), o filme, que traz Kevin Bacon como o bom vilão Sebastian Shaw, faz boas referências aos anteriores ao passo em que nos dá novas perspectivas sobre seus protagonistas. Nesse quadro, enquanto o jovem Charles Xavier feito por James McAvoy aqui é visto num tom mais expansivo e informal que aquele mais velho feito por Patrick Stewart, o traumatizado Erik Lehnsherr, por sua vez, aparece como bad ass vingativo a la Bastardos Inglórios e com um conflito mais evidenciado (e interessante) que aquele visto em sua versão mais velha quando já o conhecemos como Magneto.

    Ampliando discussões relevantes sobre amizade (há uma cena belíssima envolvendo Xavier e Eric durante uma sessão de treinamento), aceitação e a responsabilidade que um poder confere, Primeira Classe é mais contundente na sua mensagem e, talvez por isso, acabe sendo o filme mais importante dentro da franquia, o que resumidamente significa uma coisa: você tem que ver o filme!

    Cotação:

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pânico 4 (Scre4m)


Nova década, novas regras
. Apoiados nesse conceito (e na chance de faturar mais alguns milhões, é claro), Wes Craven e Kevin Williamson, respectivamente diretor e roteirista da trilogia original, voltam aos cinemas com mais uma continuação da franquia lançada em 1996. E se por um lado Pânico 4 cumpre o que propõe reciclando o mote dos filmes anteriores e maquiando-o com referências mais atuais e divertidas, por outro falha em realmente apresentar algo novo para o gênero.

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    Superior ao segundo e terceiro filme, Pânico 4 segue uma linha narrativa muito mais ágil e menos previsível. A abertura, por exemplo, é marcada por participações especiais de duas musas de séries (Anna Paquin de True Blood e Kristen Bell de Veronica Mars), flerta com metalinguagem e apresenta diálogos espertos e até certo ponto carregados de auto-crítica.

    A trama é simples: quando Sidney Prescott (Neve Campbell) retorna a Woodsboro dez anos depois do último massacre para lançar um livro que fala sobre como enfrentou seus traumas, uma nova onda de assassinatos perpretados pelo Ghost Face toma forma. Dentre as possíveis vítimas da vez, o casal veterano Dewey e Gale (o sempre terrível David Arquette e Courtney Cox) e mais um bando de adolescentes que funciona tanto como vítima como suspeito e que inclui a prima de Sidney, suas amigas, um ex-namorado e mais uma dupla de estudantes locais viciados em cinema e especificamente nos filmes de terror/horror.

    Embora critique os clichês, Pânico 4 tampouco se abstém de abraçá-los quando precisa e de brincar com eles subvertendo-os, o que não deixa de ser um ponto positivo da produção. O problema surge quando o filme força a barra tentando ser engraçado a todo custo (vide a cena do policial que faz uma piada quando está prestes a morrer), o que tira a tensão que algumas cenas deveriam carregar, ou quando transforma certos personagens em meros fantoches (ou zumbis?) aparentemente inertes a tudo o que está acontecendo. Repare na personagem da veterana Mary McDonnell (a Laura Roslin de Battlestar Galactica) por exemplo, e note como ela age de forma imbecil quando o risco de se tornar uma nova vítima cresce.

    Escorregadas à parte, é justo dizer que o filme envolve e funciona dentro da ideia que explora, ainda que tenha uma virada final que convence mais pela surpresa do que pela motivação do(a) assassino(a). Resumindo: Pânico 4 traz mais do mesmo, mas diverte e no fim é isso que importa quando se fala nessa franquia, certo?

    Cotação:

    Comentário com SPOILER do final do filme. Para lê-lo, selecione a área entre setas com o mouse, mas só o faça se já viu o filme! Avisei, hein?

    -->Embora seja inegável como surpresa, a revelação de que a sobrinha de Sidney é a assassina empalidece frente à justificativa tola de que ela agiu motivada pelo ciúme que tinha do status de celebridade que a prima alcançara. Tivesse a trama evitado colocar a moça como a vítima mais provável, talvez a virada fosse mais impactante. Ou não? <--

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Além da Vida (Hereafter)

Feliz coincidência essa que cerca os filmes dirigidos por Clint Eastwood. Seja lá qual for o tema ou o tamanho da produção (e ele já abordou muita coisa diferente), o veterano ator convertido em um dos mais sólidos diretores dos últimos anos, sempre investe na simplicidade e nas sutilezas para construir histórias que emocionam fugindo do lugar comum ao mesmo tempo em que trazem um tom reflexivo que, acima de tudo, preza pela inteligência de seu público, algo que esse seu Além da Vida faz com muita elegância e excelência.

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    Ainda que o assunto da vez – a morte – denote um tom naturalmente mais dramático e de certa forma até depressivo, Eastwood constrói, a partir do roteiro de Peter Morgan (do ótimo Frost/Nixon), um retrato bastante emocional em torno de três histórias afetadas pelo tema central em diferentes níveis e que eventualmente acabam se cruzando com fortes e decisivas transformações para os envolvidos.

    A primeira personagem apresentada pelo filme é a jornalista francesa Marie Lelay (Cécile De France), uma mulher que vê suas certezas e perspectivas de vida mudarem quando tem uma experiência de quase morte durante o Tsunami que assolou a Indonésia em 2004 (evento que o filme mostra de forma impressionante), e que começa a buscar formas de tentar entender o que lhe aconteceu.

    O segundo personagem que conhecemos é George Lonegan (Matt Damon, melhor a cada novo papel), um médium que relutante em usar seu ‘dom’ (ele diz que ninguém pode viver plenamente tendo que lidar constantemente com a morte), leva uma vida isolada e carregada de solidão, algo que o plano de uma determinada cena em seu apartamento aliás exprime com muita precisão.

    Já o terceiro e último personagem central de Além da Vida é Marcus (o novato George McLaren), um garoto de 12 anos que após perder o irmão gêmeo (a quem era muito ligado) de forma traumática, vê sua vida mudar radicalmente frente a necessidade de ter que se adaptar a um mundo novo longe da maior referência que tinha.

    Com muito mais acertos do que equívocos (a única coisa que me incomodou foi a ‘coincidência’ que provoca o cruzamento dos três personagens no fim), o filme comprova mais uma vez o talento e a mão equilibrada de Eastwood para tratar de temas tão singulares. Evitando o didatismo que geralmente cerca produções que se debruçam sobre o tema, o diretor passa longe de tentar explicar esse mistério que desperta tanta curiosade, mas que também sempre alimenta preconceitos. Assim, ao tomar essa decisão, Eastwood permitiu que Além da Vida não só se tornasse um bom entretenimento, mas sobretudo um filme muito mais relevante.

    Cotação:

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Preview OSCAR 2011 – Cisne Negro (Black Swan)

O anúncio dos indicados para o Oscar 2011 só ocorre no dia 25 de janeiro, mas na onda do burburinho tradicional que antecede a divulgação da lista, já assisti alguns dos filmes que certamente estarão presentes na 83ª edição dos Academy Awards que ocorre no dia 27 de fevereiro. Sendo assim, a partir de hoje publicarei pequenos comentários sobre algumas das produções que vem ganhando maior visibilidade recentemente e que chegam às salas de cinema do Brasil ao longo das próximas semanas. E para começar, vamos logo com o merecidamente badalado, e um dos favoritos a melhor filme no Oscar, Cisne Negro.

Dizem que os últimos serão os primeiros. Se isso é verdade eu não sei, mas fato é que Cisne Negro tem boas chances de confirmar a tese. Presente em várias listas dos melhores filmes de 2010, como a deste blogueiro, o filme que estreou no início de dezembro nos EUA (e chega às salas do Brasil no dia 4 de fevereiro) sacudiu a crítica com uma narrativa envolvente, ousada e extremamente inteligente.

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    Dirigido pelo sempre inventivo Darren Aronofsky (Réquiem Para um Sonho), Cisne Negro conta a história de Nina Sayers (Natalie Portman), uma bailarina que ao encarar a maior chance de sua carreira – interpretar a personagem principal do balé de Tchaikovsky, Lago dos Cisnes – mergulha numa obsessão pela performance perfeita que catalisa um conflito direto com sua protetora mãe, Erica Sayers (uma ex-bailarina feita por Barbara Hershey), com o severo e extremamente crítico diretor da companhia, Thomas Leroy (Vincent Cassel), com uma novata concorrente, Lily (Mila Kunis) e, sobretudo, com ela mesma.

    Dizer mais é estragar as surpresas e reviravoltas do filme, que tecnicamente irretocável (com destaque para sua fotografia e trilha marcantes), constrói um retrato psicológico bastante instigante em torno do desafio que Nina experimenta, ao mesmo tempo em que flerta com o fantástico para expor os fantasmas e traumas que a bailarina se vê obrigada a encarar em sua jornada pela busca da almejada e cara perfeição.

    Cotação:

    Obs.: Também com vagas praticamente certas no Oscar 2011, A Origem e Toy Story 3 também já ganharam destaque aqui no blog em 2010. Para ler meu comentário sobre o filme que considerei o melhor de 2010 clique aqui e para o da 3ª parte da trilogia dos brinquedos da Pixar, aqui.

sábado, 13 de novembro de 2010

Senna

Quando os créditos finais de ‘Senna’ surgem na tela, o sentimento de nostalgia é inevitável. Não só pela F1 em si, que na época de Ayrton e cia era infinitamente melhor que essa coisa sem graça de hoje, mas sobretudo (e com direito a muitas e inevitáveis lágrimas) pela saudade imensa que o filme desperta desse que, para mim, foi o maior ícone esportivo que o país já teve.

Usando registros, em sua maioria raros, de momentos marcantes da trajetória de Ayrton Senna (com destaque óbvio para sua espetacular vitória no Brasil em 1991), o documentário dirigido pelo inglês Asif Kapadia constrói um retrato empolgante e emocionane do homem que viveu menos do que gostaria – é particularmente doloroso ver o próprio Senna falando sobre planos que tinha para um futuro que não veio -, mas que soube fazê-lo de forma intensa como um herói das pistas instantaneamente transformado em mito depois daquele fatídico 1 de maio de 1994.

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    Fugindo um pouco da estrutura usual que caracteriza documentários sobre personalidades – no filme, todos os testemunhos, memórias e opiniões sobre Senna são dadas através de voice over ou pelo próprio -, o filme tem dentre seus muitos méritos, a coragem de não tenta fazer um retrato imaculado de seu protagonista. Assim, o Ayrton que vemos no filme é, mais do que um cara apaixonado pela velocidade e pela incansável busca da perfeição, um homem que teve que aprender, em meio a erros e acertos, a equilibrar seu talento notório nas pistas com a difícil habilidade política que o mundo da F1 exigia.

    Nesse panorama, a rivalidade entre Senna e Alain Prost (exposto como um piloto de caráter no mínimo questionável em várias passagens) ganha atenção especial, já que é justamente através da relação conturbada e explosiva dos dois que temos a chance de conhecer os bastidores do circo da F1 com tudo de bom e de ruim que ele sempre teve, como dirigentes muito mais fiéis a interesses pe$oais do que ao desenvolvimento pleno (e principalmente seguro) de um esporte que desperta tanta paixão mundo afora.

    Vibrante como registro histórico, Senna é uma bela homenagem à memória da personalidade inesquecível e que por tantos domingos nos fez ter orgulho de ver a bandeira verde e amarela tremulando no alto do pódio após cada corrida vencida com o tema da vitória tocando ao fundo. Que saudade, Ayrton!

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2

Dentre todos os grandes momentos de Tropa de Elite 2 (e há vários deles), aquele que se torna chave ocorre quando o agora coronel Nascimento (Wagner Moura, excepcional) toma um tirambaço. Mas, não o de uma bala saída de um fuzil, e sim o da realidade que desaba sobre ele fazendo-o, após mais de 20 anos dedicados à polícia, finalmente enxergar e entender com clareza a podridão da estrutura em que estava inserido e à qual respondia. Esse é o ponto de virada do filme, aquele em que o personagem – de novo narrador da história - vê muitas das certezas (senão todas) que carregava até então sendo derrubadas. É também o ponto em que o filme consolida o retrato crítico e contundente do estado das coisas no Brasil e de como a percepção que temos do que move e alimenta a violência do dia a dia das grandes cidades (sobretudo do Rio de Janeiro) é turva e parcial. Corajoso, inteligente e absolutamente relevante para discurtirmos o país que queremos ser, Tropa de Elite 2 estabelece-se como um filmaço muito maior e melhor que uma mera continuação do original de 2007.

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    Novamente dirigido e escrito por José Padilha em parceria com Bráulio Montovani, Tropa 2 é um thriller empolgante que, contando com uma narrativa ágil e instigante (que deve muito à montagem brilhante de Daniel Rezende, diga-se), abre mão de se focar nas sequências de ação (que ainda existem aos montes, fique tranquilo), dando espaço para um desenvolvimento muito mais elaborado de seus personagens. Os conflitos e dilemas que movem Nascimento agora, atingem escalas muito maiores que a do 1º filme ao mesmo tempo em que personagens diametralmente opostos a ele no método (como o deputado Fraga, por exemplo), ganham espaço num quadro que aponta o dedo para a ferida colocando ideologias aparentemente contraditórias em cheque e lado a lado ao mesmo tempo.

    Ainda que seja uma obra de ficção – algo que a produção faz questão de apontar logo no início - Tropa 2 mira num único alvo, a corrupção como principal responsável pela tragédia da violência urbana, e acaba acertando em vários à medida em que revela as várias facetas de toda estrutura do poder político amoral que se beneficia de um estado de caos constante disfarçado de lei. O vilão do filme não é mais o traficante de drogas que troca tiros com o Batalhão de Operações Especiais , mas sim o poder paralelo representado pela milícia que se estabelece como força de sustentação de uma engrenagem cuja mecânica envolve desde policiais corruptos, passando por deputados, secretário de segurança e governador.

    Mas Tropa 2 não é bom só por diagnosticar com coragem e inteligência a causa de um dos nossos maiores problemas numa linguagem cinematográfica eloquente. Seu grande mérito, além de provocar uma reflexão importante e fundamental, é a de alimentar catarse no espectador, que identificado com as mazelas retratadas no filme, vibra com o momento em que Nascimento espanca um de seus algozes (o hipócrita secretário de segurança) ou com aquele em que o deputado Fraga impõe sua posição ética com muita força numa reunião parlamentar do Congresso. A partir daí, uma certeza se estabelece de forma inquestionável: Tropa 2 é O filme definitivo do cinema nacional.

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Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right)

Contando com atuações inspiradas que devem render indicações ao Oscar para o trio Annette Bening, Julianne Moore e Mark Ruffalo (este, vale dizer, em um de seus melhores e mais sólidos trabalhos), Minhas Mães e Meu Pai vai figurar facilmente na lista dos melhores filmes do ano. Apoiada num humor inteligente que rende sequências divertidíssimas pontuadas por drama na dosagem certa sem nunca passar do ponto, a produção vem causando merecido furor em festivais mundo afora desde o início do ano e esteve na lista dos mais procurados na recém encerrada edição 2010 do Festival do Rio.

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    Na trama, equilibrada por risos fáceis e emoções em igual medida, o casal de lésbicas Nic e Jules (Benning e Moore excelentes) encara uma crise familiar catalisada pelo aparecimento de Paul (Ruffalo), pai biológico de seus filhos, Laser (Josh Hutcherson) e Joni (Mia Wasikowska, de Alice no País das Maravilhas) e que até então era um reles anônimo para todos.

    Dirigido e roteirizado por Lisa Cholodenko, o filme faz um retrato honesto e bastante humano de cada um dos seus cinco personagens principais que, encarando conflitos diversos que se chocam em dado momento, são apresentados na dimensão de suas virtudes e defeitos sem que nunca ocorram julgamentos superficiais. Nesse cenário, o filme ganha força tanto no desenvolvimento quanto no desfecho balizado por alegrias e decepções que deixam um gosto agridoce absolutamente irresistível.

    Minhas Mães e Meu Pai estreia no circuito comercial no dia 12 de novembro.

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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Festival do Rio 2010 – Pt 1

Ainda que uma certa frustração fique no ar em virtude da certeza de que não verei tantos filmes quanto gostaria, é sempre prazeroso sentir a atmosfera do Festival do Rio, quer seja pelo desafio de fazer a seleção dos filmes ou pela ansiedade da espera que cerca a liberação desse ou daquele filme que chega na última hora. Na edição desse ano pretendo ver pelo menos 20 filmes dos mais diversos gêneros e origens, e até agora, passados 5 dias de festival, minha lista traz sete produções vistas e brevemente comentadas logo na sequência. Aproveitando, deixo aqui meu abraço para o crítico Pablo Villaça do meu site favorito sobre cinema, o Cinema em Cena, com quem tive o prazer de encontrar em duas ocasiões e que está cobrindo o Festival do Rio pela primeira vez.

Filho da Babilônia (Son of Babylon, Iraque / Reino Unido / França / Holanda / Emirados Árabes Unidos, 2009) de Mohamed Al-Daradij. Com: Yasser Talib, Shazda Hussein, Bassir Al-Majid.

Iraque, 2003. Três semanas após a queda de Saddam Hussein, o menino Ahmed e sua avó atravessam o país tentando localizar o pai do garoto, desaparecido depois de ter sido preso anos antes pela Guarda Republicana do ditador. Repleto de sutilezas e retratando de forma crua a dura realidade de um povo oprimido, porém sempre esperançoso, o filme constrói de forma equilibrada a trajetória e as relações que se estabelecem entre o garoto e sua avó com personagens que cruzam seu caminho mudando a percepção que tem sobre sua busca. Nesse panorama, é curioso perceber como a narrativa vai se embrutecendo de forma decisiva à medida em que o fim se aproxima, com um tom sério e diametralmente oposto ao do início da projeção que dava espaço até para alívios cômicos. Nota: 8

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    A Vida Durante a Guerra (Life During Wartime, EUA, 2009) de Todd Solondz. Com: Shirley Henderson, Allison Janney, Ally Sheedy, Ciarán Hinds.

    Contando uma fotografia que ajuda a imprimir o incômodo de diálogos incomuns e situações constragedoras, como a cena de uma mãe (papel de Allison Janney, da série The West Wing) comentando com o filho sobre quão excitada ficara num encontro, o filme de Solondz mostra três irmãs tentando se ajustar em relações (amorosas e profissionais) confusas e carregadas por sentimento de culpa. Investindo num humor negro que, infelizmente funciona de forma irregular ao longo da narrativa, o filme coloca a fragilidade de suas protagonistas em foco, tanto pelo tom inseguro da voz de uma, ou pelas ações de outra, mas derrapa ao não saber trabalhar esse aspecto no sentido de torná-las figuras interessantes, o que acaba contribuindo para um quase completo esvaziamento de sua narrativa no fim. Nota: 6

    A Suprema Felicidade (Idem, Brasil, 2010) de Arnaldo Jabor. Com: Marco Nanini, Dan Stulbach, Mariana Lima, Jayme Matarazzo, João Miguel, Maria Flor, Elke Maravilha.

    É de se lamentar que o talento que Jabor empresta às suas crônicas não se reflita em sua filmografia que, com esse ‘A Suprema Felicidade’, infelizmente acaba de ficar ainda mais irregular. Anacrônico e pouco fluido em várias passagens, o filme que se passa na década de 40 investe numa narrativa vazia cheia de idas e vindas temporais para contar a história de Paulo (Jayme Matarazzo), um jovem que, vivenciando a relação deteriorada de seus pais (Dan Stulbach e Mariana Lima), se apoia no avô (Nanini) para tentar encontrar a tal felicidade do título na boêmia da noite carioca e na relação que estabelece com mulheres que lhe rendem paixões e desilusões na mesma medida. Com exceção de Marco Nanini, o único do elenco que escapa de um retrato unidimensional e consegue conferir alguma relevância e profundidade a seu personagem, o filme tem um resultado medíocre, que em grande parte é culpa de um roteiro capenga e de uma direção preguiçosa e equivocada. Nota: 4

    Suprema Felicidade tem estreia programada para o dia 29/10 nos cinemas.

    A Woman, a Gun and a Noodle Shop (San Qiang Pai An Jing Qi, Hong Kong / China, 2010) de Zhang Yimou. Com: Sun Honglei, Xiao Shenyang, Yan Ni, Ni Dahong.

    A intenção até podia ser boa, mas o resultado... Tentando mesclar o estilo de algumas de suas excelentes obras anteriores com um gênero novo para ele, o da comédia de humor negro, o cineasta chinês Zhang Yimou derrapa na iniciativa ao sustentar uma trama que envolve traições e vingança com personagens demasiadamente caricatos e superficiais. Adaptação de Gosto de Sangue, dos irmãos Coen, o filme falha ao não conseguir emular o tom daquela obra e por insistir de forma excessiva em gags físicas que se repetem ao longo da trama que evolui de forma pouco inspirada e nada surpreendente. Longe de ser tão divertido quanto pretende (ainda que faça rir vez ou outra), o filme revela pouca coisa realmente interessante com a assinatura de seu realizador e só não é um desastre total por conta de sequências como a que mostra alguns personagens fazendo a massa de macarrão como se fosse um verdadeiro balé e pela fotografia sempre eficiente nas produções de Yimou. Nota: 5

    Federal (Idem, Brasil, 2010) de Erik de Castro. Com: Carlos Alberto Riccelli, Selton Mello, Cesário Augusto, Christovam Netto, Eduardo Dusek, Michael Madsen.

    Ainda que só esteja chegando agora aos cinemas, ‘Federal’ foi produzido na mesma época do primeiro Tropa de Elite e teve seu roteiro (escrito por três pessoas, incluindo o diretor) explorado em laboratórios como o de Sundance ainda 2001, além de ter sido submetido à seleções de bancas de empresas estatais que liberaram o patrocínio do filme. Assim, com tanto tempo de preparo, é no mínimo constrangedor (ou assustador, como queira) que o resultado na tela seja tão ruim. Tentando construir, através de um grupo de policiais federais, encabeçados pelo delegado Vidal (Riccelli) e pelo novato Dani (Selton Mello), um retrato crítico das ações de combate ao narcotráfico em Brasília e da estrutura de corrupção que sustenta esse poder, o filme é um festival de sucessivos equívocos, quer seja pelas constantes (e nunca justificadas) mudanças de motivações de quase todos os personagens, passando por sequências de ação inexpressivas ou mesmo pelas cenas de sexo gratuitas que nada acrescentam à trama. Absolutamente falho em tudo que propõe, ‘Federal’ é facilmente um dos piores filmes policias que já vi e que ainda nos brinda com Michael Madsen (Cães de Aluguel, Kill Bill) na atuação mais canastrona de sua carreira e que só perde para a de Eduardo Dusek no papel do chefão do tráfico. Nota: 2

    Federal tem estreia programada para o dia 29/10 nos cinemas.

    Essential Killing (Idem, Polônia / Noruega / Irlanda / Hungria, 2010) de Jerzy Skolimowski. Com: Vincent Gallo, Emmanuelle Seigner.

    Tenso e absolutamente angustiante do início ao fim, ‘Essential Killing’ narra a jornada de um soldado afegão que, após ser capturado e torturado pelo exército americano, luta pela sobrevivência fugindo por regiões inóspitas da Europa, depois que seu veículo de transporte sofre um acidente. Com Vincent Gallo (Brown Bunny) em atuação memorável*, ainda que não fale uma só palavra ao longo de toda trama, o que faz com que sua interpretação dependa exclusivamente de sua expressão corporal, o filme foge da armadilha de fazer qualquer juizo de valor das ações do soldado, que mata como se fosse um animal acuado em situação semelhante. Não é definitivamente um filme fácil, mas é sem dúvida uma experiência rica e envolvente que só derrapa na motivação de uma determinada personagem, que surge como bóia de salvação do protagonista antes do derradeiro desfecho da produção. Nota: 9

    * Se o mundo das premiações fosse justo, Gallo deveria ser no mínimo indicado ao Oscar em 2011.

    Bebês (Bébé(s), França, 2009) de Thomas Balmès.

    Um delicioso turbilhão de emoções. É exatamente isso que o francês, ‘Bebês’, provoca ao longo da quase hora e meia de duração da produção que se revela absurdamente irresistível, quer seja pela forma ou pelo conteúdo. Acompanhando a trajetória de quatro bebês nascidos em lugares bem diferentes (dois nos centros urbanos de São Francisco e Tóquio e outros dois em zonas isoladas da Namíbia e da Mongólia), esse doc encanta pela simplicidade e pela elegância com que registra as mais diversas fases do primeiro ano de vida dos bebês. Sua principal virtude? Evidenciar o fato de que mesmo estando em ambientes e culturas diametralmente opostas, os quatro agem e reagem de maneiras praticamente idênticas, com divertida curiosidade e doçura frente as descobertas do mundo que os rodeia. Nota: 9

terça-feira, 31 de agosto de 2010

[REC] 2 – Possuídos / Os Mercenários

Não tem jeito. No cinema comercial, basta surgir algo que traga alguma novidade para determinado gênero e pronto, sequências virão abrindo mão justamente do elemento que sustentou o sucesso do material original: a inventividade e a ousadia para fazer algo diferente. Foi assim com a franquia Jogos Mortais e está sendo com o espanhol REC, que se em 2007 surpreendeu com sua mescla de suspense e horror num ambiente claustrofóbico, agora se limita a repetir a mesmíssima fórmula (a trama inclusive começa imeadiatamente após o fim do 1º filme) na sequência que, embora seja de 2009, só chega essa semana aos cinemas do Brasil. Inegavelmente mais bem produzido que o original, [REC] 2 tem lá seus momentos (a cena do sótão com seus bons sustos funciona), mas se perde com a resolução boba do mistério do que provocava aquele bizarro 'fenômeno' e com a decisão de transformar o suspense numa conspiração orquestrada pela Igreja para encobrir um caso de exorcismo que deu errado. Algo que suspostamente garantiria a ‘grande’ virada dos instantes finais do filme, mas que derrapa feio pela ridícula previsibilidade.

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[REC] 2 – Possuídos estreia no dia 3 de setembro no Brasil

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    Embora louvável (e esperta, claro), a iniciativa de Sylvester Stallone em reunir boa parte dos grandes astros de filmes de ação de ontem e de hoje numa mesma produção tem um resultado bastante irregular. Os Mercenários é exagerado como todo filme do gênero (o que não chega a ser um demérito), diverte com as curiosas interações entre seus personagens – a breve cena que envolve Stallone, Bruce Willis e Schwarzenegger é boa pela piada interna que explora -, tem alguns raros diálogos bem sacados, mas não empolga como poderia por conta de sua trama rasteira demais e suas sequências de ação confusas pela edição, pouco criativas e previsíveis. Amparado sobretudo pelo personagem de Jason Statham (o único do filme que ganha algum desenvolvimento mais razoável) e pelas curtas, porém boas e descompromissadas aparições de Mickey Rourke, no fim, Os Mercenários é só mais um filme de ação descerebrado como tantos que já vimos antes, o que considerando o escopo do projeto é pouco, muito pouco.

    Cotação:

    Os Mercenários estreou no Brasil no dia 13 de agosto de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Karate Kid (2010)

E não é que o remake de Karate Kid com Jaden Smith e Jackie Chan é um filme bem interessante e divertido no final das contas? Sim, tem suas falhas aqui e ali (com suas 2h:20 de duração é longo demais, por exemplo) e tá longe de ser um filmaço, mas também é uma produção que consegue tanto homenagear o original quanto expandir sua trama num ambiente inteiramente diferente (a China) usando o choque de cultura de forma ainda mais decisiva para a construção da relação de um jovem inseguro e seu improvável professor.

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    Confesso que antes de ver o filme achava uma tremenda forçação de barra essa história de transformar o karate kid num kung fu kid, mas bastou assistí-lo para notar o óbvio: se em termos de conceitos de sabedoria oriental a arte chinesa se equivale ao karate japonês, em termos de coreografia o kung fu funciona muito mais para o público de hoje tão acostumado à ação mais acelerada aumentada pelo CGI, que aqui se mescla a algumas belas sequências em cartões postais da China.

    Contudo, o que realmente faz o filme funcionar é a interação desenvolvida entre Jaden Smith (que parece cada vez mais um clone do pai em miniatura) e Jackie Chan. Enquanto o primeiro confere conflito e fragilidade bastante crível a Dre, um pré-adolescente americano recém chegado à Pequim onde rapidamente se vê vítima de bullying, o segundo, absolutamente comedido em sua interpretação, confere ao Sr. Han um carisma quase tão forte quanto o do Sr. Miyagi feito pelo saudoso Pat Morita do original.

    O único problema desse Karate Kid (além da já mencionada longa duração) é que embora invista em pequenas boas mudanças como a de diminuir a idade de seu protagonista, emula de forma exagerada muitos pontos da narrativa do filme original, o que de certa forma acaba diminuindo um pouco a graça para quem conhece ou lembra bem da história do filme de 1984. Observação feita, se você entende que isso não é uma grande questão, deve facilmente se empolgar com vários momentos do filme ou se ver torcendo pelo jovem Dre além de se empolgar com a sequência de luta final que supera muito a do filme original (o golpe da garça é fichinha perto do que vemos aqui).

    Karate Kid definitivamente tem falhas e podia ser mais ousado, mas me parece bem razoável dizer que cumpre bem a tarefa de (re)apresentar a história de um dos filmes mais marcantes da década de 80 para as gerações atuais. Agora, por favor Will Smith, providencie para que a inevitável sequência se chame Kung Fu Kid pelo menos, né?

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A Origem (Inception)

Adjetivos não faltam para destacar o brilhantismo de A Origem, mas a maior e mais importante qualidade do filme, afora o roteiro engenhoso e a direção afiadíssima de Chistopher Nolan aliada às atuações seguras do elenco liderado por Leonardo DiCaprio, reside no fato da obra ignorar a tentação tão comum de se basear numa narrativa expositiva e jamais tentar facilitar o trabalho do espectador, que envolvido pela trama, pode ter o prazer de contemplar uma obra inteligente, questionadora e absolutamente divertida à medida em que busca a compreensão do que se vê na tela.

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    Escrito pelo próprio Nolan (confirmando-se como um dos realizadores mais completos e ousados de sua geração), A Origem faz pelo cinema atual o que Matrix fez em 99 por exemplo, ou seja, é inegavelmente um blockbuster do início ao fim, mas também é um filme reflexivo e que nos instiga o tempo todo acerca dos limites da mente e do que é real e imaginário e como as duas coisas podem se confundir de forma irreversível. Ou não.

    Em suma, a trama do filme gira em torno de um grupo que faz um tipo de espionagem industrial muito singular: suas ações se dão todas dentro dos sonhos de suas vítimas. O pulo do gato na trama do filme é que o novo trabalho envolve não um roubo, mas a inserção (daí o título original, aliás) de uma ideia na mente da vítima, um jovem bilionário feito com muita precisão por Cillian Murphy.

    Esteticamente perfeito em todas as incríveis ambientações que vão se desdobrando nas camadas de sonhos apresentadas, A Origem apresenta-se como um filme de muitos gêneros num só fazendo a transição entre eles sempre de forma muito elegante e orgânica. Nesse contexto, cada ação, diálogo ou sequência visual impactante surge não como desculpa para justificar tomadas elaboradas, mas sim para dar significado e peso a cada uma delas.

    E se todo o elenco está bem, com destaques mais óbvios para Joseph Gordon-Levitt (recentemente visto em 500 dias com ela) e para o até então desconhecido Tom Hardy (que em breve estrelará um novo Mad Max), é mesmo DiCaprio que faz a liga do filme. Há tempos merecendo ser reconhecido como Ator de fato e não só um astro de Hollywood, ele estrela seu segundo grande filme de 2010, e tal qual seu personagem de A Ilha do Medo, nesse A Origem ele também dá voz e corpo a uma figura que carrega um passado traumático cujos desdobramentos se revelam intimamente ligados à trama central e sobretudo a seu desfecho ambíguo e não menos fascinante que se planta dúvidas no espectador, traz uma certeza inquestionável: A Origem é (até agora) o melhor filme do ano.

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