
Eps. 1x01 “Pilot” e 1x02 “There is No Normal Anymore”
(Exibidos nos dias 03/11/2009 e 10/11/2009 nos EUA)
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A resposta começou a ser dada no dia 3 de novembro quando o episódio Piloto de V foi exibido trazendo não só um belo espetáculo visual que não deve nada às grandes produções do cimema, mas também personagens que guardam semelhanças com os da produção original ainda que deixem claro ter influências e características mais atuais e até certo ponto mais interessantes também.
Abrindo mão de construir uma metáfora que coloca os Visitantes (nome que os alienígenas ganham) como um reflexo do fascismo, algo que a produção original criada por Kenneth Johnson fez na década de 80, a releitura de V comandada por Scott Peters (The 4400) investe numa representação mais plausível pros dias de hoje: o poder que uma civilização muito mais avançada e com discurso aparentemente pacífico pode exercer nas mentes de milhares cercados pela incerteza e pela sombra do caos.
Nesse panorama, é o tom conspiratório que ganha destaque, sobretudo na medida em que se estabeleça uma batalha psicológica e de intensa manipulação perpetrada pela (des)informação, um elemento que sem qualquer dúvida ganha foco através do ambicioso jornalista Chad Decker (Scott Wolf, de Everwood). Assim, não é por acaso que a agente Erica Evans (Elizabeth Mitchell, a Juliet de Lost) diz ao padre Jack (Joel Gretsch, o Tom de The 4400) à certa altura do Piloto que os Visitantes tem nas mãos a mais poderosa das armas: a devoção.
Ainda sobre personagens e comparações, é inegável não notar os paralelos de alguns com os da série original. O filho de Erica, Tyler Evans, por exemplo, é nessa releitura uma mescla de Robin Maxwell (filha de um cientista que se envolve com um V de quem acaba grávida) e Daniel Bernstein (um jovem que se volta contra os humanos atuando como voluntário dos Vs), enquanto Ryan é a nova versão de Brian, o V que irá se rebelar contra seu próprio povo ao lado da resistência. Já Anna (a brasileira Morena Baccarin de Firefly) segue o mesmo estilo da Diana da original, equilibrando um tom tão ameaçador quanto charmoso para a vilã da trama. Por sua vez, Erica e Jack (como os americanos adoram personagens com esse nome, não?) são as versões atualizadas dos marcantes Juliet e Mike da original.
Com apenas dois episódios, ainda é cedo para dizer se V irá se consolidar como uma das boas séries novas da temporada, mas salvo um clichêzinho aqui e outro ali, é inegável que a produção tem muito mais méritos do que equívocos. Dito isso, julgando por este início, se a grande conspiração for traduzida num embate global interessante que coloca fé e razão sob foco principalmente nas figuras de Erica e Jack, e o suspense for bem construído em cima do desenvolvimento de personagens e da identidade de quem pode ou não ser um Visitante, dá para dizer que teremos uma bela série pela frente.







