quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Preview – Spartacus: Blood and Sand (Série)

Opinião sobre série ainda inédita até mesmo nos EUA

Quando se fala em épicos, geralmente não dá para fugir da imagem do herói idílico e de moral inquestionável que frente o acaso do destino ou de uma grande tragédia, se vê numa posição de confrontamento contra homens e/ou instituições opressoras. Fora isso, de épicos espera-se também a construção do retrato da sociedade que antecedeu a nossa e seus muitos jogos de disputa de poder regado, claro, a muito sexo e violência. Considerando esse quadro, à primeira vista Spartacus: Blood and Sand poderia render uma bela nova série épica em 2010, mas julgando pelos dois primeiros episódios “The Red Serpent” e “Sacramentum Gladiaturium”, a tendência é que a boa ideia infelizmente fique só na promessa.

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    Assinada por nomes como o de Sam Raimi (diretor dos 3 filmes do Homen Aranha e produtor de Hercules e Xena) em parceria com o canal americano a cabo Starz, o mesmo de Crash e Party Down, Spartacus: Blood and Sand não esconde em nenhum momento que tenta pegar carona em dois grandes épicos de sucessos recentes na telinha e na telona, Roma da HBO e 300 respectivamente. Da primeira tenta emular, ainda que num segundo plano, a ambientação política permeada pela ambição e corrupção e os conflitos sociais, enquanto da segundo copia o estilo visual das tomadas de ação em slow motion, algo que os trailers já indicavam. Ou seja, a série não traz absolutamente nada que já não vimos antes.

    Investindo no slogan de ser o evento mais ousado da tv em 2010, Spartacus: Blood and Sand revisita a história verídica do homem que após enfrentar um comandante de uma legião militar de Roma perde tudo (incluindo a mulher), vira escravo e posteriormente gladiador até liderar uma grande revolta contra o Império. Até aí tudo bem, afinal, seria ótimo revisitar um clássico modernizando-o com os recursos atuais para (re)apresentá-lo às velhas e novas gerações. Contudo, ao abrir mão das sutilezas e sobretudo de uma narrativa elaborada como a do filme de 1960 dirigido por Stanley Kubrick e estrelado por Kirk Douglas, essa segunda releitura de Spartacus na tv (a primeira ocorreu em 2004) falha clamorosamente ao apostar tudo na construção de sets que soam falsos demais e parecem saídos de um game, e na violência gráfica desnecessariamente exagerada com direito a closes de membros e vísceras sendo dilaceradas em lutas evidentemente sangrentas.

    Condenar a série logo de cara seria leviano, é claro, mas considerando o acúmulo de clichês vistos nos dois primeiros episódios aliado à narrativa preguiçosa e seus personagens rasteiros e desinteressantes com direito a burocratas romanos e até gladiadores ‘bad boys’ na escola de formação, a ludus, não creio que o cenário vá se alterar radicalmente num sentido positivo a ponto de justificar a precoce renovação da série para uma 2ª temporada (fato ocorrido essa semana) antes mesmo da estreia que ocorre no dia 22 de janeiro nos EUA.

    Assim, longe de querer dizer o que alguém deve ou não assistir, me limito a sugerir que cada um veja e tire suas próprias conclusões questionando o seguinte: para uma produção que se vende como ousada, frases de efeito como “Um homem deve aceitar seu destino ou ser destruído por ele” ou a chance de ver a bela Lucy Lawless (a Xena) nua e em cenas de sexo são suficientes para uma série que mais do que um gênero, pretende ser épica?

    Site oficial da série.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Avatar, a experiência do ano nos cinemas

Revolucionar é mudar, transformar uma coisa já existente em algo novo ou pelo menos diferente. O cinema em seus mais de 100 anos de história já viveu algumas boas revoluções desde a criação do cinematógrafo pelos Irmãos Lumière, e agora no finzinho de 2009 com a estreia de Avatar, dá o primeiro passo rumo a uma nova era. A afirmação pode soar exagerada é verdade, mas basta entrar numa sala de projeção 3-D para assistir o filme e constatar o óbvio: a mais nova produção de James Cameron é mesmo O filme do ano e provocará reflexos positivamente irreversíveis na indústria ao longo dos próximos.

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    Escrito e dirigido por Cameron (que andava de ‘férias’ depois dos 11 Oscars de Titanic), não é nenhum absurdo dizer que Avatar seja uma produção diretamente influenciada por trabalhos de ficção científica escritos por gente como Arthur C. Clarke (2001 – Uma Odisséia no Espaço). Futurista, fantasioso, mas absolutamente ligado a temas comuns à nossa história e realidade, o filme fala sobre relações entre povos e culturas distintas e sobretudo sobre a relação destes de respeito ou a falta dele com o meio em que habitam.

    Pelos olhos, e principalmente pela mente do ex-fuzileiro paralítico Jake Sully (Sam Worthington de O Exterminador do Futuro 4), Avatar nos leva à descoberta de um mundo totalmente novo na distante Pandora onde os nativos chamados Na’vi entendem, e literalmente se conectam com a natureza que os cerca ao mesmo tempo em que tentam resistir à opressão de humanos exploradores em busca de uma rica e abundante fonte de energia que poderia representar a salvação de uma Terra então devastada. Ou seja, qualquer semelhança com o período de colonização da América Latina por exemplo não é mera coinscidência.

    Em Avatar, os humanos são os grandes vilões de uma trama que se amplifica no romance nascido do encontro de uma guerreira nativa com um improvável (anti?) herói que se volta contra os seus. Só por isso, claro, não dá para dizer que o filme represente aquela revolução à qual me referi lá no início do texto. Contudo, é justamente a partir dessa premissa simples e longe de ser original que o filme ganha força, significado e beleza, graças à evolução da computação gráfica e da tecnologia de captura de movimento, que aliada ao 3-D, proporciona uma experiência inigualável, inesquecível e emocionante dentro da sala de cinema.

    Alardeado como o grande trunfo de Avatar, o salto técnico tão comentado ao longo dos anos que antecederam a chegada do filme aos cinemas, de fato cumpre a promessa e sinaliza o óbvio: efeitos visuais de última geração não podem mais ser elementos acessórios ou de mera distração em grandes blockbusters, mas devem sim atuar como facilitadores para que nossa conexão com a história contada na tela soe mais envolvente e crível.

    O mundo de Pandora e sua gama de magníficos personagens criados por James Cameron e sua equipe traz uma riqueza de detalhes absurda que aliada ao efeito 3-D, nos tira da posição de espectadores para nos colocar na de testemunhas das ações que evoluem na tela. Assim, quando vemos Jake Sully redescobrindo o prazer de poder correr com as ‘próprias’ pernas e mais tarde acompanhamos sua curiosidade com a fauna e flora da floresta local, a sensação é de estar lá, quase como um avatar invisível, mas totalmente integrado àquele belíssimo ambiente.

    O que Avatar fez agora pelo Cinema talvez ainda leve mais alguns anos para ser totalmente entendido por executivos de estúdios, estudiosos e fãs em geral, mas uma coisa já me parece certa: a revolução começou e o modo como iremos assistir filmes daqui para frente mudou para sempre e para muito melhor. Duvida?

    Outras observações:

    - Não comentei especificamente sobre os personagens, mas vale destacar pelo menos dois excelentes trabalhos no filme. Um deles é o da veterana Sigourney Weaver (a eterna Ellen Ripley de Alien), que transforma sua Dra. Grace numa figura complexa, cheia de contradições e por isso mesmo humana, e o da jovem Zoe Saldana (a Uhura do mais recente Star Trek), que na pele da guerreira Na’vi, Neytiri, multiplica por dez o impacto visual e emocional causado pelo Gollum de O Senhor dos Anéis, o primeiro personagem feito 100% em CGI a partir da captura de movimentos.
    - Não que premiações devam ser consideradas como validação da importância de uma produção, mas bem que eu adoraria ver Avatar disputando alguns Oscars como os de melhor filme, diretor, montagem, trilha sonora e, claro, efeitos visuais.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O treinamento do Rocky Balboa como você nunca(?) viu


A sequência original...

Tudo bem que eu seja fã das sequências de treinamento dos filmes do Rocky, mas tem gente que se empolga de verdade quando o assunto é fazer homenagem. Vejam só essa que imita uma do quarto filme da franquia, aquele feito no auge da Guerra Fria e que mostrava Balboa encarando o armário russo Ivan Drago na então União Soviética.


...e a alternativa

Hilário, não?

1º Trailer do Remake de 'The Karate Kid'


Tudo bem que minha expectativa para ver esse remake de The Karate Kid não é das mais altas, mas ainda assim essa releitura da história na China pode até vingar apesar da aparente inexpressividade do Jaden Smith e da minha dificuldade de ver o Jackie Chan num papel mais sério. E você, o que espera do filme, se é que espera alguma coisa?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Novo promo da 8ª temporada de 24 Horas


A 8ª (e última?) temporada de 24 Horas promete, mas e esse 17 de janeiro que não chega, hein?!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Indicados ao Globo de Ouro 2010



Foram divulgados na manhã de hoje em Los Angeles os indicados ao Golden Globe Awards 2010, cerimônia popularmente conhecida por aqui como Globo de Ouro. Marcada para ocorrer no dia 17 de janeiro, a 67ª edição da festa promovida pela Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood será apresentada pelo ator/comediante Ricky Gervais e premiará o diretor Martin Scorsese com um Cecil B. DeMille, prêmio especial tradicionalmente entregue a quem deu grande contribuição à indústria do entretenimento audiovisual. Vamos portanto à lista completa dos indicados às 26 categorias.

INDICADOS - CINEMA

    Melhor Filme de Drama

    Bastardos Inglórios
    Precious
    Guerra ao Terror
    Up in the Air
    Avatar

    Melhor Atriz de Drama

    Emily Blunt, The Young Victoria
    Sandra Biullock, The Blind Side
    Helen Mirren, The Last Station
    Carey Mulligan, An Education
    Gabourey Sadibe, Precious

    Melhor Ator de Drama

    Jeff Bridges, Crazy Heart
    George Clooney, Up in the Air
    Colin Firth, A Single Man
    Morgan Freeman, Invictus
    Toeby Maguire, Brothers

    Melhor Filme Musical ou Comédia

    500 Dias com Ela
    The Hangover
    It's Complicated
    Julie & Julia
    Nine

    Melhor Atriz em Musical ou Comédia

    Sandra Bullock, A Proposta
    Marion Cotillard, Nine
    Meryl Streep, It's Complicated
    Meryl Streep, Julie and Julia

    Melhor Ator em Musical ou Comédia

    Matt Damon, O Deinformante
    Daniel Day Lewis, Nine
    Robert Downey Jr., Sherlock Holmes
    Joseph Gordon Levitt, 500 Dias Com Ela
    Michael Stuhlbarg, A Serious Man

    Melhor Atriz Coadjuvante

    Mo-Nique, Precious
    Julianne Moore, A Single Man
    Anna Kendrick, Up in the Air
    Vera Farmiga, Up in the Air
    Penelope Cruz, Nine

    Melhor Ator Coadjuvante

    Matt Damon, Invictus
    Stanley Tucci, The Lovely Bones
    Christopher Plummer, The Last Station
    Christopher Waltz, Inglorious Basterds
    Woody Harrelson, The Messenger

    Melhor Filme de Animação

    O Fantástico Mr. Fox
    Up – Altas Aventuras
    Coraline
    Tá Chovendo Hamburguer
    A Princesa e o Sapo

    Melhor Filme Estrangeiro

    Barria
    Broken Embraces
    A Prophet
    The White Ribbon
    The Maid

    Melhor Diretor

    Kathryn Bigelow, Guerra ao Terror
    James Cameron, Avatar
    Clint Eastwood, Invictus
    Jason Reitman, Up in the Air
    Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios

    Melhor Roteiro

    Up in the Air
    It's Complicated
    District 9
    Guerra ao Terror
    Bastardos Inglórios

    Melhor Trilha Sonora Original

    Michael Giacchino, Up
    Marvin Hamlisch, O Desinformante
    James Horner, Avatar
    Abel Krozeniowski, A Single Man
    Karen O. and Carter Burwell, Where the Wild Things Are

    Melhor Canção

    "I Will See You," Avatar
    "The Weary Kind," The Crazy Heart
    "Winter," U2, Brothers
    "Cinema Italiano," Nine
    "I Want to Come Home," Everybody's Fine


INDICADOS - TELEVISÃO

    Melhor Série de Drama

    Big Love
    Dexter
    House
    Mad Men
    True Blood

    Melhor Atriz em Série de Drama

    Glenn Close, "Damages"
    January Jones, "Mad Men"
    Juliana Margulies, "The Good Wife"
    Anna Paquin, "True Blood"
    Kyra Sedgwick, "The Closer"

    Melhor Ator em Série de Drama

    Simon Baker, "The Mentalist"
    Michael C. Hall, "Dexter"
    Jon Hamm, "Mad Men"
    Hugh Laurie, "House"
    Bill Paxton, "Big Love"

    Melhor Série Musical ou Comédia

    30 Rock
    Entourage
    Glee
    The Office
    Modern Family

    Melhor Atriz em Série Musical ou Comédia

    Courteney Cox, "Cougar Town"
    Tina Fey, "30 Rock"
    Lea Michele, "Glee"
    Edie Falco, "Nurse Jackie"
    Toni Collette, "The United States of Tara"

    Melhor Ator em Série Musical ou Comédia

    Alec Baldwin, "30 Rock"
    Steve Carell, "The Office"
    David Duchovny, "Californication"
    Thomas Jane, "Hung"
    Matthew Morrison, "Glee"

    Melhor Minissérie ou Filme feito para TV

    "George O'Keeffe"
    "Grey Gardens"
    "Into the Storm"
    "Little Dorrit"
    "Taking Chance"

    Melhor Atriz em Minissérie ou Filme feito para TV

    Joanne Allen, "Georgia O'Keefe"
    Drew Barrymore, "Grey Gardens"
    Jessica Lange, "Grey Gardens"
    Anna Paquin, "The Courageous Heart of Irena Sendler"
    Sigourney Weaver, "Prayers for Bobby"

    Melhor Ator em Minissérie ou Filme feito para TV

    Kevin Bacon, "Talkin Chance"
    Kenneth Branagh, "Wallander: One Step Behind"
    Chiwetel Ejiofor, "Endgame"
    Brendan Gleeson, "Into the Storm"
    Jeremy Irons, "Georgia O´Keefe"

    Melhor Atriz Coadjuvante em série, Minissérie ou Filme feito para TV

    Jane Adams, "Hung"
    Rose Byrne, "Damages"
    Jane Lynch, "Glee"
    Chloe Sevigny, "Big Love"
    Janet McTeer, "Sense & Sensibility"

    Melhor Ator Coadjuvante em série, Minissérie ou Filme feito para TV

    Michael Emerson, "Lost"
    Neil Patrick Harris, "How I Met Your Mother"
    William Hurt, "Damages"
    John Lithgow, "Dexter"
    Jeremy Piven, "Entourage"


Notas:

- Pela primeira vez na história do Globo de Ouro, a cerimônia será transmitida ao vivo para todo EUA (antes só a costa leste assistia ao vivo), assim, a transmissão só começará às 17h da tarde no horário de Los Angeles e 23h no horário de Brasília.
- Ainda não se sabe qual canal trasmitirá a festa no Brasil, mas é bem provável que fique entre Warner ou Sony. Nem Sony nem Warner, caberá ao TNT a transmissão que provavelmente terá comentários do Rubens Ewald Filho, conforme o próprio confirmou em seu blog.
- Comentários e opiniões sobre os indicados virão em outro post.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Dexter – Comentários do ep. 4x12 (Final de temporada)

Ep. 4x12 “The Getaway” (exibido no dia 13/12/2009 nos EUA)

Com exceção do twitter onde falei muito brevemente sobre “Hello, Dexter Morgan”, fato é que fiquei devendo um comentário mais elaborado sobre o penúltimo episódio da temporada. Constatação feita, como o momento já passou, o que importa agora é repercutir o final desse 4º ano de Dexter, mas antes de qualquer coisa um aviso: em hipótese alguma continue a leitura desse post se ainda não tiver assistido o episódio.

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    Seja pela surpresa ou pelo choque, uma coisa é certa: é impossível não encarar a conclusão da ótima 4ª temporada de Dexter como o game changer que produtores e elenco da série indicaram ao longo das últimas semanas. Depois de passar a temporada quase que inteira lidando com a tênue linha que o separava do Trinity Killer à medida em que buscava (inconscientemente?) sua humanização, a cena final com o bebê Harrison ensopado com o sangue de sua própria mãe, Rita (a última vítima do Trinity), reconstruiu num tom tristemente poético a lembrança da formação psicológica de Dexter.

    Nessa medida, a temporada que pisou no acelerador do desenvolvimento de seu protagonista se encerrou levantando uma questão óbvia: irá Dexter tentar se distanciar de seu dark passenger conforme vislumbrara pouco depois de matar o Trinity, ou irá dar vazão a ele na medida em que tentará se equilibrar na figura de pai solteiro? A resposta só na desde já aguardadíssima 5ª temporada, mas não me restam dúvidas de que a culpa que Dexter sentirá por ter sido responsável indireto pela ruptura de sua família será um elemento absolutamente central na trama que virá.

    Quais serão os ecos que o assassinato de Rita pelo Trinity trará para o círculo de confiança de Dexter? Como Debra reagirá agora que sabe mais detalhes do passado do irmão ligado ao Ice Truck Killer? E Quinn? Assumirá de vez o papel de substituto de Doakes no encalço de Dexter? Essas são só algumas das outras questões que se colocam à mesa com o fim da temporada, mas que no fim se ligam diretamente à maior delas: até quando o grande segredo de Dexter permanecerá protegido?

    Outras observações

    - No saldo final de uma temporada absolutamente soberba (e que talvez só perca para a primeira), dois únicos pontos negativos: a introdução de Christine e o envolvimento de LaGuerta com Batista acabaram não rendendo o que poderiam ou deveriam.
    - Além do excelente John Lighgow (Trinity) que dividiu com Michael C. Hall (Dexter) os melhores momentos da temporada, outra que merece destaque é Jennifer Carpenter. Na evolução da trama, sua conflituosa e sempre destemida Debra acabou ganhou um peso ainda maior que só tende a fazer bem à série.
    - Uma dúvida que surge agora: tal qual Harry, poderia Rita aparecer como parte da consciência de Dexter na 5ª temporada?
    - À primeira vista injusta, a saída da sempre insegura e emocionalmente frágil Rita (que apresentava uma mudança gradativa e positiva nos dois últimos episódios, diga-se) representa na verdade o artifício narrativo perfeito para catalisar a busca pela humanidade de um monstro que tenta se desconstruir.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Som & Fúria é lançada em DVD e Blu-Ray

Disparada a melhor produção da tv brasileira em 2009, Som & Fúria finalmente chega no mercado de home entertainment com DVD triplo lançado meio na surdina essa semana pela Globo Marcas.

Capitaneada pelo diretor Fernando Meirelles (Cidade de Deus, Ensaio Sobre a Cegueira) e sua produtora O2, Som & Fúria foi uma adaptação da elogiada série canadense "Slings and Arrows", que conta a história de um grupo de atores nos bastidores de uma companhia de teatro.

Com grande elenco liderado por nomes como Pedro Paulo Rangel, Andréa Beltrão e Felipe Camargo em atuação bastante inspirada, Som Fúria chega em versão DVD (R$46,90) e Blu-Ray (R$99,90) com oito horas de episódios mais extras com cenas de bastidores. Tá aí um bom presente de Natal, não?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dexter – Comentários do ep. 4x10

Ep. 4x10 “Lost Boys” (exibido no dia 29/11/2009 nos EUA)



Goste ou não dos rumos que a série tomou ( e eu tenho gostado muito), se há uma coisa a se reconhecer dessa quarta temporada de Dexter, é que não tem faltado ousadia no intuito de subverter a imagem que construímos de seu protagonista. Fato é que o Dexter de hoje é muito diferente daquele que conhecemos nos anos anteriores. Ele é mais humano e por isso mesmo cheio de complexidades e contradições. Fora isso, Dexter não é mais só um sujeito frio e extramente calculista. Ele agora se importa, sente e age muito mais pela chance (ou seria obrigação?) de salvar um inocente, do que para – com o perdão do trocadilho - matar sua sede de sangue.

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    Expondo a culpa que sente por usar a família como escudo ou artifício que corrobore-o como um cidadão normal, Lost Boys evidencia um Dexter com a clara noção de que suas ações clandestinas afetam direta e decisivamente as vidas não só da sempre insegura Rita, mas sobretudo de seus filhos, mais notadamente do pequeno Cody. Visto como pai exemplar por quem o cerca, como telespectadores testemunhamos Dexter experimentando a angústia de perceber que tudo que ele enoja no Trinity poderia ser um reflexo dele mesmo dali a alguns anos. Assim, mergulhando-o numa sensação até então desconhecida por ele, o episódio apresenta um panorama que pode transformar Dexter não mais num serial killer guiado pela psicopatia, mas sim pelo ‘simples’ desejo de fazer justiça marginal, o que de certa forma confirma uma interprestação que muitos de nós, enquanto fãs, temos dele antes de percebê-lo como um monstro.

    Reforçando a ideia de que essa pode ser a melhor temporada da série até aqui, Lost Boys ainda dedicou tempo a explorar a frágil relação pai e filha sustentada por mentiras que envolve o Trinity de Arthur Mitchell com a da repórter Christine. Confusa e motivada pelo desejo de proteger um homem que ela estranhamente admira, caberá à personagem ser o elo que abrirá o ato final da trama. Agora presa, não é exagero ainda imaginar que ela possa representar um risco de exposição que o Trinity queira evitar. Ainda assim, vamos combinar que na perspectiva desenhada para o encerramento da temporada, o que mais importa agora é ver como Dexter conseguirá se equilibrar na cada vez mais tênue linha que o separa da loucura de ter que ser duas pessoas absolutamente distintas, um atrativo que por si só já merece nossa atenção total.