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Sookie quebrou o feitiço da bruxa Antonia? Ah, que legal. Eric recuperou a memória? Ok, tava na hora. Mas, por que, sem mais nem menos, a grande antagonista da vez que tanta vingança queria, aparece quase que arrependida e pronta para desistir só para ser convencida do contrário por Marnie que, também sem qualquer explicação razoavelmente plausível dentro da história, passa de reles praticante de bruxaria a médium psicopata pronta para matar todo mundo?
Não vou nem falar dos poderes que Antonia/Marnie tem de desaparecer (dentro das histórias de bruxas elas fazem isso?) ou do feitiço que cria um tipo de escudo de energia que a protege no Empório porque, né, para que? Ou então daquela tentativa patética de criar um desfecho emocionante para a historinha de Tommy só para provocar o confronto de Sam com Marcus (que àquela altura já agia para transformar Alcide no primeiro lobo com galho na cabeça).
Ah, e como se esse festival de cenas e sequências sem sentido, graça ou apelo não fosse o bastante, ainda tivemos que aturar Terry e Andy brincando de tiro ao alvo na floresta e, como a cereja do bolo (estragado, claro), aquele desfecho de episódio com o capitão Bill Nascimento e seus vampiros de preto prontos para invadir os domínios de Antonia de quem horas antes se escondiam pra evitar o feitiço, mas que agora parece não lhes representar nenhum perigo.
Como mencionei no início, já defendi demais True Blood e a verdade que esse episódio trouxe é a de que a série não merece tanto esforço. Eu aceito as bizarrices da produção, desde que elas me divirtam e preservem um mínimo de racionalidade dentro daquele contexto. Agora, a partir do momento em que os roteiristas chutam o balde remendando uma subtrama na outra de forma pobre além de jogar as coisas boas da série e as motivações dos personagens no lixo da lógica eu, por tabela, também posso jogar a toalha.
True Blood, não tô querendo dar ultimato nem nada até porque não tenho esse poder, mas o negócio é o seguinte: ou você se vira para fazer com que os dois últimos episódios dessa atual temporada sejam enlouquecedoramente sensacionais, ou você terá um fã a menos acompanhando tua sobrevida em 2012.
Um despretensioso flerte com a ficção científica travestido numa divertida comédia romântica. Assim é O Homem do Futuro, novo filme do diretor e roteirista Claudio Torres (o mesmo do surpreendente ‘Redentor’) sobre um físico gênio e amargurado (Wagner Moura) que ao tentar criar uma máquina capaz de produzir uma nova forma de energia, acaba acidentalmente viajando no tempo e encarando a oportunidade de desfazer um grande trauma amoroso ocorrido 20 anos antes e que ele julga ter arruinado sua vida.
Contando com produção de incontestável qualidade (são bem eficientes os efeitos que sustentam o lado sci fi da trama, por exemplo), boa montagem, diálogos ágeis e um casal protagonista (Moura e Alinne Moraes) que mostra boa química em cena, O Homem do Futuro não deve nada à maioria dos filmes do gênero feitos lá fora. Além disso, é justo reconhecer que o filme é ousado no que se refere à iniciativa de mesclar romance com o conceito da viagem no tempo para sugerir uma discussão sobre a (ir)racionalidade do amor, falar de desilusões, chances perdidas e da necessidade de se aceitar e aprender com erros para evoluir num contexto pessoal.
E se no geral o filme não decepciona como comédia (há momentos realmente engraçados envolvendo Wagner Moura se desdobrando entre suas versões), infelizmente derrapa no apressado terceiro e último ato. Afinal, é nele que se revela a fragilidade lógica do roteiro de forma clara com algumas ‘puladas de tubarão’ que evidenciam uma amarração paradoxal para a história que se encerra deixando no ar uma dúvida que remete diretamente àquela famosa pergunta: quem veio primeiro? O ovo ou a galinha?
Derrapadas à parte, é inegável que o saldo de O Homem de Futuro é mais positivo do que negativo. A trilha sonora é ótima, os coadjuvantes não deixam a bola cair e as boas participações especiais são divertidas e equilibradas. Ainda assim, tenho quase certeza que se o Claudio Torres tivesse uma máquina como a do personagem de Wagner Moura, provavelmente ficaria tentado em usá-la para voltar no tempo e corrigir alguns equívocos que impedem seu filme de se tornar mais relevante para o gênero.
Cotação: 
O Homem do Futuro tem pré-estreia nesse final de semana em algumas cidades e chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 2/9.
Com um conflito central que, embora movimentado e cheio de pequenas surpresas, acabou não se revelando tão interessante assim ou mesmo lógico (por que, dentre todos os vampiros do mundo, Antonia, uma bruxa espanhola, resolveu começar sua vingança justamente contra aqueles do estado da Louisiana?), a 4ª temporada de True Blood reforça a ideia de que a série virou mesmo um grande pastiche de si mesma. Em muitos níveis, a trama é boba e pueril, mas se sustenta por conta do carisma de seus personagens (ou pelo talento de alguns atores, né, Nelsan Ellis?) e pela capacidade de rir de si mesma garantindo, por tabela, a diversão dos que não desistiram dela.
Pois é, diversão e escapismo. No fim das contas não é isso que buscamos em produções como True Blood?
Se essa era a intenção do Doug Elin (criador e produtor da série) e cia quando planejaram o derradeiro ano de Entourage eu não sei, mas a impressão deixada pelos dois episódios mais recentes é a de que quiseram baixar a bola e o clima de oba oba que sempre caracterizou a produção, meio como que para mostrar Vince em baixa sem nenhum grande apelo na indústria que não o de alimentar os TMZs da vida.
É claro que antes do fim ainda pode até rolar alguma coisa mais impactante pra fechar a história, mas, por enquanto, a verdade é que os episódios só se sustentam por alguns poucos momentos inspirados envolvendo Johnny Drama (sempre trocando os pés pelas mãos na tentativa de voltar à ativa) e Ari Gold em seus hilários rompantes tendo agora que lidar com a dissolvição de sua família. O que, para uma série que já foi tão boa e merecia terminar numa nota mais alta, infelizmente é pouco, muito pouco.
De “Shotgun”, o quinto episódio, destaques óbvios para as longas e tensas cenas envolvendo Mike e Jesse (a do deserto foi bilhante), que àquela altura, totalmente indiferente à sua vida, acaba despertando ao achar ter recebido uma nova chance e função na ‘empresa’ e, claro, para Walter deixando-se tomar pelo desespero na tentativa de re-estabelecer contato com Gus (a cena dele no Los Pollos Hermanos, ainda que simples, carregou alto na dose de adrenalina) e mais tarde, durante o jantar na casa de Hank para onde fora com Skyler para ‘confessar’ seus vícios e 'explicar' a origem do dinheiro ganho, falando o que não deveria só para alimentar no cunhado a certeza de que o verdadeiro Henseinberg, gênio do meth, continua à solta e ativo.
Já “Cornered”, o sexto episódio, mostrou Skyler, então confiante de que seu plano para lavar o dinheiro era bom, perdendo a sensação de controle absoluto sobre a situação ao se deparar com Walter agindo de forma iráscivel (“Eles precisam de mim. Eu não corro riscos. Eu sou o perigo e outros blá blás”, que ele disse em certa altura), irresponsável (dar um carro esporte de luxo para Walter Jr. no que obviamente atraíria atenções desnecessárias) e, aí sem que ela soubesse, inconsequente (algo que se traduz, por exemplo, na iniciativa dele de confrontar a autoridade e as regras de Gus, levando 3 funcionárias da lavanderia para dentro do laboratório).
E se é óbvio que a ainda pequena subtrama envolvendo o roubo das cargas de meth ganhará contornos e importância maiores mais à frente, um desenvolvimento fundamental para esse arco da história e da conflituosa relação entre Walter e Jesse se deu também nesse sexto episódio quando vemos o primeiro percebendo a armação de Gus para miná-lo psicologicamente e interpelando o segundo a respeito com um argumento/citação ao O Poderoso Chefão que explica todo o plano do chefe: “Mantenha seus amigos por perto e seus inimigos mais perto ainda”.
Inseguros e manipuláveis em suas posições dentro do perigoso jogo em que se meteram, Walter e Jesse surgem invariavelmente tanto como peças essenciais para o perfeito funcionamento daquela engrenagem, quanto como riscos iminente para ela. E nesse contexto seguimos fascinados por Breaking Bad, a série que nunca traz episódios menos que excelentes e que há quatro anos faz a gente torcer por anti-heróis que são tão contraditórios (e odiáveis também em muitas situações, por que não?) quanto frágeis e fascinantes. Será que alguém discorda?
Ainda sem títulos definidos, a Pixar, também conhecida como estúdio de animação que todos os demais tentam ser, revelou hoje na D23Expo 2011 (convenção dedicada ao mundo Disney) as breves sinopses de dois novos filmes que, à princípio, chegarão à telas americanas em 27 de Novembro de 2013 e 30 de Maio de 2014, respectivamente. A notícia é do ótimo Pixar Blog.
Contando o curioso contraste entre o que Jessica (que, claro, acabou salva por Jason antes de encontrar a luz) imaginou que aconteceria ao terminar com Hoyt e o que efetivamente ocorreu quando o fez, “Spellbound”, o oitavo episódio da temporada, reservou relativo espaço às subtramas com o intuito de relacioná-las à principal (só a de Tommy e a do bebê de Arlene ainda soam dispersas). Assim, dando sequência ao desenvolvimento do arco central com a bruxa Antonia e sua busca por vingança contra os vampiros, o episódio culminou num embate em pleno cemitério de Bons Temps que se não resolve a questão, já dá uma boa ideia do que veremos nos 4 episódios restantes da temporada.
Teve Bill capturado pelas bruxas depois de impedir que Pam matasse Tara (no que provavelmente renderá a ele uma aliada eventual); Sookie sendo atingida por um tiro só para ser salva por Alcide que, contrariando um pedido de Debbie (e de Marcus, o líder de sua nova matilha agora encrencado com Sam), acabou se envolvendo na rixa quase como uma justificativa para sua permanência na trama por tanto tempo sem uma função definida e, por fim, Eric sendo mentalmente dominado por Marnie/Antonia que agora deve tentar usá-lo contra os seus no que muito provavelmente renderá o gradual retorno do personagem à sua natureza fria, egoísta e mais imprevisível das temporadas anteriores.
Depois de apostar em mudanças salutares à série (o salto de 1 ano na história foi, a meu ver, fundamental para agitar as coisas depois do fraco 3º ano), tropeçar em algumas iniciativas (para que serviu o núcleo das panteras na história?) ao mesmo tempo em que acertou em outras como o romance para lá de quente entre Sookie e Eric e a revelação de que Lafayette é um médium (ainda acredito que ele terá papel fundamental no desfecho da temporada, diga-se), não dá para cravar se Allan Ball e cia conseguirão amarrar todas as pontas da temporada de forma satisfatória. Dessa forma, se agradar a todos é impossível e desnecessário, como fã da série e do trabalho de Ball, que nunca é demais lembrar, fez Six Feet Under, só espero ser recompensado com mais diversão e um bom entretenimento escapista, porque se tem algo que True Blood não merece ou precise é ser levada tão a sério.
O que histórias e conflitos pessoais representam frente à complexidade da vida do planeta que habitamos? Um adulto se define mais pela lembrança amarga de um pai repressor e frio ou pela doce de uma mãe amorosa? Há propósito no caos que uma perda trás? Essas são algumas das questões propostas em A Árvore da Vida que, muito mais que o novo filme de Terrence Malick (Além da Linha Vermelha), é uma experiência cognitiva arrebatadora para quem se despe da necessidade de ter explicação para tudo que se vê na tela para simplesmente sentir o que imagens, sons e gestos podem passar.
A partir das reflexões de um adulto (Sean Penn) em busca de reconciliação com seu passado (sobre o qual vemos uma extensa série de fragmentos) e de recortes dos mais variados e singulares momentos da formação da própria vida na Terra, Malick constrói uma narrativa que foge de qualquer lógica linear, revelando-se, através de metáforas, belíssimos e valorizados planos (amparados por uma fotografia não menos brilhante), uma obra-prima sobre a eterna busca do homem por compreensão a respeito de seu papel aqui.
Fiel ao conceito de que menos pode ser mais, Malick concentra a atenção da narrativa muito mais nas reações da interação de seus personagens (repare, por exemplo, na dolorosa dificuldade do personagem de Brad Pitt em demonstrar carinho pelos filhos) do que no que é dito por eles. E assim, com a simplicidade de um gênio, o cineasta molda, com o presente e o passado (do planeta e do personagen de Sean Penn), um retrato poético e absolutamente marcante a respeito de incertezas e dilemas comuns a todos nós e daquilo que nos une: o desejo de encontrar no outro (e na natureza), aquilo que buscamos em nós mesmos: segurança, paz, conforto, amor...
A Árvore da Vida é o melhor filme já feito? Provavelmente não, mas é certamente uma das experiências mais fortes (pro bem e pro mal*) que tive a oportunidade de ter numa sala de cinema. Daquelas que faz você ter certeza, talvez como deve ter ocorrido com os que viram 2001 no cinema, de ter testemunhado parte da própria história da sétima arte sendo escrita bem ali na sua frente. O que, para qualquer cinéfilo, não tem preço.
Cotação:
* Valorizo e sempre valorizei a ida ao cinema, mas é cada vez mais estressante aturar o comportamento de boa parte do público nas salas. Na sessão em que vi A Árvore da Vida, por exemplo, conversinhas paralelas e risinhos de deboche ao longo da projeção (e sobretudo no fim dela) foram frequentes numa típica reação de quem não entendeu a obra e na tentativa de diminuí-la, tumultua o ambiente de forma irritante. Lamentável.