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Seja pela surpresa ou pelo choque, uma coisa é certa: é impossível não encarar a conclusão da ótima 4ª temporada de Dexter como o game changer que produtores e elenco da série indicaram ao longo das últimas semanas. Depois de passar a temporada quase que inteira lidando com a tênue linha que o separava do Trinity Killer à medida em que buscava (inconscientemente?) sua humanização, a cena final com o bebê Harrison ensopado com o sangue de sua própria mãe, Rita (a última vítima do Trinity), reconstruiu num tom tristemente poético a lembrança da formação psicológica de Dexter.
Nessa medida, a temporada que pisou no acelerador do desenvolvimento de seu protagonista se encerrou levantando uma questão óbvia: irá Dexter tentar se distanciar de seu dark passenger conforme vislumbrara pouco depois de matar o Trinity, ou irá dar vazão a ele na medida em que tentará se equilibrar na figura de pai solteiro? A resposta só na desde já aguardadíssima 5ª temporada, mas não me restam dúvidas de que a culpa que Dexter sentirá por ter sido responsável indireto pela ruptura de sua família será um elemento absolutamente central na trama que virá.
Quais serão os ecos que o assassinato de Rita pelo Trinity trará para o círculo de confiança de Dexter? Como Debra reagirá agora que sabe mais detalhes do passado do irmão ligado ao Ice Truck Killer? E Quinn? Assumirá de vez o papel de substituto de Doakes no encalço de Dexter? Essas são só algumas das outras questões que se colocam à mesa com o fim da temporada, mas que no fim se ligam diretamente à maior delas: até quando o grande segredo de Dexter permanecerá protegido?
Outras observações
- No saldo final de uma temporada absolutamente soberba (e que talvez só perca para a primeira), dois únicos pontos negativos: a introdução de Christine e o envolvimento de LaGuerta com Batista acabaram não rendendo o que poderiam ou deveriam.
- Além do excelente John Lighgow (Trinity) que dividiu com Michael C. Hall (Dexter) os melhores momentos da temporada, outra que merece destaque é Jennifer Carpenter. Na evolução da trama, sua conflituosa e sempre destemida Debra acabou ganhou um peso ainda maior que só tende a fazer bem à série.
- Uma dúvida que surge agora: tal qual Harry, poderia Rita aparecer como parte da consciência de Dexter na 5ª temporada?
- À primeira vista injusta, a saída da sempre insegura e emocionalmente frágil Rita (que apresentava uma mudança gradativa e positiva nos dois últimos episódios, diga-se) representa na verdade o artifício narrativo perfeito para catalisar a busca pela humanidade de um monstro que tenta se desconstruir.


























