Não escondo de ninguém que minha primeira impressão sobre True Blood não foi das melhores. Contudo - parafraseando aquele ditado -, nada como um episódio após o outro para provar que a série tinha muito mais a dizer do que a esquisitice do tema parecia apontar. Assim, quando a 1ª temporada se encerrou eu já estava completamente viciado naquele universo rico em personagens complexos e em discussões bem construídas em torno de xenofobia, fanatismo religioso e da convivência entre diferentes. Dito isso, dadas as resoluções e os ganchos deixados, era óbvio que a ansiedade pelo retorno da série era grande, e nada melhor numa situação dessas do que poder dizer objetivamente que True Blood voltou arrebentando com sua fórmula de mistérios, personagens carismáticos, muita diversão, sexo, e claro, sangue.Leia mais...
Retomando a trama do exato momento em que a temporada anterior se encerrou – lembra da cena do estacionamento? – “Nothing But the Blood” vai direto ao ponto, e ao responder o mistério sobre a identidade do corpo de uma pessoa negra encontrada dentro do carro de Andy, cria outro: quem (ou o que) é o responsável pelo terrível assassinato da Sra. Jeanette, a fake exorcista de Tara e sua mãe?
Obviamente, à essa altura já conhecemos a série e podemos tentar traçar paralelos com a temporada de estreia. Dessa forma, seria razoável assumir que esse 2º ano girará em torno do maior desenvolvimento daqueles personagens e seus relacionamentos ao mesmo tempo em que irá explorar as consequências de uma possível nova onda de assassinatos em Bon Temps. A partir daí, desde já podemos começar a apontar suspeitos, mas será que Allan Ball e cia irão usar mais uma vez um personagem aparentemente acima de qualquer suspeita (Hoyt, Terry?), ou investirão na enigmática figura de Maryann ou de algum vampiro ou ser ainda a ser introduzido?
Seja lá como for, fato é que “Nothing But the Blood” abriu a temporada com todo o gás. Da dinâmica de manipulação que se desenha na relação de Maryann com Tara (e consequentemente dos confrontos que devem surgir com Lettie Mae) e do temor que ela desperta em Sam, surge a pergunta que ele mesmo faz à certa altura do episódio: o que ela é, afinal? Já sobre o ‘novo’ Jason, parece que ao tentar conseguir um novo rumo para sua vida, ele vai se perder ainda mais se envolvendo com os picaretas da Fellowship of the Sun, seita religiosa que prega a perseguição aos vampiros e que agora deve ganhar maior destaque na figura do lobo em pele de carneiro, Steve Newlin.
Agora, com relação aos pontos mais altos do episódio, não dá para fugir da revelação de que o ótimo Lafayette continua vivíssimo ainda que seja mantido preso em condições precárias num local para lá de bizarro e que remete a um cenário digno de Jogos Mortais, só que 'dirigido' por Eric, que aparece irrascível na cena final em que literalmente destroça o bad boy Royce. Além disso, há de se destacar também o aprofundamento do romance improvável entre Sookie e Bill que agora ganha uma nova camada com a presença constante(?) da vampira aborrescente Jessica, que aliás deve render momentos involuntariamente inusitados e engraçados.
O curioso das duas situações? Ambas tem elementos que tratam de culpa e arrependimento. No caso de Lafayette, parece que teremos uma perspectiva bem fria sobre a vida que ele levava e pelo fato de ter explorado um vampiro no processo, que inclusive deve ser o real motivo de seu aprisionamento. Já do lado de Sookie, devemos ver o quanto ela fará para diminuir o remorso que sentirá por ter colaborado (ainda que indiretamente) para a transformação de Jessica, ao passo que Bill se torna cada vez mais refém da paixão que sente pela garçonete telepata.
Mas e aí, o que você achou desse retorno de True Blood? Já dá para se empolgar com a temporada que está só começando, não é mesmo?






