Comentário de episódio inédito até mesmo nos EUA,
onde só será exibido no dia 27 de setembro.

Sendo centrada num serial killer, é óbvio que
Dexter não poderia deixar de ser considerada uma produção adulta. Isso contudo, não a anula como entretenimento que é em sua essência, o que de certa forma exige uma reinvenção constante que mantenha o envolvimento do espectador, afinal, é improvável que à essa altura ainda desconheçamos algum aspecto psicológico mais impactante de seu protagonista. E é exatamente com essa ‘obrigação’ nas costas, que
Living the Dream abre a 4ª temporada da série, apresentando novas dinâmicas, novo antagonista, e um Dexter igual, mas diferente.
Leia mais...Escrito pelo produtor executivo da série, Clyde Philips, o episódio explora a dificuldade de Dexter em equilibrar seu ‘hobby’ com suas obrigações profissionais, além das de marido e pai de três (a agora aborrescente Astor, o ainda pequeno Cody e o bebê Harrison, fruto de seu casamento com Rita). Nesse cenário e com o humor negro já peculiar à série, surgem diversas passagens curiosas que evidenciam o crítico estado do protagonista. Numa delas, a auto paródia da abertura da série serve para evidenciar o cansaço e o esgotamento físico e mental ao qual Dexter estava exposto àquela altura, e que foi inclusive responsável pelo gancho final do episódio quando após fazer mais uma vítima (um assassino que escapara da justiça por culpa de Dexter, diga-se), ele sofre um acidente com o carro que guarda na mala, a prova de seu crime.
Igualmente bem sacada foi a introdução do ‘Trinity Killer’, personagem do veterano John Lithgow que surge de forma gradual, mas não menos impactante ao mostrar seu modus operandi meticuloso e cruel de matar. A aparição desse que será o grande antagonista de Dexter ao longo da temporada, serviu também como artifício para o retorno de Frank Lundy (o bom personagem de Keith Carradine) que agora um agente aposentado, tem um único objetivo: identificar o serial killer que conseguiu permanecer à margem da lei por mais de 30 anos.
Com roteiro inspirado e com um elenco entrosado garantindo o tom da série, o episódio abriu bem o que promete ser mais uma temporada consistente de Dexter, cujo protagonista agora ‘vive o sonho’ de ser bom profissional, bom marido e pai, e também o matador eficiente de sempre nas horas vagas.
Outras observações:
- Curioso que a relação entre Debra e LaGuerta tenha ficado tão amistosa, uma evolução interessante quando lembramos como era no início da série. Por falar na tenente, não deixou de ser uma surpresa a revelação de que ela e Angel Batista mantém um caso às escondidas, o que aliás, deve render uma subtrama no mínimo divertida.
- Falando ainda em relacionamentos, inegável que a volta de Frank balançou Debra. Resta saber se isso significará alguma mudança na ligação dela com Anton.
- A investigação de Debra sobre as relações de Harry com informantes dá espaço à pergunta: será que é nessa temporada que o segredo de Dexter virá à tona para sua irmã?
- Ainda sobre isso, me parece razoável imaginar que em algum ponto Rita começará a desconfiar de Dexter, já que é provável que seu cansaço possa provocar descuidos.