Nota: Quando falei do BD de Os 10 Mandamentos, erroneamente citei o mar morto como cenário da sequência mais famosa da história quando deveria ter dito mar vermelho ;)
O texto abaixo foi escrito por James Hibberd para a EW
Como uma espécie de poderoso chefão de Pilotos que faz séries que as redes não podem recusar, o prolífico produtor-diretor J.J. Abrams tem duas novas séries chegando ao horário nobre na próxima temporada.Uma delas, Alcatraz, que será exibida pela Fox, já está levantando inevitáveis comparações com Lost. No enredo central há uma ilha, outro mistério, a série tem uma ex-roteirista de Lost, Elizabeth Sarnoff, como principal produtora executiva e Jorge Garcia (o Hurley) a bordo num papel de destaque. Mas basta ver o trailer da série para notar que Alcatraz tem alma própria. “A premissa desde o início era ter algo que eu certamente assistiria”, disse Abrams a EW. “E isso não significa dizer o que todos deveriam ver, mas eu sabia que ter algo assim em mente seria um bom começo.”
Os detalhes da série foram mantidos sob sigilo até bem recentemente: Alcatraz mostra uma detetive (Sarah Jones) da polícia de São Francisco que se junta a um expert (Jorge Garcia) na famosa prisão depois que descobre-se que o suspeito de um assassinato é um prisioneiro de Alcatraz que desapareceu da ilha a cerca de 50 anos. Ao que tudo indica, o assassino não foi o único prisioneiro que escapou – ou o único que reaparece. Agora eles tem que pegar os fugitivos que surgem no tempo atual sem terem envelhecido – e tentar solucionar o mistério de como isso está acontecendo e porquê.
“Há um tom de intriga em torno de Alcatraz”, disse Abrams. “Ouvi o nome e pensei, ‘Por que nunca existiu uma série chamada Alcatraz?’ Eu gostei da ideia de uma série que olhava para trás para impedir o que aconteceria lá na frente. A ideia de ter o pior do pior sendo mandado para aquele lugar. O que acontece se todos eles desaparecem um dia, e subitamente reaparecem sem envelhecer um dia sequer? Esse conceito era bom demais.”
O Piloto da série, escrito por Sarnoff e dirigido por Danny Cannon (que também comandou os Pilotos de CSI e Nikita) impressionou a Fox, mas por um tempo parecia improvável que ganhasse uma chance no canal que já tinha outras séries do gênero programadas – tais como Terra Nova e Fringe que acabara de ser renovada e que também leva o nome de J.J. Abrams. Havia outra preocupação também: do que a série se tratava no fim das contas? Lost começou sem que seus produtores soubessem as respostas para alguns dos mistérios centrais do Piloto (como o que era o monstro de fumaça na floresta). E se por um lado fazer esse vôo cego dá aos roteiristas liberdade para serem inventivos ao longo do caminho, por outro envolve muito risco para uma rede de tv que analisa se deve ou não investir numa produção.
“A Fox queria saber no que estava se metendo, eles não queriam entrar numa situação em que tudo podia ser inventado ao longo do caminho”, contou Abrams. “Eles pediram uma explicação sobre o que aconteceria numa larga escala. Obviamente não queriam que entregassemos a sinopse de cada roteiro e contassemos o que aconteceria no final da série, mas queriam saber qual era o plano geral do que seria a série e qual seria a história por trás de tudo.”
Sarnoff redigiu um documento, que por razões óbvias está sendo mantido sob sigilo, que explica tudo. Abrams diz que essas revelações foram no fim, a chave para que a série ganhasse sinal verde e a consequente chance de ir ao ar. Os produtores ainda terão liberdade para pegar certos desvios e algumas coisas podem sempre mudar, mas o fato de que Alcatraz tem uma história de fundo – e uma que é poderosa e sensível o bastante para convencer a Fox a acreditar na série – também deve dar uma certa segurança aos fãs que se frustram quando sentem que os roteiristas estão soltos demais em séries desse tipo.
“O fato da Fox ter pedido isso acabou sendo algo de extrema ajuda para todos nós”, Abrams disse. “Essa será uma série bem específica com casos isolados cobrindo o reaparição desses prisioneiros toda semana, mas ela também tem uma história central que sustentará todos os episódios.”
E aí, será que dá para ter boas expectativas com relação a Alcatraz ou a série já nasce com uma evidente pinta de The 4400 reloaded?
Nesse ótimo ‘The Wolf and the Lion’ a ação toma forma em várias frentes como, por exemplo, a que coloca Catelyn sendo salva por Tyrion, personagem cada vez mais interessante, diga-se, e a maquinação aliada às conversas de canto especulando sobre assassinatos e mudança no poder ganhando força. Resumidamente, muitas cartas importantes são reveladas. A se destacar: o rei Robert admitindo a perda do sentido de seu reinado num papo franco com a fria Cersei; Ned abdicando do posto de braço direito do rei por não concordar com sua postura beligerante e, pra ele, irracional, e Jaime Lannister confrontando o agora ex-Mão do rei por conta da captura de Tyrion numa breve, porém empolgante briga envolvendo os dois no final do episódio.
Ação e conspiração à parte, um aspecto fundamental que esse quinto episódio privilegia é o da tensão constante presente em cada uma das subtramas, o que faz com que os destinos e revelações envolvendo cada um daqueles personagens ganhe uma percepção diferente. Sendo assim, mesmo que ainda guardemos dúvidas sobre as reais intenções do inteligente Tyrion (o ótimo Peter Dinklage), não dá para ignorar a importância que seu personagem ganhou frente o turbilhão de conspirações que envolve Lannisters e Starks no centro do poder. Ou ainda perceber que o rei Robert, mais que um fanfarrão tolo, é hoje apenas uma sombra do homem que 17 anos antes lutara por mudança e que cegado pelo poder, acabou consumido por tudo de ruim que tentara expurgar do antecessor que ajudou a derrubar ao lado de Ned, a quem agora chama de traidor.
Por já conhecer o livro, já imagino que tipos de surpresas ainda estão resevadas para a 2ª metade dessa temporada de estreia, o que não me deixa menos empolgado e ansioso pelo próximo episódio. Não sei se você tá na mesma ou se andava achando a série paradona demais, mas seja lá como for, depois desse quinto episódio deve concordar quando ouvir alguém dizendo que Game of Thrones é A série do momento, certo?
Em tempo, reforço o convite para que visitem o Seriaudio onde tenho comentado em podcasts rápidos de cerca de 10 minutos, cada um dos episódios da série.
Diferente de absolutamente tudo que o gênero explora hoje, Community não é o tipo de produção que se sustenta simplesmente por gags ou situações cotidianas de uma família, de um grupo de amigos nerds ou mesmo de um escritório, como acontece, respectivamente, por exemplo, nas não menos divertidas (e também minhas favoritas), Modern Family, The Big Bang Theory e The Office. E para ser bem sincero, não dá mesmo para comparar Community com nenhuma outra comédia atual porque, criativamente, a série está num nível muito superior.
Quer seja pela preocupação maior em desenvolver seus carismáticos personagens (destaque óbvio para Abed, um viciado em cultura pop) ou pelos roteiros muito mais brilhantes, Community se sustenta basicamente sob essa tríade: inteligência e dinamismo nos diálogos, ironia e sarcasmo constante e o incansável uso da metalinguagem. Nesse contexto, ainda que se passe sempre no mesmo ambiente (o de um campus da universidade comunitária de Greendale) cada novo episódio da série traz uma surpresa diferente tanto no tema quanto na referência que faz a filmes ou mesmo outras séries de tv.
É nisso aliás que reside a força de Community e 90% de sua graça. Quando um episódio como o ótimo ‘Contemporary American Poultry’ (o 21º da 1ª temporada), por exemplo, faz uma referência direta a filmes de máfia, não o faz de forma gratuita. Na série, as homenagens funcionam de forma orgânica preocupando-se sempre em desenvolver uma trama e seus ótimos personagens.
Renovada para um terceiro ano e sobrevivendo praticamente por milagre, já que a audiência é absolutamente irregular, Community encerra sua 2ª temporada essa semana nos EUA com a parte 2 de seu episódio evento de paintball. Fazendo homenagem aos Westerns de Sergio Leone estrelados por Clint Eastwood, “A Fistful of Paintballs" (a 1ª parte do final que foi exibida na última quinta-feira) contou com participação especial de Josh Holloway (o Sawyer de Lost) e re-explorou o tema que já se tornara um clássico da temporada de estreia expandindo-o de uma forma mais surpreendente e até mesmo mais divertida.
Resumindo: se você ainda não assiste Community, corra para corrigir esse grave equívoco, e se você já assiste, comentá-la com amigos quando puder é uma boa pedida, afinal, egoísmo para quê? Bora deixar mais gente se divertir com a melhor comédia da atualidade?
Em primeiro lugar, destaque-se que numa tacada só, e de uma forma muito objetiva e criativa, descobrimos que Walter não só era a ‘primeira pessoa’, bem como foi o projetista da máquina do apocalipse e, ao que tudo indica, também o autor dos desenhos que associavam Peter e Olivia à máquina, o que faz todo sentido visto que no futuro os dois estavam efetivamente juntos e casados.
Mas, o motivo de Walter ter feito a máquina é que deixa tudo muito mais interessante. Se durante tanto tempo tinhamos como certo que o único erro a ser corrigido era o dele ter cruzado os universos para roubar e salvar Peter, agora a coisa ganha um ingrediente a mais que faz com que aquele erro possa ter sido ‘apenas’ fruto de uma variação da tentativa de se interferir no passado visando mudar o futuro.
Com isso em mente, todo aquele papo dos Observadores de que Walter estaria se preparando para um sacrifício fez todo sentido com o desfecho que vimos ainda que tenha criado outra intrigante pergunta. Se Peter, através da máquina, volta conscientemente do futuro na tentativa de salvar Olivia (então morta por Walternativo de forma fria em 2026) e une os universos na esperança de impedir o fim de um deles e simplesmente deixa de existir logo em seguida, o que ainda alimentaria a ira de Walternativo e seu desejo de destruir o nosso lado como uma das últimas cenas aponta?
A resposta (ou respostas) para isso não tenho, mas considerando que Walter e Bell sempre tentaram, desde novos, cruzar para o outro lado, a hipótese de que tenham encontrado outra motivação que não a ideia de salvar Peter (já que ele nunca existiu nesse novo contexto) é de se considerar.
Por outro lado, como Peter é um dos protagonistas da série, é de se duvidar que a resolução dessa trama se limite ao sacrifício que ele abraça. Salvar os mundos para ser esquecido? Não mesmo, até porque há uma série de efeitos em cascata que exigiriam a existência dele para que tudo pudesse acontecer como vimos. Se Peter nunca tivesse existido, BOlivia não teria um filho seu, e se essa criança não existisse, Walternativo não conseguiria acionar a máquina do lado de lá. E se ela não passasse a funcionar do lado de lá, Peter não teria entrado na que vimos aqui indo vislumbrar o futuro.
Em suma, o encerramento da temporada apresenta um festival de situações paradoxais que se confudem num primeiro momento, mas que apontam uma idea irrefutável: corajosos, os roteiristas criaram uma virada empolgante na trama ao passo em que abriram brecha para um turbilhão de perguntas e possibilidades instigantes.
A temporada teve seus tropeços, é verdade, mas com muito mais acertos e um season finale desses a questão é: que outra série faz o que faz de forma tão envolvente e viciante quanto Fringe?
Em tempo, que tal os créditos de abertura desse final, hein?
Das surpresas do episódio, a mais interessante acabou sendo justamente a postura do Michael. Diferente do que normalmente faria, em sua despedida ele, apesar das brincadeiras (os presentes que distribuiu e o momento em que ria da reação de Oscar foram ótimos), sempre manteve tudo num tom discreto demais para o seu padrão. Não vimos, por exemplo, aquele oba oba tão característico de outrora. Além disso, em várias sequências ele se revela frágil e inseguro com a decisão de partir, fazendo com que até pudessemos enxergar Michael e Carell se confundindo naquelas cenas em que o ator parecia estar realmente tão emocionado quanto o personagem.
Fazendo pequenas reconciliações com cada um dos outros funcionários da Dunder Mifflin (seus momentos com Dwight e com Jim foram sem dúvida alguns dos mais marcantes), Michael partiu de forma bem humorada pedindo que o avisassem se os registros do ‘documentário’ fosse exibido algum dia e, seguro de sua decisão, teve ainda um último momento a la Encontros e Desencontros com Pam, com quem trocou suas últimas palavras (sem que ouvissemos) antes de dar seu adeus definitivo que veio acompanhado de risos e lágrimas do lado de cá. É estranho dizer isso, mas sentiremos sua falta, Michael.
Ambiciosa e contando com uma qualidade técnica impecável (a sequência que abre o primeiro episódio, por exemplo, é de cair o queixo, bem como os engenhosos créditos de abertura), GoT narra a história de famílias envolvidas na disputa direta ou indireta pelo poder dos 7 reinos de Westeros, uma vasta região que, pela ambientação e organização política, lembra muito a Europa medieval com seus castelos e feudos.
Embora não tenha um protagonista central, a narrativa de GoT basicamente gira em torno da família Stark que, responsável pela sombria região norte dos 7 reinos, vê a aparente calmaria de 17 anos dando lugar a um turbilhão de intrigas, conspirações e jogos de poder quando o rei Robert Baratheon (Mark Addy) faz um pedido ao amigo Ned Stark (Sean Bean), que implicará uma mudança de rumos em toda Westeros e nas vidas dos Starks (Ned é casado e tem 6 filhos, sendo um bastardo) além dos Lannisters e dos Targaryen, outras duas famílias com forte ligação com o centro do poder e que agem por interesses escusos.
Apresentando seus muitos personagens sem pressa, os 3 primeiros episódios de Game of Thrones, se preocupam muito mais em contextualizar a trama e o papel que cada um tem na história, do que investir em sequências de ação grandiosas, um movimento que julgo salutar para que a narrativa cresça sem atropelos e com uma tensão equilibrada que alimente nosso interesse pela série de forma gradual e consistente. Tal fórmula, obviamente pode até não funcionar para alguns, mas para mim é a receita perfeita para garantir fidelidade à uma produção que merece pela relevância que tem num gênero pouco explorado na televisão e que quando bem feito, vira um programão imperdível!
Em tempo, ainda que eu não dedique posts para cada um dos 10 episódios dessa 1ª temporada (a 2ª já está confirmada para 2012), farei comentários em áudio de forma individual. Os dos 2 primeiros episódios já estão disponíveis no Seriaudio e o do 3º e mais recente pinta ainda essa semana por lá. Sendo assim, fica o convite para que você ouça e deixe comentários por lá também.
Nota: Se puder, assista a série em alta definição. Quer seja pela grandiosidade de seus cenários e riqueza de detalhes ou simplesmente pela excelente fotografia, Game of Thrones em HD fica ainda melhor.