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Como já disse antes, não tenho problema algum com relação à acentuada mudança no perfil de Dexter. Para uma história que conta com um protagonista tão singular quanto ele dividido desde sempre pela escuridão e pela humanidade que fingia existir, mas que jurava desconhecer, espera-se, que o conflito se dilua até o ponto em que ele precise confrontar sua natureza e escolher que caminho seguir. Por conta disso, ver o psicopata frio e calculista dando espaço para a figura de um ‘mero’ justiceiro que deixa brechas para ser pego e que sobretudo se importa com outras pessoas, seria um salto importante e necessário rumo ao desfecho que a história pede no meu entendimento.
O grande problema dessa temporada e sobretudo desse último episódio, foi a noção de que os roteiristas da série não tem coragem de dar o passo seguinte. Sejamos realistas: o que os novos responsáveis pela produção não parecem entender, é que um final feliz para Dexter seria tão desonesto quanto a possibilidade de o aceitarmos como um psicopata infalível e carismático para sempre. Nesse panorama, o final da temporada foi extremamente covarde como já destaquei antes, porque não fez nada do que poderia para dar início a um fim digno e realmente interessante à série, como por exemplo, permitir que Debra descobrisse o segredo do irmão abrindo caminho para uma discussão bem mais ampla sobre a natureza dele.
Porém, o fato mais irritante vem da percepção que o preguiçoso roteiro de Chip Johannessen e Manny Coto (ambos ex-produtores e roteiristas responsáveis por alguns dos episódios mais esquecíveis de 24 Horas), deu resoluções estapafúrdias e rasteiras aos principais conflitos da trama. Jordan Chase era o tardio antagonista manipulador e inteligente da vez? Ah, de uma hora para outra transforme-o num sujeito que aje por impulso e que de forma tola se deixa pegar para virar a última vítima. Lumem matou sua sede de vingança? Então é hora de ignorar qualquer envolvimento maior que ela pudesse ter com Dexter e fazê-la simplesmente dizer que seu dark passanger tinha sumido. Quinn sabe que Dexter não é quem parece? Faça-o calar-se por amor a Debra e ainda agradecer ao protagonista pelo favor de ser inocentado de um crime que ele sequer cometeu.
Resumindo, Dexter teve uma temporada para se esquecer. Superficial, desinteressante e sobretudo desonesto com os fãs e com brilhante protagonista defendido de forma incansável por Michael C. Hall, o quinto ano da série conseguiu uma lamentável proeza: a de me fazer, como grande admirador da série, desejar que a 6ª temporada seja também a última.
Outras observações:
- E a babá, hein? Alguém sabe para que serviu todo aquele suposto mistério que os primeiros episódios tentaram construir em torno dela?
- Aliás, incrível como de uma hora para outra Dexter simplesmente abandonou a preocupação que tinha com o comportamento de Harrison ou com um possível trauma que ele pudesse carregar, não?
- Hum, então no fim das contas o caso do Santa Muerte só serviu para Debra constatar que as coisas nem sempre são preto e branco? Ohh..
- E a LaGuerta que de figurinha mais insuportável da temporada de repente se transformou na chefona amiga e compreensível da Polícia de Miami?
- Por falar no departamento comandado pela mulher de Batista, será que ele mais uma vez vai se confirmar como o mais incompetente da história das séries? Ninguém vai sequer questionar o conteúdo das ligações entre Quinn e Liddy que poderiam expor Dexter de vez?











