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“Scratches” teve de tudo um pouco. Bill acusando Sookie de ter traído sua confiança por conta de Jessica; Sookie se afastando enfurecida por não aceitar a crítica só para ser atacada logo em seguida por um novo e misterioso ser (parecido com um minotauro, talvez?) que os milenares vampiros à princípio desconhecem; Jason dando mostras de que apesar da iminente lavagem cerebral ainda vive o conflito de não enxergar tudo como ‘preto e branco’; Lafayette abaladíssimo (e ainda humano, afinal) depois de ser libertado, e por fim, a expansão da influência bizarra da não menos misteriosa Maryann. Sobre esta última aliás, o pessoal do ótimo TrueBlood.Net aponta que ela pode ser uma ménade, uma adoradora do deus grego Dionísio (o mesmo que na cultura romana virou Baco), aquele que inspirou os bacanais, algo que vimos em cores bem vivas no final deste terceiro episódio. Ainda sobre as ménades, diz-se que se entregavam facilmente à luxuria desmedida e por vezez à violência extremada, o que de certa forma permite que já especulemos se Maryann e o tal ser que matou a Sra. Jeanette e atacou Sookie não seriam a mesma representação.
Curiosidades e especulações à parte, outros bons momentos desse episódio vieram de três situações envolvendo Jason, Lafayette e o até então calado Hoyt, que deram à série a chance de explorar subtextos que conferem força narrativa à trama. Com o primeiro, True Blood denuncia o sempre perigoso fundamentalismo religioso que ao pregar o ódio por uma minoria, deturpa e destroi a mensagem de amor e luz que tanto apregoa (que frase melhor que a do Newlin, “Odiar o mal, é amar o bem”, para ilustrar isso?). Já com Lafayette - que no fim não virou vampiro coisíssima nenhuma conforme eu e muitos tinham imaginado -, vimos não só uma crítica sutil ao sistema de saúde americano (Lafa diz que mesmo com 3 empregos não tinha como ir buscar atendimento médico num hospital), mas sobretudo um homem até então muito seguro de si desmontando física e emocionalmente de forma surpreendente e até emocionante (e nisso, palmas mais uma vez para a atuação segura de Nelsan Ellis). Agora, com relação ao Hoyt, foi interessante ver como a reação dele frente à descoberta da natureza de Jessica, desmontou (à princípio pelo menos) as más intenções da jovem vampira, ao mesmo tempo em que deu à série mais um ponto de ligação/integração entre humanos e vampiros que pode render boas dinâmicas, sobretudo quando Bill pode se opor ao que experimenta com Sookie.
Com o primeiro terço da temporada quase completo, True Blood mostrou mais uma vez com “Scratches”, que é possível construir uma trama que entretenha, mas que não abra mão de impressionar com cenas bizarras (deu até calafrio aquela cena em que a ‘médica’ futuca o ferimento das costas de Sookie) ou com reflexões repletas de significados como aquela em que Sookie diz ver cada vez mais maldade à medida em que abre sua mente para as pessoas ainda que prefira enxergar sempre o lado bom naqueles que reconhece serem influenciadas pela escuridão, como é o caso de Bill. Pode parecer pouco, mas pare um pouco e pense: há alguma outra série atualmente que consiga misturar temas e assuntos tão distintos e até polêmicos sem parecer didática ou mesmo piegas?
Outras observações:
- Com a promessa de Sookie em ajudar Eric em sua missão em Dallas, uma dúvida começa a martelar: e se o tal vampiro desaparecido tiver sido sequestrado pela Fellowship of the Sun para provocar uma resposta violenta dos vampiros que justifique sua pregação de ódio contra eles?
- Por falar em Fellowship, impressão minha ou Sarah Newlin parece ter algum outro interesse em Jason que não o de convertê-lo para a ‘luz’?
- Agora que Tara percebeu que há algo no mínimo estranho na conduta de Maryann, será que a veremos batendo de frente com ela?
- E a tal Daphne, hein? Confesso que aquela cena final me surpreendeu genuinamente, já que eu jurava que a personagem só havia sido introduzida para virar outra vítima. Agora, será que Sam corre perigo com a moça ou o que vimos foi "só" mais um gancho para nos deixar ansiosos?














