Episódio exibido no dia 31/3/11 nos EUAQuando a 7ª temporada de Grey’s Anatomy começou, eu andava bem desanimado com a série. A sensação era a de que Shonda Rhimes e seu time tinham esvaziado todo o saco de boas ideias que tinham para a série e se rendido ao marasmo de histórias pouco envolventes e que já não emocionavam mais como em outras temporadas. Mas aí os episódios foram acontecendo, algumas situações e dinâmicas novas tomaram forma (teve até episódio em tom documental) e de repente me vi de novo interessado na série.
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De certa forma, Grey’s parecia ter voltado aos trilhos com Yang sendo Yang de novo, com boas histórias girando em torno dos testes experimentais do Derek com pacientes de Alzheimer e com os conflitos envolvendo o retorno de Arizona e Callie, grávida de Sloan. Por isso, quando soube que ia rolar um episódio musical da série, bateu um baita receio e achei que dona Shonda tava apelando para pegar carona no sucesso comercial de Glee.
E vou ser bem honesto. Quando comecei a ver “Song Beneath the Song”, o 18º da temporada, o preconceito por saber que seria um episódio musical acontecendo logo após o gancho envolvendo o acidente de Callie e Arizona me fazia crer que esse seria o pior episódio da história da série. Por isso, quando passaram-se os 42 minutos e a bomba não explodiu, a satisfação da surpresa foi absolutamente positiva.
Escrito pela própria Shonda Rhimes (que roteiriza praticamente todos os episódios da série), "Song Beneath the Song” não chega a ser espetacular ou perfeito, mas não me resta dúvida de que colocar boa parte das sequências de cantoria do elenco (quase todos* cantaram músicas do Snow Patrol, do The Fray e etc.) sob a perspectiva da Callie Torres, foi inegavelmente uma solução inteligente, afinal, desde os primeiros minutos, já ficava claro que a médica, correndo risco de vida, experimentaria algo marcante e de certa forma inexplicável sob o ponto de vista lógico racional.
* Dos regulares, os únicos que se abstiveram da cantoria foram o Chief, o Derek e a Cristina. O motivo real eu não sei, mas só consigo imaginar que seus intérpretes devem cantar mal para caramba, ao contrário de Sara Ramirez, que faz a Callie, e deu mostras de que se a carreira de atriz emperrar em algum momento (quase impossível porque ela é ótima), poderá tentar a de cantora sem medo.
Além de todas as cenas carregadas no drama envolvendo o esforço de toda a equipe para salvar Callie e o bebê (até a Addison deu uma escapadinha de Private Practice para reaparecer em GA), as cheias de tensão entre Arizona e Sloan, aliadas àquela em que uma chorosa Meredith questiona o que ela chama de injustiça/maldade universal que não a permite engravidar, apesar das tentativas, valeram o episódio e essas poucas linhas que escrevo.
Grey’s Anatomy pode até já não ser mais tão sensacional como antes, mas considerando a regularidade desta temporada e de episódios como esse que fogem do formato convencional, dá para dizer que a turma do Seattle Grace ainda tem lenha para queimar. Ou não?













