Goste ou não dos rumos que a série tomou ( e eu tenho gostado muito), se há uma coisa a se reconhecer dessa quarta temporada de Dexter, é que não tem faltado ousadia no intuito de subverter a imagem que construímos de seu protagonista. Fato é que o Dexter de hoje é muito diferente daquele que conhecemos nos anos anteriores. Ele é mais humano e por isso mesmo cheio de complexidades e contradições. Fora isso, Dexter não é mais só um sujeito frio e extramente calculista. Ele agora se importa, sente e age muito mais pela chance (ou seria obrigação?) de salvar um inocente, do que para – com o perdão do trocadilho - matar sua sede de sangue.
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Expondo a culpa que sente por usar a família como escudo ou artifício que corrobore-o como um cidadão normal, Lost Boys evidencia um Dexter com a clara noção de que suas ações clandestinas afetam direta e decisivamente as vidas não só da sempre insegura Rita, mas sobretudo de seus filhos, mais notadamente do pequeno Cody. Visto como pai exemplar por quem o cerca, como telespectadores testemunhamos Dexter experimentando a angústia de perceber que tudo que ele enoja no Trinity poderia ser um reflexo dele mesmo dali a alguns anos. Assim, mergulhando-o numa sensação até então desconhecida por ele, o episódio apresenta um panorama que pode transformar Dexter não mais num serial killer guiado pela psicopatia, mas sim pelo ‘simples’ desejo de fazer justiça marginal, o que de certa forma confirma uma interprestação que muitos de nós, enquanto fãs, temos dele antes de percebê-lo como um monstro.
Reforçando a ideia de que essa pode ser a melhor temporada da série até aqui, Lost Boys ainda dedicou tempo a explorar a frágil relação pai e filha sustentada por mentiras que envolve o Trinity de Arthur Mitchell com a da repórter Christine. Confusa e motivada pelo desejo de proteger um homem que ela estranhamente admira, caberá à personagem ser o elo que abrirá o ato final da trama. Agora presa, não é exagero ainda imaginar que ela possa representar um risco de exposição que o Trinity queira evitar. Ainda assim, vamos combinar que na perspectiva desenhada para o encerramento da temporada, o que mais importa agora é ver como Dexter conseguirá se equilibrar na cada vez mais tênue linha que o separa da loucura de ter que ser duas pessoas absolutamente distintas, um atrativo que por si só já merece nossa atenção total.
























