terça-feira, 6 de abril de 2010

Filmes que precisam ser lançados em Blu Ray

Embora ainda seja pouco badalado no Brasil em função do custo alto e restritivo, o Blu Ray já atrai a atenção de colecionadores que lentamente estão trocando as aquisições de DVD pelas de BDs (os Blu Ray discs). Nesse panorama, o que por enquanto parece frear o interesse de muita gente é o fato de que alguns dos grandes clássicos do cinema (moderno ou não) ainda não foram lançados no formato. Com isso em mente, pegando carona na ótima matéria do Screen Rent que lista 10 filmes que precisam ganhar versão em BD, destaco as minhas preferências e incluo outras. Será que você concorda com elas?

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    Pulp Fiction – Cheio de personagens, diálogos e cenas marcantes sempre embaladas por uma trilha não menos brilhante, o filme é um dos grandes ícones da cultura pop e o melhor do Tarantino. É item obrigatório na coleção de qualquer um. Agora só falta a Disney (que comprou a Miramax em 2008) e o próprio Tarantino talvez, fazerem a parte que lhes cabe.

    Psicose – Além de ser um dos grandes filmes de Alfred Hitchcock, foi simplesmente o filme que definiu o suspense no cinema sendo imitado (com pouco sucesso) por muitos outros que vieram depois.

    Cidadão Kane – Considerado por muitos críticos e cinéfilos em geral como o melhor filme de todos os tempos, essa obra prima de Orson Welles já mereceria um lançamento em BD para ontem, mas perto de completar 70 anos (o que ocorrerá em 2011), a produção precisa de uma edição comemorativa recheada de extras.

    Trilogia Indiana Jones – Ainda que divertido e fiel às características da franquia, Indy 4 não foi o filmaço que poderia ser. Dito isso, se já o vemos em BD, cadê a excelente trilogia que alçou o personagem de Harrisson Ford (e o próprio ator por tabela) ao rol dos grandes do cinema? Quem não quer ver as grandes sequências de ação daqueles filmes e ouvir a excepcional trilha de John Williams em altíssima qualidade?

    Apocalipse Now – Para muitos o maior filme de guerra da história e o estudo definitivo sobre o impacto psicológico que uma guerra exerce sobre os envolvidos. ‘Só’ isso e aquela cena dos helicópteros bombardeando uma vila praiana ao som da ópera Valquíria de Wagner já bastaria para justificar uma versão do filme em BD, mas se precisarem de mais um argumento, basta lembrar da atuação arrebatadora de Marlon Brando como o coronel Kurtz.

    Trilogia Parque dos Dinossauros – Tudo bem que os filmes foram perdendo a força à medida em que a franquia cresceu, mas ainda assim quem não gostaria de rever aquelas cenas grandiosas mostrando os dinossauros de volta à Terra em toda sua magnitude? Alô Spielberg, acorda! Já passou da hora de lançar a trilogia em BD.

    As duas trilogias Star Wars – Sim, eu também concordo que a trilogia clássica é bemmm melhor que a mais recente, mas duvido que algum fã da saga imaginada por George Lucas há mais de 30 anos abra mão de poder ver as grandes sequências de batalhas entre a rebelião e o Império e os cavaleiros Jedi em ação na magnitude da qualidade que o Blu Ray oferece.

    Cidade de Deus – Indicado a 4 Oscars, badalado pela indústria e um dos 100 melhores de todos os tempos segundo avaliação da revista Time. Com um currículo desses, chega a ser um absurdo pensar que até hoje a Globo Filmes não tenha pensado em relançá-lo num formato muito melhor. Parodiando um personagem do filme, DVD é o car@#%&, queremos o Blu Ray, porra!

    Se7en – É incrível, mas um dos thrillers de suspense mais tensos e envolventes das últimas décadas continua fora das prateleiras de colecionadores de BD até hoje. Alô Warner, que outro motivo melhor vocês estão esperando para lançar o BD do filme, do que seu aniversário de 15 anos que se aproxima?

    Ben Hur – Vencedor de 11 Oscars (ainda hoje um recorde só equiparado, mas não quebrado) e revolucionário para sua época, é o tipo de produção antiga, mas que ainda hoje, quando se aproxima de completar 60 anos, figura fácil no rol dos filmes com as maiores e melhores sequências de ação da história do cinema. Precisam de mais para justificar uma versão do filme em BD?

    Trilogia De volta para o futuro – Não tem jeito, quando se fala em Michael J. Fox ou mesmo no direto Robert Zemeckis, são esses filmes que vem à mente de quem teve o prazer de ver essa típica franquia do cinema pipoca surgindo em meados da década de 80. A trilogia ganhou um lançamento bem razoável em DVD, é verdade, mas a gente sabe que a trilogia pode render muito mais no BD, né?

    ET – Analisando de forma apressada dá até para dizer que o Spielberg promove boicote ao formato, porque nem mesmo esse que é um dos maiores e mais emocionantes trabalhos de sua filmografia aportou no Blu Ray até hoje. De fácil apelo, ET foi um marco que as gerações mais novas precisam conhecer.

    Tropa de Elite – Ei Universal, que absurdo é esse de não lançar um dos melhores, mais polêmicos e comentados filmes brasileiros da última década no país onde ele foi produzido? Tá, oficialmente existe Blu Ray do filme, mas só na Europa! WtF! Chega daquela versão pobrinha em DVD. Estão esperando o que para dar o devido tratamento ao filme?

    Trilogia O Senhor dos Anéis – Tá eu sei que a versão em BD da trilogia chega às lojas gringas hoje, mas como se trata apenas das versões de cinema e sem nenhum material extra inédito em HD, continuarei esperando pelo lançamento decente da trilogia de Peter Jackson com as versões estendidas dos filmes e mais um monte de novos extras em alta definição. Será que a Warner gringa tá esperando a estreia de O Hobbit em 2012?

    Toda filmografia de Charles Chaplin – Ok, nem precisa ser toda. Se lançarem O Grande Ditador, O Garoto, Luzes da Ribalta e Tempos Modernos já me darei por satisfeito, mas por favor que venham com extras de bastidores, entrevistas e comentários de críticos e historiadores sobre o contexto dos filmes.

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    E aí, já se rendeu ao Blu Ray? Pretende fazê-lo em breve? Que filmes gostaria de ver no formato?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Os retornos de FlashForward, V e Fringe lá fora

Com spoilers para quem não segue a exibição americana


Não que eu estivesse muito animado, mas confesso que depositava esperanças de que a pausa na produção de FlashForward colocasse a série nos eixos. Ledo engano. A boa ideia continua muito mal desenvolvida com subtramas vazias em episódios que trocam a empolgação pelo sono que provocam. Não há rumo definido para nada ali, e tudo parece acontecer sem propósito algum, vide a história do outrora alcóolatra Aaron Stark e sua filha agora novamente desaparecida por exemplo. E se a trama continua sem rumo, os personagens continuam rasos e sem grandes desenvolvimentos ou mesmo sem ter papéis claramente definidos nas consequências do flash global. Mark Benford é só um herói errante? Simon um vilão irritantemente caricato? Lloyd o anti-herói imcompreendido? E o tal fenômeno, afinal: uma conspiração com objetivos definidos ou um ‘simples’ acidente científico? Não sei a resposta para nada disso e confesso que já perdi totalmente a vontade de descobrir. Com ou sem flash, o futuro da minha relação com a série depois do episódio 13 já está definido: adeus FlashForward, (não) foi bom te conhecer!

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    ***
    Bem mais honesto no que propõe, o remake de “V” ainda não é um programa imperdível, mas tampouco decepciona de forma decisiva como FF. Investindo de forma explícita num thriller de teor conspiracionista, a série protagonizada por Elizabeth Mitchell não tem a menor vergonha de ser profundamente maniqueísta. Ali não há personagens complexos. Só o que importa em “V” é saber que os alienígenas que chegam à Terra liderados por Anna são os vilões interessados em dominar a humanidade e que o grupo de rebeldes constituídos por Erica (Mitchell), pelo padre Jack e por Ryan são os mocinhos tentando expor e derrubar os chamados Visitantes. Explorando de forma superficial (mas nem por isso desinteressante) o poder que manipulação psicológica exerce, a série se foca mais na ação do que nas sutilezas de roteiros mais desenvolvidos. Despretenciosa e com tema de gosto limitado, “V” não é série para se tornar fenômeno popular, mas passados cinco episódios continua garantindo uma boa diversão para quem não espera demais de uma produção que passa longe de falar de choque de culturas e/ou civilizações e só quer mostrar a boa e velha disputa de bem x mal.

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    Quem acompanha meu tweets sobre Fringe, sabe que uma das minhas grandes reclamações com relação à série é sua irregularidade. Dito isso, “Peter”, episódio que marcou o retorno da série semana passada nos EUA, fez a produção voltar a ganhar muitos pontos no meu conceito ao investir no desenvolvimento de suas personagens sem abandonar o investimento na mitologia construída há quase dois anos. Emocionante e envolvente em sua narrativa, o episódio traz através de um grande flashback de Walter (que aparece incrivelmente mais jovem graças ao bom trabalho de maquiagem e efeitos), a revelação das circunstâncias que motivaram o personagem a literalmente roubar o Peter do outro universo da história, num evento que certamente deve estar diretamente associado à tal guerra mencionada ao longo da trama. Seria o Walternativo (apelido dado pelo próprio Walter à sua contraparte) o grande vilão por trás dos fenômenos do padrão? Parece óbvio a essa altura, mas se a revelação for de fato essa me darei por satisfeito desde que a trama explore um pouco mais as nuances que separam os dois universos dando espaço para o papel de Olivia e Peter, que na percepção dos Observadores, é fundamental. Por que e para o que? Curiosíssimo para descobrir, mas sobretudo para ver que novas surpresas (como a da abertura retrô) nos aguardam. Fringe voltou com tudo.

terça-feira, 30 de março de 2010

Breves opiniões sobre os 10 Filmes indicados ao Oscar 2010

O Oscar já passou há quase um mês e os resultados da festa todo mundo já conhece, mas e o prêmio principal, foi justo? Obviamente não existe resposta definitiva porque cada um tem/tinha seu preferido naquela lista de 10 filmes. Dito isso, a pergunta é: será que todos realmente mereciam estar ali naquela disputa? Tentando responder, na sequência desse texto dou minhas brevíssimas opiniões sobre cada um deles.

Da heterogênea relação de produções indicadas ao Oscar de melhor filme, curioso notar que dois tem desfechos parecidos ainda que com abordagens distintas (Educação e Amor sem Escalas) e outros dois falem sobre a jornada de pessoas excluídas e rejeitadas que encontram na compaixão alheia uma chance de mudar de vida (Preciosa e Um Sonho Possível). Dos demais, Avatar e Distrito 9, são sci fi com mensagem política e social, Bastardos Inglórios é Tarantino dos pés à cabeça pro bem e pro mal, Up – Altas Aventuras é um emocionante e divertido conto de amizade e fantasia, enquanto Um Homem Sério e Guerra ao Terror tratam, em graus totalmente distintos, de dois homens tentando encontrar propósito para suas vidas distanciadas de zonas de conforto.

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    Amor sem Escalas (Up in the Air) – 6 indicações

    Não se engane com o título dado ao filme no Brasil, essa produção estrelada por George Clooney não é um romance. Dirigido por Jason Reitman (de Juno), o filme tem na atuação cínica e naturalmente bem humorada do protagonista, seu grande e talvez único trunfo genuíno. Na produção, Clooney faz Ryan Bingham, sujeito que vive viajando pelo país demitindo pessoas de várias empresas, e que encontra nessa (falta de) rotina, a justificativa perfeita para fugir de compromissos com a família ou com as mulheres. Tudo muda no entantro quando conhece uma executiva em viagem (a bela Vera Farmiga), e começa a trabalhar com uma jovem executiva (a novata Anna Kendrick) cheia de ideias, mas com pouca experiência que aparece na empresa que ele trabalha. Relevante em tempos de recessão por conta da abordagem do impacto das demissões retratadas, Up in the Air tem seus bons momentos e é divertido ao garantir na decepção experimentada pelo personagem de Cloney, uma surpresa à parte.

    Preciosa (Precious) – 6 indicações

    Pelo mote, Preciosa poderia ser mais um daqueles filmes de redenção que a Academia tanto gosta. Absolutamente chocante, mas infelizmente falho na tentativa de emocionar, o filme conta a história de Claireece Precious, uma jovem adolescente obesa que convive com o peso da exclusão e do intenso e constante abuso familiar e que encontra em pequenos devaneios e na ajuda de uma professora e de uma assistente social (Mariah Carey, irreconhecível), a fuga para suas dores existenciais e as frustrações de uma vida miserável. Filme apenas razoável que impressiona mais pela interpretação assustadoramente complexa da vencedora na categoria de atriz coadjuvante, Mo’nique, do que por qualquer outra qualidade.

    Um Homem Sério (A Serious Man) – 2 indicações

    Filme dos já premiados irmãos Cohen (Onde os fracos não tem vez) sobre um judeu com pinta de loser em busca de um novo sentido para vida após uma crise no casamento. Assim é Um Homem Sério, escolha menos óbvia da lista e também a mais incomum. Carregado no humor negro e refinado já tão caracterísito das obras dos Cohen, o filme se sustenta nas sutilezas de intepretações equlibradas e sobretudo nos diálogos e situações incomuns que discutem fé, relacionamentos em família e até mesmo choques culturais. Pela temática, não é um filme de fácil compreenssão e talvez justamente por isso tenha sido tão pouco badalado antes da entrega dos prêmios.

    Educação (An Education) – 3 indicações

    Convencendo como a adolescente inglesa dos anos 60 que enxerga numa aventura romântica com um homem mais velho a chance de se libertar das amarras do tradicionalismo de sua família e de sua edução formal, a novata Carey Mullingan dá conta do recado fazendo um misto equilibrado e bem dosado de ninfeta e mulher. Inteligente, sua personagem Jenny cativa pela ousadia e pelo espiríto de curiosidade com tudo que lhe é diferente. Assim, alimentad pela lábia de David, o homem mais velho com quem se envolve e que ganha inclusive a confiança de seu rígido pai (feito por Alfred Molina), Jenny encontra e conhece tudo com que sonhava só pra perceber num desfecho equivocado e preguiçoso, que para certas coisas não há como fugir da tradição.

    Distrito 9 (District 9) – 4 indicações

    Como responder a uma situação extrema que coloca a ignorância da exclusão e a luta por sobreviência em lados opostos? Depende da perspectiva, que é exatamente o que Distrito 9 explora num sci fi surpreendente e complexo, mas não menos carregado nas tintas de um bom filme B em vários momentos. Nascido a partir de um curta chamado ‘Alive in Joberg’ que retrata a chegada de alienígenas e seu isolamento numa área da capital da África do Sul, Distrito 9 foi dirigido pelo até então desconhecido Neil Blumkamp (também responsável pelo material de origem) e ganhou na produção executiva de Peter Jackson (trilogia Senhor dos Anéis) o empurrão perfeito para fazer barulho no cinema em 2009 vendendo-se como um sopro de originalidade (mas nem tanto, como exageram alguns) no gênero, o que certamente foi uma das grandes justificativas para sua coerente indicação ao Oscar.

    Um Sonho Possível (The Blind Side) – 2 indicações

    Sustentado basicamente pela forte personagem que rendeu o Oscar a Sandra Bullock, Um Sonho Possível talvez seja o filme que menos merecesse figurar na lista. Um dos 10 melhores de 2009? Não mesmo. Preguiçoso em explorar a história de preconceito e superação que moveu a história real do jovem Michael Oher (um garoto negro abandonado à própria sorte e que depois de ser adotado por uma família branca encontra o caminho que o alçaria a posição de jogador de futebol americano de destaque), o filme falha clamorosamente ao apresentar personagens superficiais e sem conflitos. Qual a motivação da família Tuohy em ajudar Big Mike? São bons samaritanos? Tem algum sentimento de culpa de branco? Sem jamais mergulhar nessas questões, o filme opta por saídas fáceis e que infelizmente nunca comovem, o que de certa forma é um ponto decisivo para que se esqueça daquela história tão logo os créditos terminem. Pena.

    Avatar (Idem) – 9 indicações

    Para uns obra prima, para outros um engodo maquiado com efeitos especiais de primeira. Seja lá qual for sua opinião sobre Avatar, fato é que raras vezes uma produção desta magnitude conseguiu gerar comentários e opiniões tão apaixonadas mundo afora. Apoiado numa aventura futurista que no 3D garante uma imersão absurdamente formidável, o filme de James Cameron realmente não conta nada de novo na história do choque de civilizações e culturas que explora, mas que justamente dão espaço para a construção de personagens complexos (com exceção dos vilões, que de fato são bem caricaturais) nas figuras de seus protagonistas, que fogem de caracterizações vazias, com destaque, claro, para o Jake Sully do novo astro de ação do cinema americano, Sam Worthington. Avatar saiu com as mãos praticamente vazias do Oscar é verdade, mas sua importância para o desenvolvimento do cinema espetáculo com conteúdo já está sacramentada, goste dele ou não.

    Guerra ao Terror (The Hurt Locker) – 9 indicações

    Descoberto tardiamente por cinéfilos depois de passar boa parte de 2009 pegando poeira nas prateleiras das locadoras do Brasil (onde foi lançado direto em vídeo), o grande vencedor do Oscar 2010, Guerra ao Terror, virou queridinho da crítica ao dar um enfoque mais psicológico à intervenção militar americana no Iraque através de um esquadrão anti bombas. Dirigido pela também vencedora do Oscar, Kathryn Bigelow (a 1ª mulher a ganhar nessa categoria), o filme apoia-se sobretudo no impacto que a tensão contínua do trabalho exerce sobre William James (Jeremy Renner em boa atuação), um sargento que especializado em desarmar bombas, vai pouco a pouco se envolvendo pelo vício da adrenalina que o faz se isolar completamente da rotina do mundo exterior (que incluia sua família), que para ele se tornara seu verdadeiro terror. Inegavelmente um bom filme em muitos aspectos (principalmente os técnicos), mas melhor do ano? Não para mim.

    Up – Altas Aventuras (Up) – 5 indicações

    Divertido e ágil, Up dá continuidade à excelência da Pixar, e seguindo a tradição do estúdio, de novo consegue agradar em cheio crianças e adultos com seus carismáticos personagens, que em maior ou menor escala, representam as diversas mensagens que a história transmite. Contando com uma das aberturas mais impactantes em termos emocionais que a Pixar já produziu, Up foi premiado na categoria de animação, mas não seria exagero (pelo menos para mim) se tivesse tido melhor sorte também na principal. Investindo numa fantasia que coloca um velhinho ranzinza e solitário tentando cumprir o maior desejo de sua falecida esposa, o filme constrói na amizade incomum daquele senhor com um jovem escoteiro, a tabelinha perfeita que sustenta o espírito de aventura despretensiosa, mas que ao mesmo tempo defende (sem ser piegas) a importância de se lutar pela concretização de sonhos.

    Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds) – 8 indicações

    Emulando praticamente todos os elementos da biografia que fez seu diretor famoso, Bastardos Inglórios funciona não apenas como uma homenagem ao gênero de guerra, mas também como salada de referências a tudo que Quentin Tarantino explorou em seus trabalhos anteriores. Estão lá os diálogos tensos repletos de frases de efeito, a personagem femina forte (representada por Shoshanna), os anti-heróis (que aqui são os próprios bastardos capitaneados por Brad Pitt em mais uma divertida atuação), o humor negro exagerado e um vilão marcante (o coronel nazista Hans Landa, que rendeu Oscar de coadjuvante para o austríaco Christoph Waltz), que caminhando pela tênue linha que separa a autenticidade da caricatura, rouba grande parte das cenas do filme. Dividido em arcos que se chocam no fim, o filme é de fato um trabalho que prova o talento de Tarantino em subverter gêneros, mas que se dessa vez não chega a provocar o mesmo impacto de um Pulp Fiction ou mesmo dos dois Kill Bill, torna-se interessante por uma razão bem específica: o prazer que proporciona (ainda que só na ficção) de ver o desprezível Hitler e seus asseclas nazistas sendo devidamente humilhados e literalmente explodidos.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Agora é oficial. 24 Horas está cancelada!

*** Post atualizado com informações sobre o desfecho da temporada, o rumor
da ida da série para a NBC e detalhes sobre o filme ***


Acabou! Em anúncio feito em seu twitter na noite dessa sexta-feira, o produtor/diretor Jon Cassar, confirmou que 24 Horas está cancelada, o que faz da atual 8ª temporada da série, também sua última. Objetivo em sua mensagem onde agradeceu os fãs que acompanharam a série, Cassar disse que a equipe de produção foi avisada no set de que não haverá um 9º ano. Com o cancelamento, também deve chegar ao fim o rumor que levantava a possibilidade da série sair da Fox e migrar para a NBC em 2011, uma vez que é bastante improvável que a emissora resolva arcar com os altos custos de produção que envolvem uma temporada da série, cujo protagonista, Kiefer Sutherland, recebe um dos maiores salários da tv americana (algo em torno de US$800 mil por episódio).

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    Nascida pouca depois dos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001, 24 Horas sempre dividiu opiniões ao retratar de maneira crua, mas igualmente exagerada (e talvez justamente por isso, divertida), ações envolvendo o combate ao terrorismo e/ou conspirações políticas como carro chefe de suas tramas, que se de início traziam um vigor criativo repleto de surpresas e reviravoltas, foi perdendo o fôlego com roteiros cada vez mais previsíveis ao longo das temporadas mais recentes.

    Do protagonista Jack Bauer, não há nem muito a dizer além do fato dele já ter cadeira cativa no rol dos mais marcantes na história da tv. À princípio visto apenas como um herói de ação típico, o personagem que ressuscitou a carreira de Sutherland em Hollywood, revelou -se muito mais do que uma mescla dos ícones do gênero, ao expor-se como um homem durão, mas cheio de conflitos que o assombravam ao longo das tramas.

    Seja fã ou não, fato é que dificilmente voltaremos a ver alguma série do porte de 24 Horas com a audácia de abraçar com tanta veemência a agenda de direita americana sem dar satisfação para críticas. Violenta, a série foi uma das primeiras a mostrar cenas de tortura no horário nobre da tv ao mesmo tempo em que abriu espaço para personagens fortes e incrivelmente íntegros como o inesquecível presidente David Palmer do ótimo Dennis Haysbert, ou a ranzinza analista Chloe O'Brien e/ou inescrupulosos como o do surpreendente Charles Logan de Gregory Itzin.

    Combinando bons elementos de ação e aventura em tramas que, no auge, sempre lembraram a de bons thrillers, 24 Horas nunca abriu mão de ser controversa em muitos aspectos e não menos crítica em tantos outros. Refém no entanto de um fórmula que se esvaziou com o passar do tempo, a série perdeu seu apelo com histórias cada vez mais previsíveis e que nesse 8º ano infelizmente mais decepciona do que empolga. Dito isso, em respeito aos seus bons tempos, a verdade é que o fim era um 'mal' necessário para a série, que tem agora na metade final dessa sua temporada de despedida, as últimas chances de fechar sua história com a qualidade que a produção já teve um dia.

    Jack Bauer, descanse em paz, mas não muito, afinal nós sabemos que você voltará a mandar seus Damn It e Drop the Gun na telona daqui a algum tempo. Alguém duvida?

    *** Atualizações do dia 29/03/2010 ***

    Sobre o suposto interesse da NBC de ter 24 Horas em sua grade

    Segundo Howard Gordon, produtor de 24 Horas, a 20th Century Fox chegou a oferecer a série para a rede NBC (dos estúdios Universal), mas a emissora não se mostrou interessada em função dos altos custos de produção do programa. Algo que eu já especulara no texto acima.

    Sobre o desfecho dessa última temporada

    Existe a promessa de trazer um final muito mais definitivo do que a de outras temporadas. "A série vai chegar num ponto muito mais complexo e que representará o maior risco que já assumimos", adiantou Howard Gordon. "Os eventos mostrarão algo do qual Bauer não conseguirá se recuperar facilmente. Pensar em final feliz seria desonesto demais para esse personagem em seu oitavo terrível dia", encerrou o produtor.

    Sobre o filme, que muito provavelmente vai sair do papel

    Segundo Kiefer Sutherland, o final da série não foi pensado como preparação de terreno para um filme, ele pode funcionar como tal de forma consistente. Segundo o ator, um rascunho de roteiro do filme já foi escrito por Billy Ray (do filme Intrigas de Estado) e mostraria uma história que aconteceria num único dia. Essa ideia ainda não está 100% oficializada uma vez que descaracterizaria o conceito de tempo real da série ainda que pudesse permitir que Bauer viajasse para a Europa, por exemplo, cenário aliás onde se especula que o filme acontecerá.

    A fonte dessas 3 atualizações foi a matéria do USA Today

quinta-feira, 25 de março de 2010

Porque não pretendo ter 'Avatar' na minha coleção

Embora tenha gostado muito de Avatar, confesso que minha empolgação para ter o filme (que acaba de entrar em pré-venda nas principais lojas virtuais) na minha coleção é quase o zero. A justificativa não tem absolutamente nada a ver com uma mudança de opinião sobre o filme (que continuo achando excelente no que propõe) nem nada parecido, mas sim com a ideia de (re)vê-lo num formato absolutamente distinto daquele em que a mega produção de Cameron foi pensada e executada. Fato é que goste-se ou não do filme, Avatar é coisa para se ver numa telona e em 3D. Ponto.

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    E nem adianta dizer que a tv 3D tá chegando ao mercado e blá blás do tipo porque nem isso me convence. O que essas tvs farão será exatamente a mesma coisa que os primeiros modelos à válvula fizeram há mais de 70 anos: tentar emular nas casas, a experiência de se ir ao cinema. Funciona? Sim, em partes, mas nunca será a mesma coisa, o que obviamente diminui o impacto da experiência de se ver um filme grandioso como é o caso de Avatar.

    Considerando esse panorama, acho um tremendo oportunismo a Fox lançar o DVD e o Blu Ray de Avatar agora no mês de abril sem nenhum extra e no formato 2D tradicional, quando o próprio James Cameron anuncia que um box especial com 4 discos (mas ainda em 2D) chegará às lojas em novembro, contando, aí sim, com extras como faixa de comentários picture in picture (já vista no BD de Watchmen, por exemplo) que mostra a exata execução de uma cena da gravação à sua finalização, além de cenas que ficaram de fora da versão exibida nos cinemas.

    Seja lá como for, não tenho a menor dúvida que tanto em 2D quanto na futura edição especial em 3D que também deve chegar ao mercado do home entertainment em algum ponto de 2011, Avatar vai render muitos milhões aos cofres da Fox e de Cameron, que inclusive já adiantou em entrevista ao The Hollywood Reporter, que a sequência do filme recordista de bilheteria só chegará aos cinemas 3 anos mais ou menos depois de ter sua produção iniciada, o que, frisa ele, certamente não vai acontecer em breve. "As pessoas vão ter esquecido do filme quando a sequência estiver pronta", disse o diretor.

    ***

    Mas e aí, você compartilha dessa minha opinião levemente radical, ou acha que mesmo em 2D, com ou sem extra, Avatar merece lugar cativo em qualquer coleção?

quarta-feira, 24 de março de 2010

The Pacific – Nova minissérie da HBO é um documento histórico imperdível



Dos pontos da História que sempre despertam meu interesse, a 2ª Guerra Mundial é disparada um dos que mais me atraem, afinal, imaginar quão diferente o mundo seria hoje se a ideologia do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) tivesse saído vitoriosa daquele conflito é um exercício e tanto de reflexão.

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    Explorada quase à exaustão em dezenas de livros, filmes e programas de tv ao longo dos anos, encontrar material que ainda prove ser relevante sobre os diversos cenários do conflito não pode ser tarefa fácil. Para nossa sorte no entanto, Tom Hanks, Steven Spielberg e a HBO pensaram diferente e repetindo a parceria que trouxe a aclamada Band of Brothers à tv em 2001, deixam o teatro de guerra travado na Europa de lado para mergulhar nas grandes batalhas ocorridas no Pacífico.

    Com orçamento estimado em US$200 milhões e dividida em 10 partes, The Pacific estreou no domingo, 14 de março, na HBO americana (no Brasil a estreia ocorre no dia 11 de abril às 22h) sob a sombra de inevitáveis comparações com Band of Brothers, de quem emula a estrutura narrativa e técnica com a mesma alta qualidade (com destaques para a direção minimalista e para a excelente fotografia empregada). E a verdade é que de novidade mesmo só os breves depoimentos de veteranos que somados às introduções narradas por Tom Hanks em cima de imagens de arquivo da época, ajudam a contextualizar as ações mostradas em cada episódio.


    Robert Leckie, Eugene Sledge e John Basilone

    E se Band of Brothers utilizava o livro homônimo do historiador Stephen E. Ambrose como base para os eventos em foco naquela minissérie, The Pacific busca nas experiências de 3 fuzileiros, Robert Leckie, Eugene Sledge e John Basilone, os instrumentos que servem como pano de fundo à narrativa de toda trajetória da ofensiva americana até a rendição do Japão.

    Assim, concentrados nas ações que mostram a chegada da marinha e de seu corpo de fuzileiros à ilha de Guadalcanal (importante ponto estratégico para abastecimento de tropas na região), a dura resistência e sua posterior conquista, os dois primeiros episódios se dedicam não só a introduzir as figuras que estariam no centro daqueles eventos, mas principalmente em expor toda sorte de mazelas físicas e morais a que se expuseram aqueles homens.

    Focando-se inteiramente no lado americano dos eventos, há claro um certo ufanismo em determinadas passagens que no entanto não chegam a incomodar, visto que o impacto visual das cenas grandiosas e detalhistas aliadas às reflexões levantadas através dos protagonistas, fazem de The Pacific muito mais que uma minissérie, mas um verdadeiro documento a ser para sempre revisitado.

    Dessa forma, resumindo bem o espírito do que a produção propõe, no episódio 1 Robert Leckie define assim o impacto que uma guerra dessa proporção provoca no espírito humano: “Há coisas terríveis que os homens podem fazer aos outros numa guerra. Confessar essas tragédias a Deus é fácil. Difícil mesmo é ter que carregar isso”, enquanto no episódio 2, quando o foco recai sobre John Basilone, vemos o que o isolamento é capaz de provocar no sentido da alteração de valores ao mesmo tempo em que amplifica o espírito da camaradagem e a dor que a perda de um amigo querido que se vai numa batalha qualquer provoca em corações e mentes.

    Dizer se The Pacific vai superar Band of Brothers ainda é prematuro, mas com o esmero de uma produção digna das maiores e mais significativos do gênero, já me parece bem razoável assumir que tal qual sua irmã mais velha, ela tem todos os elementos para ficar marcada como um belíssimo filme de 9 horas, que muito mais do que tiros, explosões ou cenários grandiosos, deixa mensagens absolutamente pertinentes e indispensáveis para quem busca entretenimento com algo a dizer.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Saudades de True Blood?


Tá aí o vídeo que a HBO americana exibiu na noite deste domingo, 21, fazendo a curiosa alusão à série com o slogan: Waiting Sucks!

Ansiosos? A 3ª temporada de True Blood estreia no dia 13 de junho nos EUA

domingo, 21 de março de 2010

American Idol 2010 – A semana dos Top 12

Só estou começando a acompanhar essa 9ª temporada de American Idol com fidelidade agora a partir do Top 12, que é quando as coisas realmente começam a esquentar no programa. Dito isso, a entrada de Ellen DeGeneres ainda foi uma novidade para mim, já que não havia visto os episódios anteriores da semana em Hollywood ou mesmo dos Top 24. Assim, vou me resumir a dizer o óbvio: Idol ganhou muito com a loira e suas tiradas inteligentes e bem sacadas na bancada. Introdução feita, vamos aos breves comentários sobre as 12 apresentações que culminaram na 1ª eliminação das finais.

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    Michael Lynche (Big Mike) cantando ‘Miss You’ conferiu uma pegada mais pop e menos baladeira à musica. Os 4 jurados gostaram, mas foi meio defenestrado pela Ellen Degeneres que disse, “eu sei que vou me decepcionar em algum ponto, ainda que seu começo tenha sido muito bom.” Será? Particularmente gostei bastante do estilo do cara.

    A bela Didi Benami, que faz um estilinho menina meiga cantou “Play with Fire”. Tem boa voz, mas deu umas derrapadas nos agudos, o que inclusive foi destacado pela Kara DioGuardi. A melhor definição da apresentação dela veio do Simon, “sólida, mas não brilhante.”

    Embora não tenha feito nada absurdamente empolgante ou inesquecível, o texano Casey James deu uma pegada folk interessante a “It’s All Over Now” que inegavelmente ganhou uma cara nova com os bons riffs improvisados na guitarra. Se mantiver a média nas próximas apresentações provavelmente chegará às últimas rodadas com certa tranquilidade.

    Lacey Brown, a tímida ruiva dos belos olhos azuis optou por “Ruby Tuesday”, um dos clássicos menos badalados dos Stones. Embora não tenha derrapado de forma decisiva como preferiram apontar alguns dos jurados, tão pouco se arriscou desperdiçando a chance de se impor no palco. Acabou eliminada pelo voto popular, mas sinceramente não acredito que tenha sido dela a pior das 12 apresentações.

    Parecendo pouco à vontade e em grande parte da apresentação travado demais, Andrew Garcia se perdeu desafinando ao longo da ótima “Gimme Shelter” e tirando os bons agudos isolados, não conseguiu mostrar muita presença de palco, o que pode ser decisivo para seu futuro imediato no programa.

    Katie Stevens, a segunda mais novas do Top 12 conseguiu dar um tom de originalidade à“Wild Horses” ao mesmo tempo em que não se afastou demais da emoção que a gravação original transmitia. Sem desafinar grosseiramente (embora Randy e Ellen tenham dito o contrário), o ponto alto de sua apresentação veio no encerramento feito num tom alto e de certa forma bem corajoso.

    Tim Urban foi meio massacrado pelos jurados por ter dado um ritmo reggae a “Under my Thumb”, que embora não tenha sido a melhor apresentação de todos, foi seguramente uma das mais ousadas. E quer saber? Qual o problema de ouvir algo que te faz se sentir num resort tomando Pina Colada, como a Ellen destacou? Se uma música te dá uma boa sensação como essa significa que disse algo, não?

    Embora os jurados tenham adorado sua apresentação (Kara chegou a mencionar uma semelhança com o queridinho da temporada passada, Adam Lambert), particularmente não gostei de Siobhan Magnus, que mesmo com boa voz, fez a excepcional “Paint it Black” parecer um número de musical sem identidade. Yeah, já sei que ela é a favorita de muita gente, mas vai ter que mostrar mais para me convencer.

    Com sua voz rouca e sempre afinada, Lee Dewyze cantou “Beast of Burden” conferindo autenticidade à música, ainda que não tenha empolgado como deveria, o que foi muito bem detacado pelo Simon que deu a dica óbvia para qualquer candidato ao título: “Aproveite o palco e deixe sua marca.”

    Confiante e muito afinada, Paige Miles deu uma pegada country gostosa à “Honky Tonk Woman”. À vontade, mostrou-se com uma presença de palco bem contagiante que tem boas chances de fazê-la se conectar com o público mais à frente ao contrário do que Simon destacou e sua presença no bottom 3 apontaram.

    O caçulinha da competição, Aaron Kelly, optou pela segurança da clássica balada“Angie” e o fez bem se conectando com muita sinceridade e emoção ao que cantava. Fora isso, inegável que vocalmente é um dos melhores de se ouvir dentre os que estão na disputa. Resta saber se terá personalidade para se impor mais à frente.

    Original e contemporânea, a apresentação de Crystal Bowersox de “You Can’t Always Get What You Want” foi para mim das melhores da semana, ainda que tenha sido criticada pelos jurados por parecer confortável demais para ela, no que não concordo. Não sei para você, mas Crystal já é para mim uma das favoritas para faturar o título do ano.

    ***

    Agora e você, tá vendo essa temporada de AI? Se sim, achou justa essa 1ª eliminação ou acredita que tinha gente que merecia ter ido embora antes?

    American Idol é exibido às terças e quartas na Fox americana e todos os sábados às 21h no Sony.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Radar Dude News! (15 de março)

Matt Damon mandando muito bem como um mentiroso compulsivo no divertido “O Desinformante”, um episódio de House mais divertido que a média, as primeiras imagens inéditas da 3ª temporada de True Blood que estreia no dia 13 de junho nos EUA, batalhas espaciais no game online de Battlestar Galactica e a aparente tentativa do cinema nacional de criar seu prórpio 007 no filme "Segurança Nacional". Tudo isso no post que uso para falar mais objetivamente de (quase) tudo o que tenho visto.

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    O Desinformante

    Pouco badalado, esse filme dirigido por Steven Soderbergh (trilogia Ocean's Eleven) lançado em 2009, faz uma divertida reconstituição da vida de Mark Whitacre (Matt Damon, ótimo), ex-executivo de empresa agrícola, que envolvido numa investigação federal sobre formação de cartel na década de 90, enxerga uma oportunidade de se dar bem na carreira dando uma de informante. Nada demais até aí, é verdade, mas o que torna a história realmente curiosa, é que ao tentar jogar nas duas pontas (com seus chefes e com o FBI) armando e mentindo para obter uma vantagem que lhe parecia natural (derrubar seus chefes e assumir a empresa), Mark cria uma rede de mentiras tão complexa, que em certo ponto nem ele sabe mais o que é fato e o que é invenção. O mais bizarro? A história é verídica.

    Um House com mais humor e por isso diferente

    Com spoiler para quem quem não segue a exibição americana

    Não sei se a impressão é só minha, mas o ponto é que esse episódio 6x14 de House, “Private Lives” exibido no dia 8 de março nos EUA, parece ter investido muito mais no humor do que a média da série. Que House é um sexista de carteirinha todos nós já sabemos, mas é sempre divertido vê-lo expondo esse lado retrógado do personagem, como as cenas dos ncontros às ‘escuras’ no bar mostraram. E se o caso da semana nem foi dos mais interessantes (embora tenha explorado a obsessão de pessoas quem gostam de blogar tudo o que acontece em suas vidas), o episódio se sustentou sobretudo pelas frequentes e hilárias implicâncias de House com Wilson, que curiosamente descobrirmos ter participado (ainda que de forma indireta) de um filme pornô quando era estudante, e de Chase tentando provar que as mulheres não ligam só para a aparência à primeira vista.

    As primeiras imagens da 3ª temporada de True Blood

    Promovendo os filmes que irá exibir, mas sobretudo as grandes produções (séries, minisséries e telefilmes) que já estrearam ou ainda irão estrear/continuar esse ano, a HBO americana acabou revelando rápidas cenas inéditas do aguardado 3º ano de True Blood, uma das séries queridinhas do público da tv a cabo, dos críticos e deste humilde blogueiro que vos escreve. Não há nada muito revelador por enquanto, mas já serve de aperitivo, para a temporada que começa no dia 13 de junho lá fora, certo?


    Battlestar Galactica – O Jogo

    Se você é um dos que morre de saudades de BSG e daquelas empolgantes sequências de batalhas travadas entre humanos e cylons pelo espaço, aí vai uma boa notícia: a NBC/Universal anunciou na semana passada que irá lançar um jogo de cooperação online onde você poderá escolher fazer parte da resistência humana lutando pela sobrevivência em intensas batalhas espaciais cercadas de táticas contra os Cylons, ou se preferir, poderá se juntar aos vilões da história na tentativa de acabar com a raça humana de uma vez por todas. Ainda não há data para o lançamento do jogo, mas se você se interessou, já pode se registrar no site para receber notícias e atualizações.

    007 brasileiro?

    Com estreia marcada para o dia 7 de maio, Segurança Nacional vem carregando a expectativa de alçar os filmes de ação brasileiros a um novo patamar. Girando em torno de uma ameaça terrorista de um chefão do tráfico de um país latino que ameaça destruir o Sistema de Vigilância da Amazônia, o filme traz o galã Thiago Lacerda no papel de um agente da ABIN (a inteligência brasileira) envolvido na tentativa de impedir o tal chefão. Alie-se a isso uma chefe (papel de Angela Vieira) que lembra M, mulheres, carros e muita aventura e pronto, tá aí um clone tupiniquim de James Bond. A ideia, claro, não é de toda ruim, mas se o trailer já não empolga, só resta torcer pro filme surpreender e muito. Será que vai? Veja mais aqui.

domingo, 14 de março de 2010

Ilha do Medo (Shutter Island)

Inteligente, engenhoso, instigante e sensacional. Assim é Ilha do Medo (Shutter Island no original), o mais novo filme do fora de série, Martin Scorsese. Misturando elementos dos melhores thrillers, suspenses e noir, o diretor constrói uma história que prende não só por sua narrativa envolvente, mas sobretudo pelas ótimas viradas na trama, e que longe de serem gratuitas, garantem ao fim da projeção uma conclusão óbvia: Ilha do Medo, é fácilmente (pelo menos por enquanto, claro) o melhor filme do ano.

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    Em sua quarta colaboração com Scorsese, Leonardo DiCaprio (melhor e mais dedicado a cada novo papel) é o protagonista desse filme que narra a história de um agente federal chamado Teddy Daniels, que em 1954 é incumbido de investigar, com a ajuda de um novo parceiro, Chuck Aule (Mark Ruffalo), o misterioso desaparecimento de uma paciente internada/presa num hospital psiquiátrico da ilha que dá título ao filme no original, e que se dedica a tratar de pessoas ditas insanas que cometeram crimes.

    Apoiado num elenco talentoso que conta com coadjuvantes da estatura de Ben Kinsgley (o eterno Gandhi do cinema) no papel do Dr. Cawley, diretor da instituição, do veteraníssimo Max von Sydow (o padre Merrin de O Exorcista) no papel de outro psiquiatra e de Jackie Earle Haley (o Rorschack de Watchmen) num papel pequeno, mas não menos fundamental, Scorsese faz um filme que subverte as expectativas do espectador a cada nova sequência pontuada por uma ótima trilha ou por planos que traduzem bem a elegância e o talento do diretor em retratar medos, angústias e as mais distintas sensações/emoções.

    Lembrando em muitos aspectos obras como o Sexto Sentido de Shyamalan e até mesmo Identidade (filme de 2003 com John Cusack) pelas viradas inteligentes e engenhosas envolvendo seu protagonista, Ilha do Medo (que nasceu de um livro escrito em 2003 por Dennis Lehane, o mesmo de Sobre Meninos e Lobos) é uma fascinante viagem que expõe os subterfúgios que a mente humana pode criar como válvula de escape de uma realidade que se quer esquecer.

    Falar mais é entregar o grande segredo do filme, que a exemplo do citado Sexto Sentido, dá dicas* sutis desde o início para que se mate a charada da história, o que por tabela tende a transformar a produção numa experiência ainda mais interessante de se rever. Mestre na arte que explora, Scorsese faz da Ilha do Medo um filme imperdível de múltiplos gêneros num só.

    Cotação:

    *Como citei, ao longo do filme pequenas dicas ajudam a revelar sua grande virada. Abaixo enumero algumas delas e obviamente se você ainda não assistiu, deixe para lê-las depois a fim de não estragar a surpresa reservada.

    - No início do filme, Teddy (DiCaprio) pergunta sobre o escritório de Seattle onde Chuck trabalhava. Este no entanto, diz ser de Portland. Quando em outro momento do filme (na cena do penhasco próximo ao farol), Teddy pergunta como Chuck achava que estaria o tempo em Portland, este o corrige dizendo ser de Seattle.

    - Assim que chegam à Ilha, o chefe de segurança pede que Teddy e Chuck entreguem suas armas. Nessa cena, fica clara a falta de habilidade de Chuck no manejo do coldre, o que obviamente já indicava que Chuck não era quem dizia ser.

    - O “Fuja” do curto recado escrito pela paciente Bridget (a que matou o marido) na cena das entrevistas na cafeteria, podia não significar nada, mas ao ter sido feito num momento em que Chuck se afastara da mesa, deixava no ar mais uma suspeita de que aquele cara escondia algo, como o fim mostra ao revelá-lo como o psiquiatra de Teddy/Andrew Laeddis.

    - Na cena em que Teddy e Chuck são obrigados a usar aquelas roupas brancas, dá para ouvir um dos pacientes ao fundo dizendo, “Não sei o que tenho que falar”, o que claro, era mais um sinal de que quase tudo daquilo se tratava de um teatro ensaiado.

    - Embora tenha dito que sua esposa Dolores (Michelle Willians) morrera num incêndio, nas várias sequências em que ela aparece está sempre molhada, o que casa com crime que cometeu: o chocante afogamento dos filhos. Fora isso, numa determinada cena, ela aparece com um ferimento no abdomen, que foi justamente o que causou sua morte após ser baleada por Teddy/Andrew.

    - Toda situação envolvendo o suposto desaparecimento de Rachel Solondo e seu posterior reaparecimento, soava implausível demais para ser real. Assim, só dava mesmo para interpretá-la como uma grande armação, que claro, mais tarde fica evidente como tendo sido mais um dos artifícios usados pelos doutores Cawley e Sheehan (Chuck) na tentativa de obrigar Teddy/Andrew a encarar a realidade.

    Agora para encerrar, vale destacar a dúvida que o fim do filme planta: pouco depois de reconhecer a realidade que poderia lhe trazer a sanidade de volta, Andrew retomar a personalidade de Teddy obrigando os médicos a abandonarem os métodos até então utilizados para recorrer à lobotomia. Mas será que Andrew regrediu mesmo ou apenas fingiu tentando encontrar a fuga definitiva para a realidade que não queria aceitar?