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Com ‘There’s More then One of Everything’, episódio que encerrou aquele ano de estreia escancarando a existência de um outro universo, Fringe conseguiu ganhar identididade própria escapando das constantes comparações com 'Arquivo X', além de estabelecer sua trama como uma das mais envolventes da atualidade e consolidar John Noble como um dos melhores atores da telinha por conta de seu complexo, carismático, mas não menos trágico Walter Bishop.
Assim, nada mais coerente que a 2ª temporada de Fringe tenha se escorado na existência do universo alternativo (ou seria paralelo?); da guerra que se desenhava entre aquele que já conhecíamos e esse outro, e no conflito de Walter para revelar a Peter a verdade sobre suas origens. Dessa forma, sendo infinitamente mais regular que o anterior, esse segundo ano da série manteve o ritmo da trama central sem nunca deixar de explorar histórias isoladas igualmente instigantes.
E foi assim, sempre emendando episódios excelentes como ‘Jacksonville’ (aquele em que Olivia descobre a verdade sobre seu passado), ‘Peter’ (quando a agente vê o segredo do Walter sendo revelado), ‘White Tulip’ (que explorou a viagem no tempo de forma bastante emocional) e até mesmo ‘Brown Betty’ (aquele que investiu no estilo noir para narrar uma história fantasiosa que espelhava as angústias de Walter com direito até a música!), que a 2ª temporada de Fringe chegou a ‘Northwest Passage’, episódio em que Peter já sabia do segredo há tanto escondido por Walter e que confirmou o que muitos já suspeitavam: a existência de Walternativo (a contraparte de Walter do outro universo, claro) como aquele que estava por trás de praticamente todas as ações bizarras vistas ao longo da trama.
‘Over There’ parte 1, a metade inicial do final da temporada, mostra um Walter desesperado para consertar as coisas (e impedir o eventual fim dos universos ou de pelo menos um deles), e que auxiliado por Olivia e mais 3 daqueles que foram objeto de suas experiências ao lado de William Bell (Leonard Nimoy), ‘viaja’ para o universo de Walternativo, que enfim nos é revelado como um antagonista não menos interessante.
Amparado num climão retrô futurista (com direito a dirigíveis, prédios mais modernos e uma tecnologia que parece ser bem mais avançada que a, digamos, do lado de cá), esse outro universo também tem sua própria divisão Fringe, onde Olivia é ruiva, mais sarcástica (e não menos bela) e ainda trabalha com Charlie, que lá é bem diferente de sua já falecida contraparte do único universo que realmente conhecíamos até então.
E se a soma desses fatores por si só já seria suficiente para justificar nosso envolvimento com a trama que vai encerrar um novo capítulo da série, ao explorar toda dúvida que Peter encara ao (re)encontrar sua mãe dali e ao construir o panorama que colocaria Walter em perigo obrigando William Bell a se expor, a parte 1 de ‘Over There’ apresenta como gancho a perspectiva de que as ações e intenções de Walternativo ao trazer o filho de volta, podem ir muito além de uma vingança pessoal.
Mal posso esperar pela parte 2. Alguém comigo nessa expectativa?
Curiosidades:
- Repararam que nesse outro universo a melhor série política que a tv já produziu continua viva? Falo de ‘The West Wing’, claro, que aparece num poster alusivo a uma 11ª temporada (a série acabou na 7ª) na cena que antecede a tentativa de Olivia de embarcar num ônibus.
- Não tem jeito. Nem no outro universo a humanidade escapa do Mcdonalds.
- E aquele desenho esquemático que Walternativo observa no fim do episódio, hein? Para quem via 'Alias' (outra cria do J.J. Abrams), o deja vu para aqueles pergaminhos de Rambaldi deve ter sido grande, não?







