quinta-feira, 11 de junho de 2009

[Literatura] O Clube do Filme

Desde garoto, ler sempre foi um dos meus prazeres preferidos, e mesmo que hoje em dia esse hábito já não seja tão rotineiro quanto eu gostaria que fosse (culpa da famigerada falta de tempo), não resisti quando vi “O Clube do Filme” na estante da livraria. A justificativa é simples: a obra escrita, por David Gilmour, retrata de forma muito singela um singular relacionamento entre pai e filho, construído em torno dos filmes que assistem. Resumindo, uma combinação para lá de atraente, sobretudo para aqueles, que como eu, amam o cinema.

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    Curtinho – são 230 páginas - e com uma prosa absolutamente elegante ainda que simples, o livro que é autobiográfico, narra um período da vida do crítico de cinema (Gilmour), no qual desempregado e preocupado com o filho adolescente (Jesse), que ia mal nos estudos formais, lhe faz uma proposta no mínimo curiosa: o garoto poderia largar a escola e morando com ele teria que respeitar uma única condição, que era a de assistir os filmes que ele selecionasse. A motivação por trás disso? Proporcionar ao filho toda vivência e experiência que o cinema pudesse oferecer.

    Investindo em situações de suas vidas (os dilemas do pai então desempregado e que não sabe se fez a coisa certa; o filho enfrentando as diversas inseguranças comuns da juventude e etc.), o livro faz um delicioso mergulho através dos mais variados filmes, construindo nas conversas que surgem entre os dois reflexos do que a arte do cinema impõe de forma natural, ao mesmo tempo em que não se omite em construir um final agridoce. Portanto, fica aqui a dica: se você gosta de cinema e do relato pessoal de boas histórias, corra atrás de “O Clube do Filme”.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

True Blood: 4 sneak peeks da 2ª temporada

A 2ª temporada de True Blood estréia no próximo domingo, dia 14 de junho. Para ajudar a passar o tempo, veja alguns sneak peeks (via Spoiler TV). E fique de olho no blog, porque deve rolar um podcast especial sobre a série nos próximos dias. Se você é fã, não pode perder!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Saiba quais extras farão parte do DVD da 1ª temporada de Fringe

Previsto para chegar às lojas americanas (e provavelmente também do Brasil) no dia 8 de setembro, o box em DVD e Blu Ray da 1ª temporada de Fringe virá cheio de atrativos para quem ainda não conhece a série, ou simplesmente deseja rever a temporada de estreia. Produzido e distribuído pela Warner, o box em DVD terá mais de 6 horas de material extra, ao passo que a versão em Blu Ray (que não deve chegar ao Brasil na mesma data), trará os mesmos extras e 1 hora a mais de material.

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    Além dos 20 episódios exibidos em formato Widescreen, o DVD trará os seguintes extras:

    - Evolução: A Gênesis de Fringe – Os criadores da série discutem como a série nasceu e as qualidades que a tornaram tão singular.
    - Por trás da verdadeira ciência de Fringe – De teletransporte a reanimação, Fringe incorpora descobertas recentes da ciência. Consultores experts e cientistas que são autoridades em seus campos de atuação falam sobre as áreas da ciência que serviram de inspiração para a série.
    - Uma grande tarefa: O Making of de Fringe (em episódios selecionados) – Uma profunda exploração de como alguns episódios foram feitos. Dos confins gelados de Toronto onde o Piloto foi gravado, aos desafios semanais de colocar um episódio no ar.
    - Selecionando o elenco de Fringe – A história contada pelos produtores e pela equipe de como Anna Torv, Joshua Jackson, John Noble e outros foram escalados para a série.
    - Os efeitos visuais de Fringe – Um mergulho na criação do sonho compartilhado com alguns dos grandes efeitos especiais da série.
    - Arquivos dissecados: cenas inéditas
    - Efeitos colaterais incomuns: flagrantes de erros de gravação
    - Decifrando a cena
    - Diário de produção de Roberto Orci
    - Um vídeo divertido mostrando as aparições da vaca Gene.
    - Três extensos segmentos de comentários com os roteiristas/produtores, incluindo J.J. Abrams, Roberto Orci, Alex Kurtzman, J. R. Orci, David Goodman, Bryan Burk, Akiva Goldsman e Jeff Pinker.

Fim do mistério: Dominic ‘Charlie’ Monaghan estará em Flash Forward

Sabe a pequena polêmica surgida no fim da semana passada com a aparição de Dominic Monaghan em um vídeo da ABC que reune astros das séries do canal? Pois é, àquela altura, muito se especulou sobre a possibilidade de Charlie Pace reaparecer em Lost de alguma forma na última temporada que estreia em 2010, mas a história é realmente outra.

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    Como apontamos, ainda na sexta-feira passada lá no Dude, We Are Lost!, Michael Ausiello da EW apurou junto a fontes do canal, que a aparição de Monaghan naquele vídeo já fazia parte da estratégia do canal para para iniciar a promoção do ator como membro do elenco regular de outra série da emissora. Àquela altura, Ausiello disse não ter autorização para divulgar que série era essa, mas se ele não pôde dizer, outros órgãos da mídia correram atrás e descobriram.

    Segundo informações do IGN, Monaghan terá um papel importante (e grande) na aguardada Flash Forward, série nova que estreia em setembro nos EUA, com a qual a ABC espera atrair a atenção dos fãs de Lost, uma vez que boa parte da produção estrelada por Joseph Fiennes (e que conta com Sonya Walger, a Penny Widmore também no elenco) gira em torno de um grande mistério.

    Para quem está por fora, Flash Forward promete seguir os passos do que acontece quando um evento de proporções globais provoca um black out de exatos 2 minutos e 17 segundos em toda a humanidade, que ao acordar em meio ao caos provocado por vários acidentes e tragédias, também passa a explorar as implicações das visões do futuro que vieram com o fenômeno.

    Ainda sem data definida para a estreia, Flash Forward será exibida nas noites de quinta-feira nos EUA.


Atualização: A ABC divulgou na tarde desta terça-feira, que a estreia da série ocorrerá no dia 24 de setembro nos EUA.

Fox confirma ‘Starbuck’ na 8ª temporada de 24 Horas

Em comunicado oficial emitido ontem, a Fox confirmou que Katee Sackoff, a Starbuck de Battlestar Gallactica fará parte do elenco regular da 8ª temporada de 24 Horas que estreia no dia 17 de janeiro de 2010 nos EUA. A notícia veio como uma bela supresa para mim, já que mesmo num papel aparentemente pequeno (analista de dados da CTU), é fato que a talentosa atriz tem toda condição de aparecer com destaque se tiver oportunidade de construir a personagem de forma mais complexa. E é exatamente isso que deve acontecer, sobretudo porque a personagem dela estará envolvida com o de Freddie Prinze Jr. e terá, segundo Ausiello da EW, um 'esqueleto no armário' que deseja manter escondido a todo custo.

Confira os detalhes do comunicado

    Katee Sackhoff, Freddie Prinze Jr., Mykelti Williamson, John Boyd, Jennifer Westfeldt e Chris Diamantopoulos farão parte do elenco da 8ª temporada de 24 Horas. O drama vencedor do Emmy estrelando Kiefer Sutherland retorna para o próximo incrível dia com uma estreia de duas noites e quatro episódios no domingo, 17 de janeiro.

    A oitava temporada ocorre em Nova York dentre as sombras da Estátua da Liberdade e das Nações Unidas. Nesse novo dia, A CTU está restaurada e é dirigida por um acadêmico durão chamado Brian Hastings (Mykelti Williamson que é mais conhecido como o Bubba do filme Forrest Gump). Cole Ortiz (Freddie Prinze Jr.), que é um ex-fuzileiro querendo seguir os passos de Jack Bauer, coordena a divisão de opoerações de campo. A expert analista de dados, Dana Walsh (Katee Sackoff) trabalha em conjunto com o também analista Arlo Glass (John Boyd) na CTU. Robe Weiss (Chris Diamantopoulos, o Rodney de The Stater Wife) é o novo chefe de staff da Presidente Allison Taylor (Cherri Jones) e Meredith Reed (Jennifer Westfeldt) faz uma ambiciosa jornalista com ligações na situação crítica que surge.

    Também como já foi previamente anunciado, Sutherland, Jones, Mary Lynn Rajskub e Annie Wersching também retornam. Aém deles, o ícone de Bollywood, Anil Kapoor (Quem Quer Ser um Milionário), faz sua estreia na tv americana como Omar Hassan, um líder do Oriente Médio que vai aos EUA em missão de paz.

    *-*-*

    E aí, será que com a entrada de Sackoff e a breve descrição do cenário que veremos, já dá para ficar mais animado com essa que pode ser a última temporada de 24 Horas?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Nurse Jackie – Comentários do Ep. Piloto

Comentário de série inédita no Brasil

Começa hoje à noite nos EUA Nurse Jackie, a série que marca o retorno de Edie Falco à tv depois do fim de The Sopranos. À primeira vista, a série pode parecer uma tentativa do Showtime (o mesmo canal responsável por Dexter, Californication e etc) em criar um House de saias. Porém, bastam poucos minutos do Piloto e fica evidente que, embora se passe num hospital e conte com uma protagonista tão singular como o Dr. House, não são os casos médicos que movimentam a história, mas sim os conflitos e dilemas que acontecem na cabeça da protagonista.

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    Criada com um brilhantismo que já lhe é peculiar, desde os tempos em que fazia a cativante Carmela, Edie Falco constrói em Jackie uma personagem real e assustadoramente humana com todas as suas qualidades e defeitos. Contando com um texto apurado e nada trivial (“Me faça ser uma boa pessoa, Deus, mas não por enquanto” é desde já uma das melhores frases do ano na tv), a Jackie de Falco cativa e provoca uma estranha simpatia, mesmo quando age de forma moralmente contestável, o que inclusive estabelece paralelos curiosos com outros personagens do canal como Dexter, Hank Moody e Nancy Botwin.

    Caso raro nas produções de tv hoje em dia, Nurse Jackie tem como grande mérito não só sua capacidade de nos envolver desde o primeiro minuto, mas sobretudo a de usar elementos já batidos e que em mãos menos talentosas resultariam apenas em mais do mesmo, para criar algo genuinamente novo e atraente. E assim, pegando carona na sugestão feita pelo USA Today para combater o marasmo que geralmente toma conta desse período do ano nas produções da tv, a receita que seguirei é simples: acompanhar uma ótima atriz num excelente papel ao longo das próximas 12 semanas.

    E aí, já viu o episódio Piloto? O que achou da série?

O Exterminador do Futuro: A Salvação

Objetivamente, O Exterminador do Futuro: A Salvação (ou simplesmente T4) é um bom filme. Sua narrativa é enxuta, desenvolve bem as personagens de Kyle Reese e do novato Marcus Wright (ainda que ‘esqueça’ de fazer o mesmo com John Connor e desperdice os demais). Na essência, diverte com ótimas sequências de ação beneficiadas por efeitos visuais impecáveis. Além disso, ao abraçar um tom mais sério – que foge das piadinhas infames de T3 -, a produção nos dá, em 2018 (ano em que se situa a trama), um vislumbre nu e cru do futuro pós-apocalíptico tão mencionado nas duas primeiras partes da franquia iniciada em 1984, o que sem dúvida é um dos grandes mérito do filme.

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    Dirigido por McG (As Panteras 1 e 2, Somos Marshall) e com roteiro de Jonatham Nolan (Batman - O cavaleiro das Trevas), mas oficialmente creditado à dupla John Brancatto e Michael Ferris (de T3 e do terrível Mulher Gato), T4 apaga a má impressão deixada pelo filme anterior e ainda que não supere os dois primeiros, dá novo gás à franquia graças, sobretudo à subeversão da fórmula construída pela série. A ameaça agora não vem do futuro, mas sim do passado.

    Ao introduzir e dar espaço ao desenvolvimento de Marcus Wrigth – um condenado à morte em 2003 que cede seu corpo para o avanço da ciência via Cyberdyne Systens, uma das precurssoras da Skynet -, o filme abre espaço para que criemos uma empatia genuína por um personagem que surge misterioso e que ao longo da trama desempenha papel fundamental tanto como ameaça quanto como a salvação do título. A isso, claro, deve-se a bela composição de Sam Worthington em seu primeiro grande papel no cinema (em breve ele aparecerá no aguardado Avatar, de James Cameron, e na refilmagem de Fúria de Titãs) que constrói no personagem mais interessante do filme, arcos de tragédia e redenção bastante consistentes e interessantes.

    E se Marcus surge como o ponto forte de conexão do filme, Kyle Reese também não fica para trás, na interpretação acertada de Anton Yelchin (o Chekov do novo Star Trek). O homem que, sob ordens de John Connor, um dia volta ao ano de 1984 para proteger Sarah e que acaba engravidando-a do próprio John (pois é, o paradoxo nunca será desfeito), surge como uma figura importante da trama e que, ainda jovem, já traz os mesmos traços psicológicos do personagem que Michael Biehn fez no primeiro filme. Lamentável, no entanto, que o roteiro de T4 abra mão de dedicar um maior desenvolvimento também para John Connor (Chistian Bale), que aparece como um dos líderes da resistência dos humanos contra as máquinas da Skynet, ainda que não exista nenhuma camada mais complexa que justifique sua posição, além daquela de ser sempre citado como uma espécie de messias ou prometido, o que de certa forma diminui a importância do personagem, que acaba aparecendo como mero coadjuvante de luxo em um filme que deveria ser seu.

    Elegante em suas homenagens e referências, sobretudo aos dois primeiros filmes – vide a aparição da fitas gravadas por Sarah Connor às quais John recorre em busca de orientação, a cena da moto ao som de "You Could Be Mine" do Guns N’Roses que remete à uma bem parecida de T2, além da rápida aparição do próprio T-800 imortalizado por Schwarzenegger -, T4 acerta no tom e na abordagem de um futuro sombrio que graças à fotografia empregada soa ainda mais assustador. É pena no entanto que o filme patine em pontos importantes da trama, como naquele em que a resistência obedece John Connor em seu pedido para não atacar a Skynet mesmo quando este não dá um motivo para tal e insira de forma forçada os jargões famosos da franquia só para (tentar) impressionar. Além disso, é inegável que seu desfecho demasiadamente apressado, artificial e conservador colabora para diminuir o impacto que as palavras de Connor poderiam ter como possível gancho para um quinto filme.

    Cotação:

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Vídeo entrega 'segredo' de Terminator 4



Se sua única motivação for para ir ao cinema a partir de amanhã para ver a quarta parte da franquia Exterminador do Futuro for a de descobrir se o hoje 'governator' Arnold Schwarzenegger aparece ou não no filme, o vídeo acima responde a sua curiosidade.

Ah, e antes que alguém reclame que isso é spoiler, vale destacar que o vídeo é um spot de tv oficial distribuído pela própria Warner, que assim tenta usar a icônica imagem do T 101 imortalizado por Arnoldão para atrair os fãs às salas de cinema.

Em tempo, mesmo com todo o avanço da tecnologia em computação gráfica, é incrível como parece que ainda vai levar um tempo até que o cinema consiga reproduzir um rosto que não pareça saído de um videogame, né?

Exterminador do Futuro 4: A Salvação estreia amanhã nos cinemas do Brasil.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sessão 3 em 1 – Wolverine, Anjos & Demônios e Star Trek



A partir de hoje e esporadicamente, você encontrará por aqui o Sessão 3 em 1 que nada mais é do que um post concentrando breves comentários de 3 filmes. Na estreia, 3 produções recentes que muitos de vocês certamente já viram ou planejam ver em breve.

X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine)

Tudo que sei sobre Wolverine aprendi durante a adolescência com aqueles desenhos que passavam na Globo e com (as poucas) leituras dos quadrinhos onde o personagem efetivamente nasceu. Ainda assim, não precisava ser nenhum gênio para saber que as tais origens de Wolverine no cinema certamente não seguiriam à risca aquela criada por Lein Wein na década de 70. Considerando esse panorama, a verdade é que as origens propriamente ditas de um dos personagens mais famosos da Marvel funciona bem na telona, ainda que a metade final do filme descambe para a porradaria inócua.

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    Dirigido por Gavin Hood (de Tsotsi, filme vencedor do Oscar de filme estrangeiro em 2006) e roteirizado pela dupla David Benioff (Tróia) e Skip Woods (Hitman), X-Men Origens: Wolverine sempre foi, desde sua pré-produção, um filme de estúdio com a clara intenção de dar continuidade à franquia dos mutantes e sobretudo de dar exposição máxima ao seu protagonista, Hugh Jackman, que também foi produtor do filme. Jackman, aliás, não decepciona no papel que o lançou ao estrelato em 2000 e continua conferindo complexidade ao personagem, que nesse filme divide a ação com um Dentes de Sabre (o ótimo Liev Schireber) muito mais interessante que aquele visto no primeiro filme dos X-Men.

    O grande (e decisivo) problema do filme no entanto é que ele deixa uma forte impressão de ruptura entre a 1ª parte e a 2ª e última. É como se vissemos dois filmes num só. A primeira investe no desenvolvimento de personagens e cria um universo crível (a relação íntima, mas conflituosa entre Logan e Victor é o carro chefe disso), ainda que fantástico, enquanto a segunda ignora a complexidade do personagem preferindo dar foco à viradas desinteressantes e à ação descerebrada (ainda que cheia de efeitos visuais bacanas) que só serve para fazer referências aos X-Men que se formariam no futuro, vide a aparição de Ciclope e mais tarde do professor Xavier.

    Em suma, X-Men Origens: Wolverine envolve graças à seu início e no geral diverte, mas se tivesse sido feito antes da trilogia encerrada em 2006, arrisco dizer que teria sido também o último da franquia. Como não é o caso, é certo que teremos um Wolverine 2 que torço, seja bem melhor que esse.

    Cotação:

    Anjos & Demônios (Angels & Demons)

    Objetivamente, ler um livro de Dan Brown (e agora ver o filmes inpirados em suas obras mais famosas) é como ir ao McDonald’s comer um Big Mac. Certamente vai te dar uns instantes de prazer, mas no fim a experiência não terá sido nada nutritiva. E é exatamente isso que acontece ao se assistir a adaptação de Anjos & Demônios, filme que no fim das contas é um entretenimento meramente fast food e nada mais.

    Roteirizado por David Koep e Akiva Goldsman, e dirigido por Ron Howard (também diretor de O Código Da Vinci), o filme funciona como uma espécie de sequência indireta para o primeiro filme ainda que no livro a trama deste ocorra antes do Código. A decisão em si é até interessante já que ao colocar Robert Langdon (Tom Hanks sem o terrível mullet) como única alternativa de ajuda para a Igreja Católica frente à crise que se instala no Vaticano em pleno conclave, ela explora, ainda que superficialmente, o paradoxo da fé que recorre à ciência para resolver um problema.

    Embora transmita adrenalina em boa dose e desenvolva bem sua ação central, Anjos & Demônios falha ao insistir em viradas e surpresas que não seguem uma linha lógica. Assim, sendo apresentadas na urgência de cenas rápidas, não dá nem tempo de (tentar) racionalizar qualquer entendimento. Porém, tão logo o filme termina, a sensação de ter sido enganado é tão grande que você nem se espanta com a ‘grande’ virada final quando o vilão por trás da conspiração que usa os Iluminatti como inimigo da Igreja Católica é revelado.

    Além disso, fica claro que Anjos & Demônios investe na construção de uma trama que soa mais complexa do que de fato é. E nisso, o roteiro de Koep e Goldsman se dedica de forma até exagerada, diria eu, em criar falsas expectativas na tentativa de conferir mais importância às revelações que vão sendo feitas (vide o arco do Cardeal Strauss e a do próprio Camerlengo). A verdade porém, é que não demora muito para que o espectador mais atento perceba que o thriller exige, com o perdão do trocadilho que a trama permite, muita fé para que se compre tudo o que vemos na tela. E sem isso, não há filme que resista.

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    Star Trek (Star Trek)

    Para os fãs da série clássica e dos filmes que dela vieram, o novo Star Trek dirigido por J.J Abrams (Alias, Lost, Missão Impossível 3) e roteirizado pela dupla Roberto Orci e Alex Kurtzman (colaboradores de Abrams na série Fringe) certamente remete à nostalgia e à clara sensação de reboot. Para os iniciados, como eu, que pouco conheciam do universo criado por Gene Roddenberry, a sensação é outra: a de se testemunhar o nascimento de uma franquia novinha cheirando a tinta e que sabe mesclar elementos certos para criar uma trama envolvente e que garante muita diversão.

    Como grande mérito do filme aliás, vale destacar que, de uma forma geral, Star Trek tem tudo para agradar tanto os fãs veteranos quanto os iniciados. Ao decidir contar a história da formação da tripulação da Enterprise, meclando à narrativa a viagem no tempo como parte da trama, o roteiro de Orci e Kurtzman espertamente consegue tanto apresentar e desenvolver aqueles personagens clássicos de forma natural, para quem nunca os tinha visto, bem como corroboram aspectos inerentes a Kirk, Spock e cia. E ainda fazem uma homenagem direta aos intérpretes originais usando Leonard Nimoy como um dos pontos chave da trama.

    Somando-se a isso, a direção equilibrada de Abrams confere ritmo à trama sem nunca permitir que os belos efeitos visuais se sobreponham à história. Contando ainda com atuações equilibradas e bastante satisfatórias de boa parte do elenco (com destaque para Zachary Quinto como a versão jovem de Spock), Star Trek literalmente abre um novo capítulo na história da saga estelar de forma surpreendentemente renovadora. Não é à toa aliás, que o filme tem recebido boa resposta tanto de público quanto de crítica, um casamento cada vez mais raro e incomum quando o assunto é blockbuster. Se ainda não viu o filme, corra para o cinema mais próximo e surpreenda-se você também.

    Cotação:

Enquanto a 2ª temporada de True Blood não vem...

Sabe aquele tipo de série que os seus amigos comentam, despertam tua curiosidade, mas que você ainda não teve a oportunidade de acompanhar? True Blood provavelmente deve ser uma delas e, se for, a dica que deixo é a de que a 1ª temporada em DVD chega às lojas brasileiras no próximo dia 11 de junho.

A produção, que leva a assinatura da HBO (mesmo canal responsável por The Sopranos, The Wire, Deadwood, Roma, dentre outras), é inspirada na série de livros The Southern Vampire Mysteries, da autora Charlaine Harris, e foi desenvolvida pelo respeitado Alan Ball (roteirista, criador e produtor de outro clássico da tv, Six Feet Under).

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    Na essência, True Blood narra sob a ótica de Sookie - uma garçonete com poderes telepatas interpretada por Anna Paquin, ganhadora do Oscar por O Piano - e vários outros personagens, a história de um pequena cidade do interior do estado americano da Louisiana, onde humanos e vampiros co-existem depois que o sangue sintético permitiu que os últimos saissem do anonimato. No contexto desse universo, Alan Ball explora discussões sobre convivência, preconceito e diferenças num nível de complexidade e riqueza de causar vergonha extrema em quem acha que uma besteira como Crepúsculo merece atenção.

    Com a 2ª temporada marcada para estrear no próximo dia 14 de junho nos EUA, estamos programando a gravação de um podcast temático para discutir a série com a participação especialíssima do amigo e jornalista Carlos Alexandre Monteiro (Lost in Lost e Tudo Está Rodando) que também é mega fã da série.