segunda-feira, 21 de junho de 2010

Um balanço sobre a minissérie ‘The Pacific’ da HBO



Destacando as nada sutis diferenças em relação aos eventos europeus da 2ª guerra mundial, The Pacific chegou ao fim no domingo, 13 de junho, aqui no Brasil via HBO. Em seus dez capítulos, vimos um retrato marcante e sobretudo emocionante dos principais conflitos ocorridos naquela parte do mundo e que raramente ganham atenção nos livros de história ou nos muitos documentários disponíveis nos History Channels da vida.

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    Essencialmente apoiada na mesma estrutura narrativa de Band of Brothers, The Pacific teve pelo menos duas boas diferenças em relação à sua antecessora: concentrou o foco das ações sob o ponto de vista de 3 personagens e encerrou-se evidenciando o impacto que a experiência exerceu nas vidas de alguns dos homens que sobreviveram à guerra e voltaram para casa, mas que jamais veriam o mundo com os mesmos olhos.

    Tecnicamente excelente em sua reconstituição de época, fato que ajudou a corroborar a ideia de ser um documento histórico imperdível (algo que comentei ainda no início da exibição da produção), The Pacific teve como grande mérito a capacidade de equilibrar com eficiência os momentos de ação com aqueles mais pessoais. Afinal, mais do que nos conflitos em si, era na bagagem de vida que traziam e na dependência que se estabelecia entre eles, que surgiam os laços de camaradagem que definiriam a trajetória de cada um daqueles homens durante a guerra.

    Nesse panorama, enquanto o capítulo 3, “Melbourne”, fez uma pausa na ação para mostrar o breve período de descanso dos fuzileiros na Austrália (após a intensa campanha de tomada em Guadalcanal) além do curto envolvimento amoroso que Robert Leckie (James Badge Dale) teve naquele país, o 4º, “Gloucester/Pavuvu/Banika" concentrou-se no desgaste físico e mental crescente encarado pelos fuzileiros que tinham não nos japoneses, mas no ambiente inóspito seu pior inimigo até então.

    Já o capítulo 5, “Peleliu Landing”, foi o que introduziu definitivamente a figura do franzino Eugene Sledge (Joseph Mazzello), que como parte ativa da batalha mais sangrenta até ali, testemunha a total perda de humanidade que outros combatentes (como Shelton) já tomavam como algo natural. Foi também nesse quinto episódio, e já de volta aos EUA, que John Basilone (Jon Seda), então um herói de guerra por conta de seus feitos em Guadalcanal, reapareceu com maior proeminência atuando a contragosto numa turnê pelo país para vender bônus de guerra ao lado de estrelas do cinema do porte de Virginia Grey (Anna Torv, a Olivia de Fringe).

    Peleliu Airfield” por sua vez, a 6ª parte de The Pacific, foi a que trouxe as cenas mais intensas e bem orquestradas dos combates vivenciados pelos grupos dos quais Leckie e Sledge faziam parte. Nas sequências que seguiram a missão dos fuzileiros de atravessar uma ‘réles’ pista de pouso, vimos o horror intensificado pelas mortes e pelo sofrimento provocado pela combinação de calor e sede constante, além de testemunhamos o momento que culminaria na despedida forçada de Robert Leckie, que ferido em combate, dava adeus ao Pacífico.

    E quando o capítulo 7 veio narrando a tomada das monstanhas de Peleliu, a minissérie deu foco ao que os veteranos dizem ter sido uma das campanhas mais duras daquele 1944 quando tiveram imensa dificuldade de avançar sobre um terreno até então controlado com muita vantagem pelos japoneses, que atuando sob uma rede de túneis bem elaborada, inflingiram inúmeras baixas na ofensiva liderada pelos americanos. Ainda desse “Peleliu Hills”, nome do capítulo, destaque para a curiosa atuação de Sledge, que mesmo mostrando incrível fragilidade física, manteve-se como observador arguto e equilibrado (pelo menos até ali) conseguindo sobreviver às mais impensáveis situações, e também para o retrato dos japoneses, que sem jamais se renderem, encaravam o lema de viver ou morrer como máxima absoluta de combate.

    E se não dá para falar no teatro de guerra do Pacífico sem mencionar a batalha de "Iwo Jima" (que, registre-se, rendeu dois belos filmes dirigidos por Clint Eastwood em 2006), nada mais coerente que a produção da HBO capitaneada por Tom Hanks e Spielberg tenha dedicado uma pequena parte do oitavo capítulo para mostrar justamente o início daquelas ações. E se as batalhas em si ficaram em segundo plano ganhando espaço apenas no finalzinho, a curiosa trajetória que mostraria o casamento de John Basilone, seu retorno voluntário ao Pacífico e sua consequente morte em combate na ilha de Iwo Jima, serviram para justificar de vez o status de herói de guerra que o sargento ganhou na História.

    Okinawa”, a 9ª e penúltima parte de The Pacific, foi a que expôs a desumanização de Sledge (“Não viemos aqui para matar japas”?, indaga ele a certa altura depois de ser reeprendido por um superior por ter matado um inimigo desnecessariamente) e que particularmente mais me chocou com as cenas de camponeses/pescadores sendo massacrados no meio do conflito. Nesse contexto, destaque para a cena que serviu como o toque de despertar dos limites para Sledge na qual ele teve que decidir o que fazer quando encontrou uma japonesa ferida mortalmente segurando seu bebê aos prantos dentro de uma cabana.

    E finalmente chegamos a “Home”, último capítulo da minissérie que serviu de epílogo das trajetórias daqueles que sobreviveram e tiveram em maior ou menor grau, severas dificuldades para se readaptatem na vida normal. E se Leckie sequer esboçou qualquer reação quando soube que a guerra havia se encerrado (afinal, para ele não havia absolutamente nada a se comemorar), a recompensa de estar em casa se traduziu no romance e posterior casamento com a bela Vera e na chance de trabalhar como jornalista, fato que mais tarde abriria as portas para uma carreira literária quase que inteiramente dedicada à história militar. Seu primeiro livro, aliás, ‘Helmet for My Pillow’, serviu de base, ao lado de outro livro, ‘With the Old Breed’ (escrito por Eugene Sledge), para os roteiros da minissérie. E como falei em Sledge, não menos curioso foi ver como a experiência de guerra trasnformou para sempre o franzino menino que embarcou cheio de entusiasmo patriótico e voltou como um homem marcado por traumas que o atormentariam para sempre, mas que também definiram sua personalidade por longos anos até sua morte em 2001.

    Ainda que tenha sido emocionalmente inferior em relação a Band of Brothers (talvez por conta da falta de uma figura vitimizada facilmente identificável como a dos judeus na Europa), The Pacific no entanto manteve no mesmo apuro técnico de sua antecessora, os bons elementos que fazem dela uma obra indispensável para quem se interessa pelo tema ou simplesmente quer ter a sensação do impacto que conflitos daquela magnitude representaram. Inquestionavelmente feita como homenagem para veteranos, The Pacific consolidou-se também como importante registro histórico de um período sombrio da nossa humanidade, o que para uma produção com tamanha exposição está longe de ser pouca coisa.

terça-feira, 15 de junho de 2010

'The Event', a melhor série nova da temporada 2010/2011?



Ainda é muito cedo para dizer qual pode ser a melhor ou mesmo a pior nova série da temporada 2010/2011, mas já tem jornalista lá fora apontando que The Event, aposta da NBC capitaneada por ex-produtores de 24 Horas, The 4400 e Friday Night Lights, tem tudo para se transformar na nova sensação da tv. Sinceramente tenho lá minhas dúvidas, porque embora seja fã de tramas conspiratórias, não sei se algo tão grande quanto o bom trailer acima aponta, teria força para sustentar uma temporada inteira na tv aberta. Seja lá como for, com um elenco que tem bons nomes como o de Blair Underwood (In Treatment), Zeljko Ivanek (Damages), The Event pode até não se confirmar como essa maravilha toda que apontam precocemente, mas também duvido que vá ser uma bomba total.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Saudades de Battlestar Galactica? O game online vém aí!

Em tempos de E3, viciados em games ficam absolutamente ansiosos pelas novidades que em breve chegam nas mais diversas plataformas. E mesmo não me considerando um gamer hardcore, confesso que adoro passar umas horinhas de vez em quando dando uns tirinhos nos ótimos CoD e Bad Company ou mesmo me aventurando no excelente Uncharted 2 no Ps3. Contudo, se há um game que particularmente desperta muito meu interesse já há alguns meses, esse game é Battlestar Galactica Online.

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    Até então, pouco se sabia da produção além do fato de ser estruturada de forma colaborativa e ser, como o nome já indica, online dividindo jogadores entre cylons e humanos. Pois bem, no fim da última semana, a Bigpoint, empresa que desenvolve games online (e da qual a Universal é dona de 35%), não só divulgou o excepcional trailer teaser do jogo, como deu mais alguns detalhes da brincadeira que será disponibilizada no site do SyFy no último trimestre deste ano.


    Além de grandes sequências de batalhas espaciais, Battlestar Galactica Online trará missões de exploração/conquista e elementos da narrativa da inesquecível série encerrada em 2009. Cylon ou humano: que lado você vai escolher?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Blu Ray – Ultimate Matrix Collection (6 discos) em promoção!

Na madrugada dessa quinta-feira, a Amazon colocou em promoção o imperdível Box de Blu Ray ‘Ultimate Matrix Collection’, que além da trilogia completa em altíssima definição (com comentários em áudio de críticos e filósofos e bastidores de cada filme), traz também os curtas Animatrix (também em hi def) e mais o The Matrix Experience, que através de documentários, discute a mescla de filosofia e ciência/pseudociência exploradas nos filmes e mais todo o merchandising envolvido em torno da obra. São mais de 30(!) horas de material extra. O box contém 6 discos, sendo 4 em Blu Ray com os filmes e o Animatrix (todos com áudio e legendas em pt-br) e outros 2 de DVD dedicados ao The Matrix Experience (que infelizmente não tem legendas em pt-br).

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    No Brasil, há um box em Blu Ray com a trilogia sendo vendido por R$159,90, contudo, a edição nacional não contém os curta do Animatrix e muito menos o Matrix Experience. Assim, se você é fã da obra dos Wachowski e colecionador como eu, vale muito à pena investir pouco mais de R$90 (na cotação de hoje) + o valor do frete para ter o ‘Ultimate Matrix Collection’ na estante. São horas e horas diversão garantida!

    Atualização de 14 de junho: O preço voltou à faixa tradicional dos US$70, mas fique de olho pois a Amazon faz promoções esporádicas desse belíssimo box.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O episódio Piloto de ‘Los Angeles - Cidade Proibida’

Poucas pessoas sabem, mas o filme de 1997, Los Angeles – Cidade Proibida (LA Confidential no original), que levou Oscar de atriz coadjuvante com Kim Bassinger e roteiro adaptado a partir do livro homônimo de James Ellroy, quase gerou uma série de tv em 2000. No último final de semana, revi o filme (que é um dos meus favoritos, diga-se) e na ocasião também pude finalmente assistir o Piloto que nunca foi sequer exibido na televisão sendo relegado a bônus no disco de blu ray. E honestamente? Pelo resultado não merecia mesmo virar série.

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    Situado num período anterior ao do filme, o Piloto revisita praticamente todos os personagens que vimos na produção de 97 e explora, com pequenas variações, os eventos que culminaram na história da obra dirigida por Curtis Hanson. No elenco, nomes como Kiefer Sutherland (sim, o Jack Bauer) na pele do detetive Jack Vincennes, Melissa George (a Laura de In Treatment) como a prostituta Lynn Bracken e do veterano Eric Roberts como o cafetão Pierce Patchett além de outros menos famosos dando vida a Bud White, Ed Exley, Sid Hudgens e o Capitão Smith.


    Da esquerda para a direita: Ed Exley, Jack Vincennes, Bud White,
    Lynn Bracken, Sid Hudgens e o capitão Smith

    Dirigido com correção por Eric Laneuville (que tem 5 episódios de Lost no currículo), que resgata o clima noir da obra original com eficiência, o Piloto no entanto é apenas razoável porque falha clamorosamente ao assumir que o público já conhece os personagens de suas encarnações no cinema e com isso abre mão de desenvolvê-los. Assim, mesmo que o Vincennes de Sutherland pareça ter as mesmas caracterísiticas do personagem feito por Kevin Spacey, não convence na mesma medida como o homem dividido entre fazer o que é certo ou o que é mais fácil. Nesse panorama, duas das figuras mais interessantes e marcantes do filme são os que mais aparecem distorcidos no Piloto: o durão Bud White (Josh Hopkins, o Greysson da fraca Cougar Town) e o almofadinha Ed Exley (David Conrad).

    Com boas perspectivas à época, o Piloto de LA Confidential tinha tudo para agradar e render uma boa série, mas ao errar na tentativa de emular os bons elementos que fizeram do filme uma obra essencial na história do cinema, acabou engavetado pela HBO, que temendo os altos custos que a produção demandaria, acabou mudando seu foco para investir mais pesadamente numa outra série ‘pequena’ que começava a fazer barulho no início da década: The Sopranos.

    Nunca viu o filme? Clique aqui e assista o trailer legendado.

A 'estreia' da inglesa Pulse e os retornos de Royal Pains e Burn Notice

Pense numa série médica que se confunde entre o thriller de suspense e o horror psicológico. Não lembrou de nenhuma? Pois então conheça Pulse, nova produção inglesa que estreou na quinta-feira, 3 de junho e que acidentalmente(?) pega emprestado um elemento de Grey’s Anatomy (jovem médica assombrada pelo peso de ser comparada a sua respeitada e falecida mãe), mas que vai muito além do drama particular ao ambientar sua história num hospital de excelência que esconde experimentos que fogem de qualquer padrão de normalidade envolvendo pacientes e os próprios médicos.

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    Se no estilo, Pulse não chega a ser tão brilhante, já que abusa de pequenos clichês para criar suspense (a trilha colocada só para assustar, a sombra que passa ao fundo criando uma expectativa que não dá em nada e etc), conceitualmente é uma produção que pode ter muito espaço para crescer sobretudo por conta de seus personagens e do tom de conspiração que toma forma. Longe de ser empolgante, Pulse intriga pela temática diferente e por explorar um universo que raramente vemos na tv. O que não é pouca coisa, acredite.


    Nota: Embora o Piloto tenha sido exibido pelo canal inglês BBC3, a continuidade da série ainda não foi confirmada, o que pode ou não acontecer ainda essa semana.

    O retornos de Burn Notice e Royal Pains

    Duas séries que no Brasil infelizmente não geram a repercussão que merecem, retornaram com novas temporadas na semana passada na tv americana.

    A primeira é Burn Notice, que em sua 4ª temporada continua sendo (junto de Chuck) a melhor série de espião capaz de desconstruir com muito humor e altas doses de ação o glamour de tramas que envolvem missões absurdas e exageradas. Descobri a série tardiamente quando ela já estava no fim da 2ª temporada, mas desde então acompanho com certa regularidade a história do ex-espião da CIA que após ser demitido sem causa aparente, passa a viver de pequenos bicos envolvendo situações que exigem sua expertise ao mesmo tempo em que tenta descobrir porque foi ‘queimado’ da agência. O episódio que abriu o 4º ano da série nem chegou a ser tão empolgante quanto a média da temporada anterior, mas ao colocar o protagonista Michael Weston (Jeffrey Donovan) em um trabalho colaborativo com um outro agente da CIA, o ponta-pé inicial para o que pode render diversas situações novas foi bem dado. Assim como Chuck, Burn Notice tem como grande mérito não se levar a sério, um recurso fundamental para uma produção que trata o perigo e a ameaça como uma brincadeira divertida cercada de tiros, explosões e personagens carismáticos.

    Royal Pains, que acaba de iniciar sua 2ª temporada, narra a vida de Hank Lawson, médico que após ser injustamente demitido do emprego e ser dispensado pela noiva, troca, ainda que involutariamente, a rotina de uma emergência de hospital em Nova York pela de médico particular de ricaços do badalado balneário dos Hamptons. As histórias da série e os chamados casos da semana são sempre dos mais simples possíveis, mas ao se misturarem aos dilemas pessoais dos personagens, criam uma atmosfera interessante e curiosa num mundo absolutamente distante da nossa realidade. No episódio que abriu a nova temporada (que conta com participação especial da oscarizada Marcia Gay Harden), Hank tem que dar assistência a um famoso inventor (papel de Kyle Bornheimer da falecida Worst Week) ao mesmo tempo em que precisa reconquistar a confiança do bilionário Boris (Campbell Scott, o Joe Tobin da 3ª temporada de Damages), que na série funciona como uma espécie de apoiador informal das ‘aventuras’ do médico nos Hamptons. Na essência, Royal Pains não é uma série imperdível, mas nesse período de entressafra das temporadas regulares, surge como uma boa opção de diversão.

    No Brasil, Burn Notice é exibida pelo Fx (que atualmente transmite a 3ª temporada) enquanto Royal Pains vai ao ar pelo Sony que está reprisando a 1ª temporada.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Balanço das temporada de Damages, Chuck, Grey’s Anatomy, Law & Order: SVU e muito mais!



Antes tarde do que nunca, já diz aquele velho ditado. Assim, mesmo com atraso de alguns dias, finalmente abro espaço para repercutir (de forma breve) balanços de temporada de algumas das séries que acompanhei com certa regularidade nos últimos meses. São textos curtos que dão destaque para as séries já citadas no título do post e para outras como CSI, The Big Bang Theory, The Office e até Desperate Housewives. Ah, e só para constar, é claro que todos os comentários contém spoilers para quem ainda não assistiu.

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    Damages

    É uma pena que tão poucas pessoas tenham acompanhado o terceiro (e provavelmente último) ano de Damages. Mais seguro e com uma trama muito mais amarrada que a da boa, porém irregular 2ª temporada, esse instigante thriller jurídico ganhou no dia 14 de abril (lá fora, claro) um desfecho que serviu tanto para expôr de forma chocante toda a sujeira (mentiras, assassinatos e suicídios) por trás da grande conspiração alimentada pela fraude bilionária perpetrada pelos Tobin, quanto para concluir a trajetória de seus personagens de formas interessantes. Tirando algumas pequenas restrições com o fim (achei forçada a circunstância que culminou na morte do Tom, por exemplo) e com a temporada em si (fez falta vermos maiores embates entre Patty e Elen), fato é que sentirei saudades de tentar montar aqueles deliciosos quebra-cabeças propostos por sua narrativa cheia de idas e vindas, além, claro, da odiável, inteligente e não menos complexada Patty Hewes, que feita com maestria por Glenn Close, era das melhores definições de como um personagem multifacetado e tridimensional deve ser.

    Chuck

    Balisando-se na fórmula de episódios com histórias fechadas, mas que ao mesmo tempo nunca abriu mão de desenvolver tramas maiores (como ocorre com Fringe), foi nessa 3ª temporada que Chuck encontrou seu tom ideal para consolidar-se como uma das melhores e mais divertidas opções da safra atual de séries. Despretensioso e sem nunca se levar a sério (seu maior mérito, diga-se), o 3º ano da produção soube dosar o investimento no romance entre Chuck e Sara ao mesmo tempo em que envolveu de forma mais direta alguns dos coadjuvantes (Awesome e Morgan como exemplos mais notórios) nas mais diversas situações conferindo-lhes maior importância. Além disso, a boa participação de Daniel Shawn (Brandon Routh, a encarnação mais recente do Superman no cinema) na mistura, trouxe equilíbrio à dinâmica do trio principal, uma vez que o personagem serviu tanto para alavancar as exageradas habilidades de Chuck com o novo intersect inspirado em Matrix, quanto para funcionar mais tarde como um bom antagonista para o agora consolidado espião. E assim, muito mais madura, ao introduzir a misteriosa mãe de Chuck na trama, a temporada se encerrou com um gancho que promete ser fundamental para afastá-la da sempre perigosa zona de conforto. E que venha logo a 4ª temporada!

    Grey’s Anatomy

    E por falar em série que virou refém da zona de conforto... Grey’s Anatomy já figurou na minha lista de favoritas, mas hoje infelizmente está fora desse posto. Longe de provocar o envolvimento de outrora, as tramas constantemente repetitivas e os textos já não tão inspirados esvaziaram o que a série tinha de melhor. Em sua 6ª temporada, poucos foram os momentos que realmente tentaram sacudir as histórias com situações novas. Da saída de Izzie por exemplo, nem há muito o que comentar (ou lamentar) porque a personagem já havia perdido a graça e o espaço a tempos. Os romances? Com exceção de Callie e Arizona, foram todos mais do mesmo com a mudança de conflitos entre personagens diferentes e aquele vai e vem de sempre. Ou seja: chato. E nem mesmo o final tão comentado me convenceu, porque tirando um choque ou outro (como a cena da morte da Dra. Reed ou o fato de Christina ter a vida de Derek literalmente em suas mãos) ficou devendo muito no quesito que construiu a fama da série: sua capacidade de emocionar sem apelar para dramalhões exagerados embalados por trilhas melosas. Dito isso, não sei até onde dura minha paciência com a série, mas dada minha insatisfação despertada por esta temporada, é fato que Shonda Rhimes já fez muito melhor.

    Desperate Housewives

    Entra ano, sai ano e DH continua a mesma com pequenas variações. E se a 6ª temporada da série mais uma vez não fugiu da equação mistério + vizinhos novos com um segredo + dramas pessoais das 4 protagonistas, tampouco se esquivou de explorar o humor negro afiado como principal atrativo de suas tramas. Nesse panorama, os destaques óbvios ficam para a história envolvendo a crise financeira que obrigou Susan e Mike a deixarem Wisteria Lane no final da temporada; para a despedida de Katherine, que se descobriu lésbica nos braços da bela loira Robin (participação especial de Julie Benz, a Rita de Dexter); para Bree, que envolvida numa chantagem, teve que a abrir mão de sua empresa para tentar proteger um segredo, e finalmente para Lynette envolvida com a revelação do assassino da cidade representado pela trágica figura do adolescente Eddie. É pouco? Pode ser, mas mesmo assim a série ainda diverte apesar de se aproximar cada vez mais do esgotamento de sua fórmula com um quê de novela.

    The Big Bang Theory

    Ninguém nega que pelo menos 75% da graça de The Big Bang Theory se concentre em Sheldon e em seus rompantes antissociais (só para lembrar de um, que tal o episódio em que ele vai parar na cadeia por desacatar um juiz e perde a sessão de autógrafos com Stan Lee?). Com isso em mente, será que dá para negar que os demais personagens não tenham também sua dose de importância nem que sejam para funcionar como escada para situações absurdas? Como ignorar por exemplo, um dos episódios da reta final dessa 3ª temporada em que Leonard, Howard e Raj se veem envolvidos com uma astrofísica renomada e ninfomaníaca nas horas vagas? Como toda comédia, TBBT depende muito de seu elenco, que se não chega a ser tão brilhante individualmente (a exceção talvez seja mesmo apenas Jim Parsons), em conjunto funciona em perfeita sintonia, o que no fim acaba sendo o grande segredo da série, que com o gancho apontado no final da temporada (um interesse amoroso para Sheldon), tem tudo para render situações ainda mais incomuns e não menos divertidas.

    The Office

    Para uns a série já deu o que tinha que dar, mas para quem gosta de humor mais elaborado que não se sustenta apenas por gags óbvias, The Office ainda tem fôlego porque faz diferente mesmo quando suas histórias parecem falar sobre as mesmas coisas no mesmo ambiente de sempre: o escritório. Em seu 6º ano, a série pouco teve a desenvolver de seus personagens, afinal, a essa altura já conhecemos todas as suas nuances e dessa maneira, falar do comportamento bizarro de Michael ou Dwight por exemplo seria lugar comum. Dessa forma, alguns dos destaques dessa temporada surgiram a partir do constrangedor rompimento de namoro de Michael com a mãe de Pam; da incorporação da Dunder Mifflin (situação que trouxe a oscarizada Kathy Bates em participação especial) por uma empresa que faz máquinas copiadoras, além do surpreendente envolvimento de Michael com uma cliente (que mais tarde ele descobre ser casada) e finalmente a partir do (in)feliz incidente que acaba colocando o gerente da filial de Scranton em evidência positiva junto à matriz no que certamente conduzirá Jim, Pam e cia numa nova vertente de ações sem noção perpetradas pelo chefe na próxima temporada. Já cansou da série? Eu ainda quero muito mais.

    Law & Order: SVU

    Descobri SVU tardiamente como apontei nesse post, mas posso dizer que virei fã incondicional da série com essa 11ª temporada. Já tendo atingido sua maturidade há tempos, a produção protagonizada por Mariska Hargitay e Christopher Meloni não busca histórias fáceis ou mesmo casos de fácil compreensão. Ali, nem sempre a justiça é feita como manda o figurino e nesse processo, os envolvidos nas investigações se veem constantemente consumidos pelos dilemas que invariavelmente se apresentam nos mais diversos casos. Foram vários os ótimos episódios na temporada, com destaque para os 5 primeiros além do 9º (que colocou Olivia como suspeita de um crime a partir de um esquema de fasificação de DNA), do 15º (com participação de Lena Olin no papel de uma advogada que ajudou a manter preso durante 22 anos um homem injustamente condenado por um assassinato), do 17º (sobre uma ex-cantora lírica que ficou muda e sofreu abusos sexuais e maus tratos) e da sequência final com os 4 episódios que trouxeram Sharon Stone em participação especial como uma ex-parceira de Stabler que se tornara promotora, mas que também tem lá seus fanstasmas particulares a expurgar. Procedurals a tv tem aos montes atualmente, mas um tão bom e complexo quanto SVU não existe.

    CSI

    Irregular e muitas vezes pouco criativa, assim foi a 10ª temporada de CSI. Relacionar a ausência de Grissom com a queda da série seria exagero, afinal o cara já havia saído da produção há mais de 1 temporada e meia. Dizer que o personagem de Lawrence Fishburn, o Dr. Ray Langston, é desinteressante também seria injusto porque é justamente ele quem segurou a série em vários momentos, portanto só resta mesmo culpar os roteiristas por não tentarem criar arcos novos tão envolventes e surpreendentes quanto os de outras temporadas. Um exemplo prático? A história envolvendo o misterioso Jekyll, que vendido como um serial killer inteligente e meticuloso, revelou-se como um personagem rasteiro e absolutamente desinteressante no desfecho da temporada que só não foi um fiasco total porque o telegrafado gancho abre possibilidades para conflitos novos que podem render na próxima temporada. Isso, claro, se os roteiristas da série resolverem voltar a trabalhar com menos preguiça.

sábado, 5 de junho de 2010

Remake de ‘Havaí 5.0’ estreia no 2º semestre nos EUA



Encerrada em 1980 depois de 12 temporadas e 280 episódios(!), a série policial ‘Havaí 5.0’ (Hawai Five-O no original) retorna à tv americana no 2º semestre numa versão reimaginada. Nesse remake, Alex O’Loughlin (Moonlight e Three Rivers) estrela como Steve McGarrett, que ao lado de Danny Williams (Scott Caan da trilogia 11 Homens e um Segredo), Chin Ho Kelley (Daniel Dae Kim, o Jin de Lost) e Kono Kalakaua (Grace Park, a Boomer de Battlestar Galactica), integram um grupo de elite da polícia do paradisíaco estado americano do Havaí dedicado a investigar e resolver situações de alto risco envolvendo o crime organizado.

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    Famosa por sua música tema de abertura (cuja releitura você confere nos créditos dessa nova versão), Havaí 5.0 foi a primeira grande produção da tv a explorar as deslumbrantes paisagens do 50º estado americano como cenário de suas histórias. Repleta de ação e aventura, mas também de muito humor, a série original marcou época como um dos maiores sucessos da rede CBS, que tenta com esse remake capturar não só o interesse dos fãs da antiga versão bem como o de atrair um público totalmente novo. Se a iniciativa vai dar certo ou não é difícil dizer, mas se bateu a curiosidade, o vídeo abaixo ajuda a ter uma noção de como será o clima da série.


    Deu vontade de conferir (pelo menos) o episódio Piloto?

HBO divulga detalhes do box em Blu Ray de ‘The Pacific’

Um breve texto sobre as duas primeiras partes de ‘The Pacific’ você encontra aqui e um review mais detalhado sobre a minissérie completa surgirá tão logo a HBO do Brasil termine de exibí-la (o que ocorrerá na noite do dia 13 de junho). Contudo, se você faz parte do ansioso time de colecionadores, já dá para saber o que o box em Blu Ray – a ser lançado lá fora no dia 2 de novembro -, trará de conteúdo extra.

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    A informação foi divulgada pela HBO Entertainmet e pela Warner Home Video e repercutida em primeira mão ontem pelo ótimo Blu Ray.com.

    - A experiência melhorada de The Pacific: acompanhe as 10 partes com 10 horas de picture-in-picture e descubra detalhes sobre os fuzileiros e um conhecimento histórico mais profundo sobre as batalhas à medida em que assiste a minissérie. Dentre o conteúdo exclusivo estão entrevistas com historiadores e veteranos, vídeos de arquivo, mapas e muito mais.

    - O guia de campo de The Pacific: recurso que permite navegar através dos grandes eventos mostrados em The Pacific através de um guia de campo. Pesquise e assista o conteúdo exclusivo que inclui mapas animados, entrevistas estendidas com historiadores e veteranos, veja filmagens históricas, fotografias e mais.

    - Os bastidores da história: prólogos de 5 minutos que preparam o espectador para cada um dos episódios com filmagens adicionais de histórico narradas por Tom Hanks.

    - Fazendo The Pacific: segmento com bastidores das filmagens e do processo de produção da minissérie.

    - Perfis de The Pacific: conheça detalhes das vidas dos fuzileiros mostrados em The Pacific e descubra uma perspectiva pessoal de suas famílias, suas experiências de guerra e suas vidas após o fim do conflito em retratos bem íntimos.

    - Anatomia da guerra no Pacífico: explore as influências históricas e culturais que levaram ao brutal teatro do conflito no Pacífico durante a 2ª Guerra Mundial.

    ***

    Tanto o box de The Pacific (pré-venda) quanto o de Band of Brothers são em embalagem Steel, aquelas de ferro. Comprei a de BoB (que vem com áudio e legendas em português) na Amazon da Inglaterra e garanto que vale cada centavo investido.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

True Blood, Entourage e Mad Men, 3 boas pedidas para as próximas semanas


A temporada regular de séries acabou, mas para quem não perde nada, não existe esse negócio de férias na telinha e na telona. Sendo assim, junho é o mês que marcará a volta das atualizações regulares aqui no blog quer seja com notícias e comentários de filmes, mas principalmente de algumas das séries que retornam lá fora já a partir dessa semana.

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    Trailer faz aperitivo da 3ª temporada de True Blood

    O domingo 13, marca o retorno de True Blood, que em seu 3º ano deve introduzir lobisomens na mistura além de colocar em foco assuntos como: vampiros na política, a expansão do mundo dos metamorfos na trama (com destaque para a família de Sam) e a presença do rei vampiro do Mississipi como grande vilão da temporada.

    Ainda que tenha derrapado no final de sua 2ª temporada, True Blood continua com cadeira cativa na minha lista de favoritas. E sob o comando do sempre competente Allan Ball e com o elenco que tem, a série promete voltar a nos envolver com tramas carregadas de suspense, críticas inteligentes, humor ácido e, claro, muita bizarrice, a marca registrada não menos charmosa da série.


    Entourage: "Quando você tem tudo, o que fazer em seguida?"

    Duas semanas depois de True Blood, será a vez da divertidíssima Entourage retornar com sua 7ª temporada no dia 27 de junho. É verdade que falei muito pouco da temporada passada dessa que é uma das minhas comédias prediletas, e embora seja razoável dizer que em seu ano anterior a série esteve longe de ser tão brilhante quanto fora antes, também é justo dizer que boa parte das risadas foram garantidas pela interpretação sempre exagerada (mas nunca fora do tom) de Jeremy Piven, que faz de seu Ari Gold, um desses personagens inesquecíveis da tv.

    Estou totalmente no escuro no que tange às possíveis tramas que essa 7ª temporada vai explorar, mas será que isso realmente importa? Entourage nunca teve grandes histórias e fato é que sua força sempre esteve concentrada na dinâmica estabelecida entre seus cinco protagonistas. Dito isso, basta que os roteiristas da série estejam inspirados para criar situações inusitadas envolvendo aqueles personagens e pronto, temos meio caminho andado para alcançar aquela dose semanal de boa diversão.


    Um belo motivo para assistir de Mad Men? Christina Hendricks

    Quando o assunto é a bicampeã do Emmy e do Globo de Ouro na categoria drama, Mad Men, o papo geralmente tende a se reduzir a uma definição: série tecnicamente perfeita, porém superestimada pela crítica. Cria do ex-produtor de The Sopranos Matthew Weiner para o canal AMC, Mad Men retorna com sua 4ª temporada no dia 25 de julho tentando responder pelo menos uma questão fundamental: ainda há fôlego suficiente para sustentar nosso interesse naquelas histórias curiosas, porém muito aquém de serem envolventes ou mesmo emocionantes?

    Mentiria se dissesse que Mad Men está no meu top 5 de séries, mas seria igualmente injusto não reconhecer nela boas qualidades (roteiro, direção e atuações bastante corretas) além de dizer que tenho uma atração bem particular pelo mundo da propaganda, que na atmosfera glamourizada da década de 60, ganha um retrato bem curioso de um período que ajuda a entender a formação da sociedade de consumo que vivemos hoje.

    E se você acha que a diversão acaba nas três anteriormente citadas, a dica final que deixo é Burn Notice, série despretensiosa e divertidíssima sobre um agente da CIA que após ser demitido, passa a trabalhar em Miami por conta própria onde se envolve nas mais diversas e perigosas situações. A 4ª temporada estreia nessa quinta-feira 3 de junho lá fora pelo canal USA e se você não a conhece, o vídeo acima dá o tom de como ela é.

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    Agora é com você. Pretende acompanhar alguma uma delas ou quem sabe até mesmo todas?