Adjetivos não faltam para destacar o brilhantismo de A Origem, mas a maior e mais importante qualidade do filme, afora o roteiro engenhoso e a direção afiadíssima de Chistopher Nolan aliada às atuações seguras do elenco liderado por Leonardo DiCaprio, reside no fato da obra ignorar a tentação tão comum de se basear numa narrativa expositiva e jamais tentar facilitar o trabalho do espectador, que envolvido pela trama, pode ter o prazer de contemplar uma obra inteligente, questionadora e absolutamente divertida à medida em que busca a compreensão do que se vê na tela.Leia mais...
Escrito pelo próprio Nolan (confirmando-se como um dos realizadores mais completos e ousados de sua geração), A Origem faz pelo cinema atual o que Matrix fez em 99 por exemplo, ou seja, é inegavelmente um blockbuster do início ao fim, mas também é um filme reflexivo e que nos instiga o tempo todo acerca dos limites da mente e do que é real e imaginário e como as duas coisas podem se confundir de forma irreversível. Ou não.
Em suma, a trama do filme gira em torno de um grupo que faz um tipo de espionagem industrial muito singular: suas ações se dão todas dentro dos sonhos de suas vítimas. O pulo do gato na trama do filme é que o novo trabalho envolve não um roubo, mas a inserção (daí o título original, aliás) de uma ideia na mente da vítima, um jovem bilionário feito com muita precisão por Cillian Murphy.
Esteticamente perfeito em todas as incríveis ambientações que vão se desdobrando nas camadas de sonhos apresentadas, A Origem apresenta-se como um filme de muitos gêneros num só fazendo a transição entre eles sempre de forma muito elegante e orgânica. Nesse contexto, cada ação, diálogo ou sequência visual impactante surge não como desculpa para justificar tomadas elaboradas, mas sim para dar significado e peso a cada uma delas.
E se todo o elenco está bem, com destaques mais óbvios para Joseph Gordon-Levitt (recentemente visto em 500 dias com ela) e para o até então desconhecido Tom Hardy (que em breve estrelará um novo Mad Max), é mesmo DiCaprio que faz a liga do filme. Há tempos merecendo ser reconhecido como Ator de fato e não só um astro de Hollywood, ele estrela seu segundo grande filme de 2010, e tal qual seu personagem de A Ilha do Medo, nesse A Origem ele também dá voz e corpo a uma figura que carrega um passado traumático cujos desdobramentos se revelam intimamente ligados à trama central e sobretudo a seu desfecho ambíguo e não menos fascinante que se planta dúvidas no espectador, traz uma certeza inquestionável: A Origem é (até agora) o melhor filme do ano.








