Aclamada pela crítica, ignorada por boa parte do público. A frase podia definir a premiadíssima Mad Men, mas serve também para falar de Breaking Bad, belíssima série que atualmente está em sua 3ª temporada lá fora onde é exibida pelo AMC (o mesmo de Mad Men) e que reestreia* na noite dessa terça-feira no Brasil via AXN às 21h.Leia mais...
* O Sony (que é do mesmo grupo do AXN) começou a exibir a série, mas depois infelizmente acabou tirando-a de sua programação.
Apostando na fórmula do protagonista capaz de carregar uma série praticamente sozinho, essa produção criada por Vince Gilligan (ex-produtor de Arquivo X) nos apresenta a Walter White, um professor de química que frente uma tragédia bem particular (o diagnóstico de um câncer pulmonar terminal), resolve mudar radicalmente de postura ao abandonar a pose de cidadão ético e fiel à moral estabelecida para abraçar a oportunidade que ele julga ser a última capaz de prover sustento à sua família: tornar-se produtor de drogas usando sua expertise profissional.
E não se engane se a premissa te parece exagerada. O atual bicampeão do Emmy na categoria melhor ator em drama, Bryan Cranston (o Hal de Malcom in the Middle), constrói seu Walter White de forma tão avassaladora, porém sem nunca esquecer de lhe conferir fragilidade, que é praticamente impossível (tal qual acontece em Dexter, por exemplo) passar incólume frente seu drama e não se pegar torcendo para que aquele cara que sai da curva da normalidade se dê bem.
Quando a série começa, o protagonista é ‘só’ um cara de meia idade razoavelmente conformado com o sacrifício de ter que dividir-se entre as aulas na escola e as horas que passa trabalhando no caixa de um lava jato (onde por vezes ele mesmo tem que lavar/secar carros). Contudo, quando a doença surge, Walter dá vazão à raiva acumulada pela rotina miserável, e encara o que ele considera como uma grande injustiça (um câncer de pulmão sem nunca ter sequer fumado?) como um chamado para despertar e sair da linha de forma definitiva.
Simples, porém envolvente e muito bem escrita, Breaking Bad 'brinca' com a ideia de um homem que encontra na proximidade da morte, não a justificativa para se entregar a uma depressão (que até seria compreensível, diga-se), mas sim a motivação ideal, ainda que incomum, para voltar a viver de forma intensa seu relacionamento em família, além de explorar as fronteiras que separam o cidadão comum e de bem daquele que considera na vida marginal, a chance de um recomeço com data de validade.








